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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Coluna Argumentos - Quarta-feira (26.10.2011)

Avanço
Presidente da Assembleia Legislativa, deputado Moisés Souza (PSC) deu ontem um grande passo para seu projeto de modernização e organização da Casa. Teve aprovado por unanimidade projeto de reestruturação administrativa, com a criação de novos cargos efetivos, o que vai possibilitar a rea-lização de concurso público no começo do ano.

Interior
O deputado estadual Bruno Mineiro (PTdoB) vai representar a Assembleia Legislativa na audiência de conciliação que a Justiça Estadual promove em Calçoene, amanhã. Em pauta a recomendação da Promotoria de Justiça de Calçoene para que se feche o Garimpo do Lourenço. Existem passivos ambientais que a Cooperativa Garimpeira precisa resolver.

Energia
Deputados estaduais que integram a Comissão de Meio Ambiente da AL, cujo presidente é Zezé Nunes (PV), estarão embarcando até Laranjal do Jari nesta quinta, 27, para realizarem uma visita técnica ao canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, que está sendo tocada com apoio do Governo Federal.



No Rio
A coluna adianta um pouco da cobertura especial que será publicada em breve a respeito da Feira das Américas, no Rio de Janeiro, que contou com a destacada participação do Amapá. Uma parte da delegação está nessa foto, tirada no interior do grandioso Rio Centro, o gigantesco salão de eventos de Jacarepaguá e que teve um estande institucional do Amapá.

Reencontro
A coluna repercutiu ontem o “entrevero”, por assim dizer, entre Evandro Milhomen(PCdoB-AP) e Jurandil Juarez (PMDB-AP), a respeito do mi-nistro Orlando Silva(Esportes). Tanto Jurandil como Milhomen confirmaram presença no programa Conexão Brasília, de sábado, com temas diferentes. Inevitável falar sobre a ‘chuva de canivetes’ no ‘Caso Orlando’.

Apoio
O secretário estadual do Desporto e Lazer, Luiz Pingarilho, va driblando a escassez de recursos com muita criatividade e diálogo com demais órgãos e entidades desportivas. Ontem, ele anunciou que o Amapá vai enviar uma delegação para participar da etapa nacional das Olimpíadas Escolares, faixa de 15 a 17 anos, que acontece em dezembro, na balíssima Curitiba.

No pesado
As deputadas estaduais Cristina Almeida (PSB) e Marília Góes (PDT) continuam protagonizando as grandes “alfinetadas” no Plenário. Ontem, a socialista fez elogios à atuação do Ministério Público Estadual, que anunciou em coletiva o indiciamento dos ex-governadores Waldez Góes (PDT) e Pedro Paulo Dias (PP). Ela desancou os dois, por assim dizer, com críticas e acusações.

...Dá cá
Mas a elevação do tom da líder do atual governo na AL, provocou reações da ex-primeira-dama do Amapá. Marília disse que o PDT apóia a investigação do Ministério Público, para saber, de fato, de quem é a responsabilidade por desvios dos recursos de empréstimos consignados dos servidores. Mas disse que existem registros de que isso ocorreu desde os tempos de Capi no Governo.

Cleber Barbosa
É jornalista amapaense, colunista do Diário do Amapá e editor dos Blog's http://amapaempaz.blogspot.com
e http://soujipeiro.blogspot.com

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Dilma inaugura Ponte Rio Negro e assina proposta para prorrogar Zona Franca de Manaus


A presidenta Dilma Rousseff inaugurou ontem (24) a Ponte Rio Negro, que liga Manaus ao município de Iranduba (AM). Com 3,5 quilômetros de extensão, é a maior ponte estaiada do Brasil em águas fluviais, somando 400 metros os trechos suspensos por cabos. Uma multidão enfrentou o calor para participar da cerimônia de inauguração do empreendimento no dia em que a capital amazonense comemorou seus 342 anos. “Essa ponte mostra que é possível fazer com que aqui se gere empregos e, ao mesmo tempo, se preserve o meio ambiente”, disse a presidenta Dilma sobre a obra que levou três anos e dez meses para ser concluída, e gerou 3,4 mil empregos diretos.O empreendimento começou ainda no governo do ex-presidente Lula, que também participou da inauguração. “Hoje é dia de alegria. Valeu a pena”, afirmou ele. Na cerimônia, a presidenta Dilma Rousseff também assinou Proposta de Emenda Constitucional e Projeto de Lei para prorrogar por 50 anos a Zona Franca de Manaus e ampliá-la à Região Metropolitana. Os textos serão enviados ao Congresso Nacional. “É o reconhecimento da situação do povo do Amazonas e também do que representam a floresta e a biodiversidade, essa imensa riqueza”, ressaltou a presidenta.


Ponte Rio Negro – Após a cerimônia de inauguração, a presidenta Dilma atravessou, de carro, os 3,5 quilômetros da ponte sobre o Rio Negro. O empreendimento custou R$ 1,099 bilhão, o que inclui obras complementares, como a construção de 7,4 quilômetros de acessos viários do lado de Manaus e de Iranduba, e a implantação dos sistemas de proteção dos pilares contra choque de embarcações, de sinalização náutica e de iluminação da ponte e de seus acessos. Do total de recursos aplicados, R$ 586 milhões foram financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 513 milhões do Governo do Amazonas.´


Blog do Planalto

Veja também:

Agenda da Presidência do Senado Federal - Terça-feira

Terça-feira – 25/10/2011

12:00 - Almoço oferecido pela presidente Dilma Rousseff em homenagem ao presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych - Sala Brasília do Palácio Itamaraty

15:00 - Presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych - Salão Nobre

16:00 - Reunião dos presidentes José Sarney e Marco Maia com os líderes do Senado e da Câmara  -Salão Nobre da Câmara dos Deputados

16:00 - Ordem do Dia - Plenário

18:30 - Posse de Luciana Lóssio, no cargo de ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral - Gabinete da Presidência do TSE - Praça dos Tribunais Superiores - Bloco C - Setor de Autarquias Sul

General alerta para risco de produção de cocaína no Brasil


A plantação de coca no Peru já chegou a áreas baixas e úmidas da Amazônia e poderá em breve chegar ao Brasil. O alerta foi feito nesta segunda-feira (24) pelo comandante militar da Amazônia, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, durante audiência pública promovida pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), a respeito do tema "Vigilância de Fronteiras - organização, distribuição espacial na Amazônia e no sul do país". Na abertura da audiência, que foi presidida pelo senador Fernando Collor (PTB-AL), o general informou que uma grande área da plantação de coca foi descoberta em ação conjunta das polícias do Brasil e do Peru. A plantação foi feita em áreas de índios ticunas, que vivem na região de fronteira entre os dois países. E, caso se estenda até o lado brasileiro, levará o país a deixar de ser apenas um corredor de passagem para a cocaína produzida nos países vizinhos.
- Se a coca for plantada no Brasil, o grau de complexidade será muito maior. Temos indícios da presença na região de cartéis mexicanos, que têm um modus operandi mais violento. Temos de estar muito atentos - afirmou Villas Bôas, após observar que algumas regiões de fronteira podem vir a experimentar, se não forem tomadas providências, problemas semelhantes aos do México. 

Farc

A presença de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na região de fronteira foi indicada como um fator de risco de insegurança, devido à sua participação no tráfico de armas e de drogas, pelo coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas da Universidade Federal de Juiz de Fora, Ricardo Vélez Rodrigues. Entre outras ameaças potenciais à segurança do país, a seu ver, estão o aumento da produção de cocaína na Bolívia e a criação do "maior centro de contrabando da América do Sul" na região da Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina. Ainda a respeito da fronteira brasileira com a Colômbia, o jornalista Marcelo Rech, editor do site de notícias Inforel, relatou o papel exercido por soldados do Exército Brasileiro na região de Tabatinga (AM) e Letícia, do lado colombiano. Em primeiro lugar, observou, existe uma integração dos dois exércitos "além dos acordos formais", que, a seu ver, ajuda a construir confiança mútua. Em seguida, ele relatou a importância do Exército Brasileiro para a população civil dos dois lados da fronteira.
- Alguns colombianos com quem conversei me disseram como consideravam importante a presença na região dos militares brasileiros, até, por exemplo, pelo atendimento odontológico a crianças colombianas. Um soldado brasileiro me disse que ali não há distinção de idioma, bandeira ou nacionalidade, pois todos estão na Amazônia, distantes dos dois governos - relatou Rech. 

Focem

Como estímulo ao desenvolvimento das regiões de fronteira localizadas ao norte do Brasil, o chefe do Departamento da América do Sul 2 do Ministério das Relações Exteriores, ministro Clemente de Lima Baena Soares, defendeu a extensão para essas áreas de uma experiência já realizada no Mercosul - o Fundo de Convergência Estrutural (Focem). Composto por dotações anuais de US$ 100 milhões, o fundo é destinado a investimentos principalmente nos dois menores países do bloco, Paraguai e Uruguai.
- Por que não se estabelecer um Focem para a Região Norte? Com investimentos em educação, saúde, cooperação técnica e controle integrado de fronteiras, o fundo seria de fundamental importância e beneficiaria todos nossos países vizinhos - sustentou Baena.
Ao comentar os pronunciamentos dos convidados para a audiência, Collor lembrou que, apesar dos problemas existentes nas fronteiras, o Brasil vive em paz com seus vizinhos, busca o consenso e, nos últimos anos, "vem demonstrando a capacidade de promover amplo desenvolvimento, com ascensão de 30 milhões de pessoas que viviam na linha da pobreza". O senador agradeceu ainda a presença, na audiência, de representantes diplomáticos de 11 países, entre os quais os embaixadores de Rússia, Filipinas e Cuba. Por sua vez, o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) ressaltou a importância da presença da população na segurança das fronteiras. Ele defendeu ainda a construção de uma "forte unidade" entre a universidade, o governo e as Forças Armadas, para defender o que chamou de um "grande projeto de nação".

Marcos Magalhães / Agência Senado

Cientistas debatem impacto dos incêndios florestais no meio ambiente

As comissões de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), e de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização (CMA) realizam audiência conjunta na próxima terça-feira (25), a partir das 14h, para discutir os impactos dos incêndios florestais no meio ambiente e na produção agrícola. A reunião foi requerida por sugestão dos senadores Jorge Viana (PT-AC), Rodrigo Rollemberg (PDT-DF), Acir Gurgacz (PDT-RO) e Eduardo Braga (PMDB-AM) devido ao grande número de incêndios e queimadas registrados nos últimos meses em todo o país. Os especialistas debaterão formas de prevenção e políticas públicas sobre o assunto. Uma das preocupações dos senadores é o aumento da emissão de carbono provocado pelas queimadas. No Brasil, os incêndios florestais são os principais responsáveis pela liberação na atmosfera dos gases causadores do efeito estufa. Foram convidados para o debate o pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Serviços Ambientais da Amazônia (Servamb) Irving Forster Brown; a professora do Departamento de Ecologia da Universidade de São Paulo (USP) Vânia Pivello; o professor do Departamento de Ecologia da USP Leopoldo Coutinho; a professora do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB) Heloísa Miranda; e o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Bráulio Ferreira de Souza Dias.

Laércio Franzon / Agência Senado

Deputado Milhomen diz que ministro do esporte é inocente

Deputado federal Evandro Milhomen (PCdoB-AP) defende Orlando Jr.
O deputado federal Evandro Milhomen (PCdoB) - foto disse ontem, em entrevista no rádio, que o ministro do esporte, Orlando Silva, não tem a obrigação de provar nada, porque ele não é culpado da acusação de desvio de verbas da pasta. “O que acontece com o ministro Orlando não é o caso do que aconteceu com os ministros do PMDB, contra os quais as provas eram evidentes”, acusou o parlamentar, numa clara referência ao ex-deputado federal Jurandil Juarez, do PMDB, que antes falara sobre o assunto que envolve Orlando Silva e, por tabela, o PCdoB, a legenda do ministro e do próprio Milhomen. O deputado federal afirmou que conhece a competência e o espírito nacionalista e patriota do titular da pasta do esporte, bem como a sua integridade moral, o que lhe dá a garantia de que ele não tem participação no esquema de desvio de recursos. Evandro Milhomen citou como ausência de indícios contra Orlando Silva o fato do seu denunciante primeiramente ter afirmado ter dado dinheiro ao ministro, para depois recurar, com a desculpa de que apresentará testemunhas. “Testemunhas essas que nunca apareceram e jamais aparecerão em virtude de Orlando Silva ser inocente. O parlamentar, por fim, argumentou que as pressões em cima do ministro são uma fachada para os interesses econômicos, de informações sobre a Copa do Mundo e da oposição. Quanto aos interesses que a oposição teria sobre o assunto, Milhomen citou o fato de Orlando Silva vir fazendo um grande trabalho como ministro do esporte, desde 2003; pertencer a uma partido em nível nacional relativamente pequeno; ser de origem pobre e ainda por cima, negro.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sarney: 'Eu consigo perdoar todos os meus inimigos'

O presidente do Senado, José Sarney, concedeu entrevista exclusiva publicada ontem em O Imparcial na qual falou da intimidade, da família, de política e de literatura. Confira aqui a íntegra da entrevista. Na manhã do último dia seis, o maranhense de São Bento e presidente do Senado, José Sarney (PMDB), deixou sua casa em reforma num bairro nobre de Brasília para se deslocar à residência oficial destinada a quem ocupa a cadeira mais importante do Congresso Nacional, na Península dos Ministérios. Eram 9h30 e, àquela altura, ele já tinha lido jornais, o livro de cabeceira, e repassado na mente a abarrotada agenda daquela quinta-feira chuvosa. O primeiro compromisso: café com os repórteres de O Imparcial. Na pauta, quase nada de política. A Revista Tudo foi à Brasília para saber o que existe por trás da figura séria, dada a formalidades da burocracia e aos ritos do parlamento, elogiada por muitos maranhenses, criticada por outros tantos. Como anda a saúde, quais mágoas a política trouxe, os prazeres da literatura, como é a rotina de tão influente figura da República e quem é José Sarney no dia a dia com a família. Tudo isso e muito mais você confere nas próximas quatro páginas deste especial preparado por nós.

O Início

Ao sentar a mesa do café da manhã, Sarney recebe uma vitamina de linhaça, granola, mamão e ameixa. No cardápio, tapioca, ata, manga tapioca. “Eu como muito pouco”, diz ele, abrindo uma caixa de remédios. “Aqui é minha carteira de sonhos”, completa, sorrindo. “Porque é remédio que não faz nada e a gente vai sonhando, né? Pra gente se iludir que realmente vai viver muito”.

A rotina

O Imparcial: As ligações começam cedo, presidente?

José Sarney: Já. Desde de manhã já têm coisas pra resolver. Mas eu levanto cedo. Acordo umas seis horas, seis e meia, levanto umas sete horas, já estou familiarizado com o IPad (tablet da Apple), leio tudo antes de ir para o trabalho.

Usa para ler livros também?

Não. Livro é insubstituível. Não tem coisa que substitua.

Quando o senhor acorda, qual a primeira coisa que faz?

Rezo. Todo dia.

Hoje, o que lhe veio a cabeça quando acordou: trabalho ou família?

O dia de trabalho. Penso na minha agenda, que está sempre cheia. O primeiro compromisso já era aqui com vocês. Eu repasso minha agenda para me organizar. Quando tenho algum encontro internacional recebo sempre um briefing sobre o visitante antes de recebê-lo.

O senhor dorme a que horas?

Eu sempre deito às 11 horas e durmo meia noite, uma da manhã. É pouco.. Eu sempre dormi muito pouco. Toda a minha vida. Eu aprendi a estudar de noite, de maneira que me fez dormi pouco.

E a famosa sesta que o maranhense costuma tirar depois do almoço?

Não. Não descanso em nenhum outro horário do dia. Eu chego uma hora, tô almoçando uma e meia e duas e 50 eu saio para chegar ao Senado 15h15. Eu sou muito de horário. Acho que horário, sem a gente ter uma disciplina, as coisas tumultuam.

E quando o senhor se depara com um político sem pontualidade?

Em geral, os políticos não tem disciplina nenhuma para horário. Eu estou sempre reclamando. Político e mulher não obedecem a horário.

Em suas leituras diárias, o senhor prioriza os jornais?

De manhã eu leio primeiro as resenhas todas nossas porque não há tempo de ler todos os jornais. Leio dois relatórios que me vêm todo dia da imprensa, feito pelo nosso serviço de imprensa, do Senado. Eles selecionam as matérias mais importantes e fazem uma análise do noticiário.

Essas que o senhor consome pela manhã lhe pautam muito durante o dia?

Não. Mas pelo menos informam a gente do que está acontecendo. As decisões políticas são sempre decisões que demandam certa costura, muito diálogo, muitas pessoas que a gente liga por dia, de manhã logo. E (ficamos sabendo) quais são os fatos políticos que tem, para se informar e poder comentar.

Diante de tantas tarefas, o que o senhor considera como lazer?

Olha, eu até hoje não tive tempo de ter tempo para ter lazer. Eu não tenho nenhum hobby. A minha vida toda foi dedicada a política e a literatura. Meu tempo livre é só pra ler. Eu passei 25% da minha vida lendo, de maneira que eu não vejo televisão, eu não vou a teatro, não vou a show, gosto de música sacra e as vezes leio escutando. Minha rotina é sempre lendo e escrevendo.

Então seu lazer é a leitura.

É. Eu não posso viver sem. Eu fico angustiado atrás de um livro de noite. Eu já me habituei. E também quando eu acordo cedo eu pego livro e leio um pouco, ainda na cama, e depois levanto.

O que o senhor está lendo no momento?

Estou lendo a biografia do Jango (João Goulart, ex-presidente do Brasil). Esta que saiu agora...

A família

Nesses dias tão corridos, como o senhor consegue manter a proximidade com a família?

Eu tenho uma norma de sempre almoçar, fazer refeições em casa. É a hora que a gente tem de se reunir com a família na intimidade. Mas a gente sempre tem convidados que sempre chegam, pessoas e ligações.

Longe de São Luís, como fica a relação com os netos, os sobrinhos?

Eles são muito carinhosos comigo. E quase que diariamente todos me ligam, falam comigo e estão sempre passando aqui. As minhas netas, por exemplo, todas elas estudavam aqui. Vieram fazer o curso universitário em Brasília e moravam comigo. Então eu sempre tenho neto em casa. Já tive três, já tive dois. Eu chamo que é um lugar de discipliná-los, coordená-los.

Então o senhor não é o avô que mima os netos.

Não, pelo contrário. Eles aqui gostam muito, conversam muito comigo sobre as dificuldades quando estão estudando, comentam muito, participam. E eu tenho um hábito também de nestes momentos me inteirar do que eles estão pensando, como a juventude está pensando. De maneira que eu procuro sempre ser um homem do meu tempo.

Uma forma de atualização...

E não ficar olhando para o passado, mas sempre para o futuro. E por vezes eles trazem colegas e a gente se mantém sempre com o pensamento da juventude. Não fica desatualizado.

O senhor hoje preserva algum amigo de infância que não seja ligado a política?

Ah! sim. Nós hoje temos já muito poucos. Mas nós sempre tínhamos aqui, em Brasília, e ao longo da vida, reuníamos a turma do Colégio Marista. E fazíamos um jantar uma vez por mês na casa de cada um. Começávamos e terminávamos o jantar cantando o hino do Marista. Era o Campelo, o Betinho, o Luís Antônio... São pessoas que não são da política, cada um na sua profissão. Hoje somos cinco. Já fomos muito mais. Outro dia o Campelo completou 80 anos e ele quis comemorar em um restaurante. De repente o restaurante ficou estarrecido quando levantaram pessoas, entre os quais eu, e cantamos o hino do Colégio Marista. Cantamos para abrir e para fechar o jantar.

Este hino é do Marista de São Luís?

Marista de São Luís, onde estudei, que era ali junto da Igreja da Sé, onde hoje é o Palácio do Arcebispo. Era arcebispo do Maranhão, Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos, depois Carmelo de Aparecida. Ele, então, para atrair o Marista para o Maranhão, deu aquelas instalações para funcionar o colégio. Ali fiz exame de admissão, estudei, quando vim pra São Luís fiquei num pensionato na Rua de São Pantaleão, um pensionato de meninas e meninos. Colocavam as meninas em cima, no sobrado, e os meninos embaixo. Para não ter perigo, porque não podia namorar.

Enquanto pai, como o senhor se sente cada vez que um de seus filhos é questionado ou criticado?

Eu sempre fui um pai muito afetivo com meus filhos. Eu sempre disse a eles que pai a gente não escolhe, já nascemos com um pai, mas amigos era coisa que na vida a gente tem que construir e é difícil. E queria que fossem meus filhos e meus amigos. Então eles se transformaram todos em meus amigos. E temos uma relação muito afetuosa, de muita intimidade, de muita liberdade. Eles são também muito rigorosos comigo. E qualquer coisa que tem com eles em mim eu sinto multiplicado mil vezes. Enquanto pai e enquanto amigo.

E com o senhor.

Comigo eu vivo, aguento, eu sei administrar. Com os filhos é difícil.



Política

A política, literatura e família são coisas fortes na sua vida. Mas o senhor se considera mais um literata, um político ou um homem de família?

Eu sempre tive uma grande consciência de que a família é a base, o núcleo da vida da gente. A política para mim foi destino. Não foi a vocação. A vocação é a literatura. Eu achava que eu iria ser um escritor. Só um escritor. Mas ai eu entrei... e O Imparcial entra nessa história, eu passei num concurso de reportagem para o jornal, tirei o primeiro lugar e fui contratado. Então eu fui repórter do setor policial durante dois anos, depois eu fui, aquele tempo a nomeclatura era outra, secretário do jornal, redator, depois editorialista. E dirigi um suplemento literário que era a minha menina dos olhos.

Nesse tempo, sempre com foco na literatura...

Sempre de olho nela. Mas o jornalismo sempre leva a gente questionar a sociedade. Então, a partir daí eu comecei a me envolver politicamente. Até porque com a minha qualidade de ser um pouco levado a liderar eu cheguei no colégio e já fui presidente do Centro Estudantil, da União Maranhense dos Estudantes, do diretório de nossa faculdade, representante na União Nacional dos Estudantes (Une) do Maranhão e comecei a fazer a política estudantil. E ela me levou a me envolver na política partidária porque era na campanha do Brigadeiro Eduardo Gomes contra o Getúlio (Vargas), e naquele tempo eu era muito contra o Getúlio. Então fui na juventude brigadeirista e minha geração era de muitos ‘ismos’, comunismo, integralismo, e eu não aderi a nenhum ‘ismo’. A literatura me levava a ser um liberal, um humanista. E a partir daí eu comecei entrar na política.

E o senhor ficou cada vez mais envolvido...

E eu era muito novo, a sedução era muito grande. Eu fui logo convidado para ser deputado federal, com 24 anos. De maneira que eu entrei como candidato e não me elegi. Mas fiquei suplente. E com a morte do Lima Campos, um deputado da época, logo em seguida eu assumi. Então, em 1955, com 25 anos, entrei para deputado federal. Para mim foi um deslumbramento. Eu via os líderes que existiam, o Fábio Mangabeira, o Carlos Lacerda, todos fazendo parte da bancada do partido que eu pertencia. A partir desse instante então fui candidato pela segunda vez, já tinha 28 anos, e fui o deputado mais votado pela oposição no Maranhão. E a partir daí fui me afastando da literatura que eu me dedicava totalmente. Mas eu sempre fui um grande leitor. No meu tempo de estudante, como eu não tinha livros, eu ia para a biblioteca e ficava lendo até a biblioteca fechar.

O que mais lhe entristece na política hoje?

A política é uma coisa cruel. A gente lida com a crueldade, com a ingratidão, que é uma coisa que a gente tem que se preparar para compreender pouco a pouco. E depois, como eu sou cristão, eu consegui uma coisa que me dá uma certa tranquilidade, que Deus me ensinou: 'perdoai seus inimigos'. Isso é muito difícil na política. Mas eu... se Ele fez tanta coisa por mim, na minha carreira, me encheu de estrelas, então eu não tenho o direito de negar a Ele um mandamento que Ele me dá. Eu consigo perdoar todos os meus inimigos.

A gente pode dizer que hoje a política lhe faz mais mal?

Eu sempre tive uma ligação de muito atrito com a política. Porque ela lida com realidades e a literatura com abstrações. E eu, me considerando um humanista, acho que é uma coisa que não se pode conciliar. Mas, evidentemente, que ela tem um lado humano. Eu considero que a política foi feita para o homem e não o homem para a política. A gente tem que saber... e ela me deu tantas oportunidades ao longo da vida, de trabalhar para os outros, porque se entra para política com o objetivo de mudar o mundo, mudar a sorte das pessoas, de nosso estado, do país e até da humanidade.

Maranhão

O senhor é senador pelo Amapá e presidente do Senado, que é uma casa de todos. Mas qual a sua relação com o Maranhão e como o senhor busca contribuir para o estado onde nasceu e se formou como um político?

Eu posso dizer que o Maranhão não passou um só dia em que não tivesse ele como inspiração de toda minha vida. Isso não é uma palavra só. Minha formação toda foi feita no Maranhão. Minha aventura de menino do interior, com meu pai peregrinando por todo o interior do Maranhão numa época que nem estrada tinha, de muita miséria. Isso sem dúvida alguma marcou muito meu lado humano, pelo qual sempre fui um político marcado pelo social. Tanto que o lema do meu governo, enquanto presidente, foi "Tudo Pelo Social". O Maranhão é sempre uma saudade, um amor que não passa. Acho que a minha geração teve a grande oportunidade de dar uma contribuição ao Maranhão extraordinária.

Fale sobre essa contribuição.

Nós encontramos o Maranhão no século 19 sem nada e iniciamos a era do planejamento. Foi o momento em que todos nós, e eu tive a sorte de ser o líder dessa geração, junto com Bandeira Tribuzi, Belo Parga, Madeira, Ivaldo Macieira, nós formulávamos e eu entrei na política com essa determinação. E conseguimos porque, na realidade, a partir de então, não tinha sido feito um planejamento de criar uma infraestrutura do Maranhão. Porque sem infraestrutura nada acontecia. Nós não tínhamos estradas, universidades, energia, transporte, comunicação, não tínhamos nada. E São Luís era apenas uma cabecinha do estado, isolada ali por 300 quilômetros de campos alagados em torno dela. Então nós tínhamos primeiro que restaurar a integração do estado. Para isso nós identificamos primeiro o porto, em torno do porto nós saímos, fizemos a Boa Esperança, levamos uma estrutura de energia para o Maranhão que hoje é uma das melhores que nós temos na região, que de tal modo possibilitou uma fábrica de alumínio. Traçamos as estradas, criamos as duas universidades, feitas por mim. Na época, eu tinha um lema que dizia “uma escola por dia, um ginásio por mês e uma faculdade por ano”. E isso ocorreu. Porque só tinha um ginásio no Maranhão, que era o Liceu Maranhense, no qual eu estudei. Era o único ginásio oficial no Maranhão. Então eu interiorizei os ginásios. Criamos 72 deles. E hoje a gente já vê como desdobramento disso a expansão do ensino superior no interior do Maranhão.

Mas, no Brasil, as pessoas veem estado como muito pobre...

O Maranhão hoje é o décimo sexto estado do país em PIB (Produto Interno Bruto). Quando falam dos índices sociais do Maranhão eu sempre digo: pior são os do Brasil. Por que o Brasil é hoje a sétima economia do mundo e 81 em seus índices sociais. Existem dois mil índices. Nós somos ruins em alguns e outros somos bons. A gente vê que criaram essa coisa, que foi a coisa mais danosa já feita para o estado do Maranhão, foi o governo, há algum tempo, ter se empenhado para divulgar que o Maranhão é um estado pobre. Para me atingir eles atingiram o estado. Achando que para me atingir precisavam atingir o estado. Então isso foi um crime contra o Maranhão. Hoje é difícil desmontar uma campanha contra o estado. Acho que foi uma coisa deplorável. Um primarismo, uma falta de visão. Isso não foi só contra o Maranhão. Foi contra todos nós, de um estado que sempre teve uma grande alto-estima. E procurou se destruir essa alto-estima. Hoje nós temos que reconstruir o orgulho do Maranhão, a cultura do Maranhão, a literatura.

Qual peso o poder acumulado até hoje exerce em sua vida?

O poder sempre passou por mim, mas nunca me atingiu em nada. Sempre fui o homem simples que procurei ser, de vida austera. Ele nunca me perturbou, até porque eu sou muito seguro das minhas coisas, das minhas limitações, das possibilidades. Então isso o poder não me destruiu e nem me modificou. Eu sempre tive preparado para saber o que ele tem de bom e o que ele tem de mal. E sempre me fiz resistir e combater o que ele tem de mal e aproveitar o que tem de bem.

O senhor já anunciou que este é seu último mandato. Ainda está firme nesta decisão?

A Virgílio Távora (político paulista) disse que só existem duas maneiras de se abandonar a política. Ou o povo larga a gente ou a gente larga o povo. E hoje eu cheguei a conclusão que existe uma terceira: a idade. Mas isso não significa que vou deixar de exercer. Até o fim da minha vida eu vou me dedicar, porque a política é sempre uma maneira de lutar coletivamente. As pessoas que não conhecem a política, a imagem do político, deformam as pessoas. Mas na realidade o verdadeiro político é aquele que vive permanentemente pensando no coletivo. Isso eu vou ficar até o fim da minha vida. E vou ficar escrevendo também. Eu tenho gosto pela escrita. Gosto das palavras. É a minha verdadeira vocação. As vezes eu até digo que não gosto da política, gosto é da literatura.

Literatura

Hoje, qual a tarefa principal do literata Sarney?

Eu escrevi 64 títulos. E continuo. Agora estou terminando as minhas memórias. Acredito que até o próximo ano ficará pronto. Porque quando a Regina Echeverria (autora de Sarney, a Biografia) me procurou para escrever a minha biografia ela me pediu e eu assumi com ela o compromisso de não publicar as memórias antes desse livro. Ela me deu um prazo de um ano e meio e levaram cinco anos fazendo. (risos)

Agora atrasou o projeto....

Atrasei e estou num trabalho de reescrever o que ela colocou no livro para não repetir as mesmas coisas. Estou debruçado neste projeto e estou inconcluso um romance que eu tenho que é O Solar dos Tarquínios, que se passa num casarão no Centro de São Luís, um casarão bonito, na Rua Afonso Pena, onde até já funcionou O Imparcial durante alguns anos. É a história de três velhos que não morrem nunca e eles ficam ali dentro contando histórias.

Qual o livro da sua vida?

Olha, o maior livro que já se escreveu eu acho que foi Dom Quixote. Acho que dentro dele não tem só um livro. Mas muitos livros. Outra obra que também me marcou muito, que acho fantástica, são as “Memórias de Além Túmulo”, de (François-René) Chateubriand. Entre os autores, Guimarães Rosa, para mim, é um escritor fantástico, acompanhei sempre a obra que ele escreveu e acho que é extraordinária. E sem dúvida considero o ponto alto da nossa literatura a fase do regionalismo, que Oswald de Andrade chamava de “Búfalos do Norte”, quando se criou o romance nordestino, da seca, com Graciliano Ramos, Jorge Amado, José Lins do Rêgo, Raquel de Queiroz... E não podíamos deixar de lembrar de um livro fundamental da literatura brasileira que é o livro de Joaquim Nabuco, “Um Estadista do Império” que para tratar da biografia de seu pai ele construiu uma história de todo o império e da vida política daquele tempo todo. Sobretudo, é um livro muito bem escrito. Acho que ainda hoje poucos escritores escreveram tão bem quanto Joaquim Nabuco.

Infância

Aos 81 anos, a idade lhe impõe muitas limitações?

Não. Eu me considero como se eu tivesse em absoluta aptidão para viver. Agora, cada idade tem seu tipo de vida. Eu procuro todo dia aprender uma coisa, tô sempre estudando, sempre me atualizando, sempre com essa preocupação de acompanhar o mundo. Agora eu sempre fui meio hipocondríaco, eu sempre acho que estou doente. Eu sou o próprio doente. (risos)

Desde a infância?

Desde a infância, desde menino eu sempre tive essa ideia. Então vivo preocupado. Qualquer coisa fico encucado. Eu sou um grande leitor de bula. Já me deram no Hospital Sírio Libanes uma bata escrito Dr. Sarney, porque eu chego lá e eles já perguntam: ‘Eu quero saber os remédios que o senhor já receitou’. (mais risos)

Do que o senhor mais sente saudade?

A grande saudade, acho que de todo mundo, e Jung (Carls Gustav Jung, fundador da psicologia analítica) trata isso, eu tenho muita saudade da minha infância. Eu associo a palavra felicidade à infância. O que é a felicidade? É a infância. Porque é um tempo que nós não temos nenhuma preocupação, nenhuma angústia e é quando a gente começa a descobrir o mundo, a beleza das árvores, das pessoas, a amar as pessoas, a mãe, o pai avós, irmãos.

Na infância sempre temos uma figura marcante. Quem marcou a vida do presidente Sarney?

Olha, marcou desde o princípio até o fim, que foi minha mãe. Eu sempre tive uma relação com ela que nunca tive com ninguém. Era uma relação de sublimação, amizade, amor, tudo. Uma admiração. Eu até hoje não entendo o mundo sem a minha mãe. (Sarney silencia, de olhos marejados).

Qual foi o principal ensinamento dela?

O carinho, o amor. Eu nunca vi minha mãe levantar a voz com ninguém. Nunca vi ela brigar com ninguém, nem reclamar de nada. E, sobretudo, como ela era muito religiosa, tinha um gosto pela penitência. Ela gostava de fazer penitência. A oração dela era muito forte. Eu dizia que ela já tinha uma intimidade muito grande com Deus. Quando eu fui candidato a vice-presidente, eu falava com ela todo dia, e dizia: 'A senhora está vendo isso? Estão falando no meu nome... o que a senhora acha... e tal'. Ela disse um dia: 'Olha, quando vocês nasceram eu entreguei vocês a Nossa Senhora e pedi que ela fizesse por vocês tudo que pudesse fazer de bem. Mas outro dia eu falei com Jesus e pedi o seguinte: ‘Jesus, se o senhor puder ajudar o José, ajude'’. (risos)

Para encerrar, qual o ponto fraco do presidente Sarney?

De modo geral eu sou um frágil. (risos) Muitas vezes eu sou acusado de ser muito calmo, de não reagir, não gostar de briga, de atrito. Eu me dei bem com isso até hoje porque que eu vou modificar? De maneira que eu sempre vejo nas pessoas também o lado que eles veem a gente. É um ponto fraco, mas é um ponto forte.
A entrevista acaba. A pedido de nosso fotógrafo, Sarney atravessa a sala da residência oficial e vai ao jardim. Senta em meio a árvores para uma sessão fotográfica, que leva mais tempo que o programado. Ao fim ele levanta e, sorrindo, concluiu: "Quer saber de verdade qual é o meu ponto fraco? Quando Roseana me liga zangada pra brigar comigo”

“A lei da Copa é um acinte à nossa soberania”

Randolfe - Apesar das críticas à Fifa, não é contra
a Copa do Mundo no Brasil em 2014

Apesar de estreante no Senado Federal, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) já figura como um dos parlamentares mais atuantes na Casa. Esta semana ele voltou a protagonizar pronunciamentos contundentes e abalizados, desta vez tendo como alvo a poderosa Confederação Internacional de Futebol Associados, a Fifa. O parlamentar amapaense usou a tribuna do Congresso Nacional para alertar as autoridades brasileiras e a sociedade em geral para que o País não se curve diante de exigência da entidade máxima do futebol mundial, que edita uma Lei Geral da Copa do Mundo qu eo senador considera um acinte à soberania nacional. Mais que isso, Randolfe critica diretamente o presidente do Comitê Organizador da Copa no Brasil, o polêmico pre-sidente da CBF, Ricardo Teixeira. Randolfe falou a respeito do assunto ontem, em entrevista ao programa Conexão Brasília, da Rádio Diário FM. O s principais trechos da entrevista o Diário do Amapá publica a seguir.

CLEBER BARBOSA
DA REDAÇÃO


Diário do Amapá - O senhor que se diz apaixonado por futebol agora é uma voz contra as regras impostas pela Fifa para realizar a Copa do Mundo no Brasil e quer ouvir explicações do presidente da CBF no Senado?
Randolfe Rodrigues -
Nestas duas semanas nós ouvimos muitos comentários sobre a chamada Lei Geral da Copa. Inclusive é de mi-nha autoria um requerimento convocando o Sr. Ricardo Teixeira e ou-tras autoridades, dentre eles os responsáveis pela infraestrutura para a realização da Copa do Mundo no Brasil, para prestar explicações sobre o que vem a ser esse Projeto de Lei nº 2330, essa chamada Lei Geral da Copa, que foi encaminhada pela Presidente da República para o Congresso Nacional. Já está na Câmara dos Deputados, já foi montada uma comissão especial para analisá-la, parece-me que já houve designação de relator e, em seguida, vai ao Senado. Eu comecei a comentar sobre a Lei Geral da Copa. Aprovamos um requerimento na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania e Justiça e tenho certeza de que dentro em pouco o Senador Eunício, Presidente da CCJ, fará a convocação do Sr. Ricardo Teixeira para dar explicações.

Diário - O que há de errado, no seu entendimento, com essa Lei Geral da Copa do Mundo?
Randolfe -
O Governo instituiu há duas semanas também a contagem regressiva para a realização da Copa do Mundo de Futebol em 2014. Então,faltam mais ou menos 950 dias para a Copa do Mundo ser realizada aqui no Brasil. Primeiro, eu queria destacar que é um motivo de orgulho para nós a realização da Copa aqui em nosso País. Durante muito tempo se utilizou as expressões “Deus é brasileiro” e “Brasil é o país do futebol”. De fato, o futebol está na essência, não é só uma manifestação esportiva para nós brasileiros. O futebol é algo da cultura nacional. Nenhum país do mundo se mobiliza tanto em uma Copa do Mundo, seja em que canto do Planeta ela ocorra, quanto o nosso. Nenhum país do mundo tem tantos apaixonados torcedores de diferentes clubes do futebol nacional como nós temos aqui no Brasil.

Diário - Não dá para negar isso, não é mesmo?
Randolfe -
Então, o futebol está enraizado na nossa cultura. Aqui no nosso País nós vivemos, há 54 anos, o orgulho de sediar uma Copa do Mundo de Futebol, em condições menos drásticas impostas pela Federação Internacional de Futebol do que hoje. E sofremos inclusive com o final daquela Copa do Mundo, quando o Brasil, em pleno Maracanã, perdeu para o Uruguai por 2 a 1. Então, sediar, realizar a Copa do Mundo de novo no Brasil é um motivo de orgu-lho para nós, pelo que representa o futebol para o nosso país, pela mobilização, pela identidade que o futebol tem com a cultura brasileira. Só que nós não temos tido boas experiências e referências desses megaeventos internacionais. Temos aí o exemplo dos Jogos Pan-americanos, no Rio de Janeiro, que durante a sua rea-lização suscitou uma série de denúncias sobre desvios e superfaturamentos, ocorridos pela sua realização.

Diário - Já que o senhor explicou o cenário para a realização da Copa, fale então sobre a lesgislação que o senhor discorda?
Randolfe -
Por conta da realização da Copa do Mundo, nós já aprovamos, no Senado, com o meu voto contrário, o chamado Regime Diferenciado, que é um regime extraordinário de licitações públicas para beneficiar a realização da chamada Copa do Mundo e das Olimpíadas. Já é uma legislação de exceção, porque claramente o tal Regime Diferenciado de Licitações fere a Lei nº 8.666, que é a Lei Ge-ral de Licitações e, conseqüentemente, como a Lei Geral de Licitações dialoga com o art. 37 da Constituição, que diz que a Administração Pública é regida pelos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, ele acaba também ferindo a Constituição da República.

Diário - E onde entra a tal Lei Geral da Copa, senador?
Randolfe -
Agora vem o Projeto de Lei nº 2.330, chamado de Lei Geral da Copa. Ele está na Câmara, vai ao Senado, e nós temos de nos preparar. Eu espero que a Câmara faça modificações. Se não fi-zer, nós não podemos deixar esse projeto passar incólume pelo Senado. Na prática, o projeto cria uma situação jurídica excepcional. É claramente uma legislação de exceção, tanto é que boa parte dos ditames do projeto, que suspende quatorze dispositivos do Estatuto do Torcedor, que é uma das maiores conquistas da legislação esportiva brasileira, infringe também a Lei Pelé, outra das grandes conquistas da legislação esportiva brasileira. Esse projeto cria uma situação jurídica de exceção que vigorará até 31 de dezembro de 2014. Ou seja, é clara e declaradamente uma legislação de exceção, tal qual aquelas legislações da ditadura, que entravam em cena para atender aos casuísmos. Todos conhecem e já ouviram falar do chamado Pacote de Abril, de 1977, da ditadura, que foi editado única e exclusivamente de atender e beneficiar os candidatos do regime militar. Assim é o Projeto de Lei nº 2.330.

Diário - Explique melhor sobre o que ele diz?
Randolfe -
Primeiro, o projeto determina que se aplique a proteção dos símbolos pertencentes à Fifa, a vedação ao registro de nome, prêmio ou símbolo ligado a evento esportivo no Instituto Nacional de Propriedade Industrial. Ou seja, excepcionalmente, o INPI não cobrará nenhum dos registros das chamadas marcas da Fifa. O INPI, previsto no art. 124, da Lei nº 9.272, estabelece um conjunto de critérios para registro de marcas em nosso País. Esse dispositivo da Lei nº 9.272 é um dos primeiros que fica suspenso. A intenção, com isso, do Projeto de Lei nº 2.330 é que as expressões “Copa do Mundo”, “Mundial de Futebol” e “Brasil 2014” passem a ser marcas utilizadas exclusivamente pela FIFA. Mas não para por aí. O art. 11 do Projeto de Lei atribui à Fifa, pessoa jurídica internacional de direito privado, a exclusividade para divulgar suas marcas, distribuir, vender, dar publicidade ou realizar propaganda de produtos e serviços, bem como outras atividades promocionais ou de comércio de rua, nos locais oficiais de competição, nas suas imediações e principais vias de acesso.

Diário - E pelo que diz essa legislação as pessoas poderiam ser punidas por reproduzirem essas marcas, prática comum no Brasil em época de Copa do Mundo?
Randolfe -
Exatamente. A proposta tipifica crimes exclusivos para determinadas condutas, como pena de detenção que variam de um mês ou um ano ou multa, cuja ação penal será condicionada à representação da Fifa. Veja, a Fifa introduz no ordenamento jurídico brasileiro uma cláusula penal. Quem utilizar a marca “Brasil 2014”, quem pintar o muro, algo da cultura do brasileiro... Quem não conhece como ficam as nossas cidades brasileiras, em dias de Copa do Mundo, para celebrar o orgulho nacional de nossa seleção em país estrangeiro? As nossas cidades têm os seus muros, as suas ruas pintadas, as suas ruas decoradas com a bandeira do Brasil, com a pintura do local onde está sendo realizada a Copa do Mundo, com a afe-rição das marcas da Copa do Mundo. Pois bem, agora, com a Copa sendo realizada em nosso País, se for aprovado esse 2.330, se um cidadão brasileiro pintar Copa do Mundo 2014 no muro, se pintar no asfalto da rua Mundial 2014, se pintar o nome do nosso País, Brasil 2014, pode ser processado pela Fifa. Ele poderá ser processado pela Fifa e poderá ter detenção de dois meses a um ano, por uma ação penal condicionada, movida pela dona Federação Internacional de Futebol Associado.

Diário - Daí a sua revolta, por assim dizer, tanto que elevou o tom das críticas à Federação Muncial de Futebol?
Randolfe -
Isso é uma intervenção indevida e absurda! E não é só no Brasil, é na cultura nacional, É na vida do povo brasileiro. Veja: há anos, celebramos as Copas do Mundo realizadas em ou-tros países. Quando a Copa é realizada em nosso País, nós vamos ser proibidos, por conta da determinação da dona Fifa, de comemorar, de celebrar, de nos reunirmos nas ruas, de festejar a Copa do Mundo porque as marcas da Copa do Mundo, inclusive o nome do nosso País, Brasil, passam a ser marcas de propriedade industrial da Fe-deração Internacional de Futebol! Isso é um absurdo. Nem a ditadura construiu uma legislação de exceção dessa natureza. Mas as aberrações não param por aí. O Projeto de Lei estabelece que a União responda por danos que causar, assumindo os efeitos da responsabilidade civil perante a Fifa.

Diário - Quer dizer, em linhas gerais podemos dizer que os ônus ficam para o País e os bônus para a Fifa?
Randolfe -
Veja só: o evento é organizado pela Fifa, a Fifa é organizadora e patrocinadora do evento. Qualquer coisa que dê certo no evento, o mérito é da Fifa. Mas qualquer coisa que dê errado no evento, o prejuízo é do Brasil, o prejuízo é do Governo brasileiro! E vai mais adiante: qualquer incidente ou acidente de segurança relacionado aos eventos, mesmo que a Fifa tenha concorrido para a ocorrência do dano, qualquer responsabilidade de dano será do Governo brasileiro. O festival de absurdos não para aí, tem mais. O Brasil, a União, garantirá, sem ônus para a entidade organizadora dos eventos, os serviços de segurança, saúde e serviços médicos, de vigilância sanitária, alfândega e imigração, dentre outros.

Diário - E agora, resta ao Brasil fazer o que se levar em consideração todos os alertas feitos pelo senho?
Randolfe -
Nós vamos ter que tomar uma escolha, senão vamos nos submeter aos mandamentos da Fifa, uma entidade suspeita, acusada de corrupção, que tem uma congênere aqui, dirigida por um senhor chamado Ricardo Teixeira, repleto de denúncias de malversação dos recursos da Confederação Brasileira de Futebol, a CBF. Se vamos nos sujeitar e nos submeter e passar o comando nacional a esses senhores ou se vamos dizer: olhe, aqui tem limites. Aqui não é uma república em que vocês podem mandar. Eles podem dizer: não, mas na África do Sul eles se submeteram.


Perfil

O pernambucano Randolph Frederich Rodrigues Alves nasceu em Garanhuns, tem 38 anos de idade, é casado é pai de dois filhos. É professor e bacharel em Direito. Começou sua vida pública como Assessor para a Juventude, do Governo do Amapá, em 1996. Elegeu-se deputado esta-dual em 1998, sendo reeleito em 2002. Concorreu como candidato a vice-prefeito na chapa emcabeçada por Camilo Capiberibe (PSB) para a Prefeitura de Macapá em 2008; em 2010 disputou a eleição para senador da República, sendo o mais votado daquele pleito, com mais de 200 mil sufrágios. Atualmente é membro tirular da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), além de presidir da Comissão Parlamentar de Inquérito do Ecad (CPI do ECAD).

Coluna Argumentos, domingo e segunda (23 e 24.10.2011)



Ping-pong

O senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) é o entrevistado deste domingo do Diário do Amapá. Em pauta, alerta feito pelo parlamentar do Amapá em Brasília a respeito das imposições da Fifa para realizar a Copa do Mundo no Brasil em 2014. Para o jovem senador a chamada Lei Geral da Copa é uma afronta à soberania nacional. Vale a leitura.

Autoestima

Falando ao nosso Conexão Brasília, ontem, a especialista em estética, Rose Lima, da Corporal Clínica de Estética, revelou que os homens já representam 50% do volume de atendimentos, ou seja, em total equilíbrio com as mu-lheres. Rose diz que a expressão “metrossexual” já caiu em desuso. “Os homens se cuidam mais e ponto”, diz ela.

Até frio

A maior curiosidade da noite de abertura da 48ª Expofeira Agropecuária do Amapá foi o frio. Isso mesmo. Chegou a fazer frio no Parque da Fazendinha, depois de uma tarde inteira de chuvas em Macapá. Alguns pontos da cidade, próximos à área verde, re-gistraram cerração, coisa nada comum por estas bandas.




















Imprensa - Os profissionais de imprensa designados para cobrir a 4ª edição da Feira do Empreendedor do Sebrae, que acontece no período de 26 a 29 de outubro, na área de exposições do Sebrae, terão espaço exclusivo. Com 27m², a Sala de Imprensa e a Rádio Sebrae serão locais para produções de matérias e divulgações, além de informações necessárias para o bom andamento da cobertura. 
De plantão

Nem tudo foram flores na noite de inauguração da Expofeira. Dois integrantes do primeiro escalão do Governo do Estado estavam “uma pilha” de preocupação para que tudo corresse bem. Ivana Antunes, coordenadora geral, e Joel Banha, secretário da infr-aestrutura, estavam vigilantes e até na hora de uma pequena pane elétrica puseram a “mão na massa”.

Desenvolvimento

Em uma mesa redonda na noite de abertura da Expofeira, no estúdio do Canal Legislativo, os deputados estaduais Eider Pena (PSD), Bruno Mineiro (PTdoB) e Michel JK (PSDB), além do federal Luiz Carlos (PSDB), protagonizaram uma grande discussão sobre o desenvolvimento do Amapá. Foi no interior do estande da AL no Parque de Exposições da Fazendinha.

Convergência

Por falar na festa de abertura da 48ª Expofeira, a noite acabou se transformando num grande evento político, com representantes de várias correntes e agremiações partidárias. Mas tinha um ponto de convergência na grande exposição a céu aberto, o estande da Assembleia Legislativa, onde o presidente Moisés Souza (PSC) era o anfitrião da noite.

Mau exemplo

Uma autoridade militar da cidade teria sido vista fazendo uma manobra pra lá de imprudente no trânsito de Macapá. Foi na tarde de sexta-feira, na esquina da avenida FAB com rua Leopoldo Machado, quando conduzia seu carro particular e trafegava como se estivesse em uma viatura operacional. Quase atropelou duas pessoas e ainda deu “cotoco” a quem viu tudo.