PUBLICIDADE

domingo, 8 de junho de 2014

“O reconhecimento pelo o que a gente faz é o pagamento por ser político”

Jonas Pinheiro. O ex-senador retoma a carreira política no Amapá e fala das propostas para ser governador do Estado. 
Ele já foi senador pelo Amapá e há 20 anos foi ao segundo turno na eleição para ser governador do Estado, quando faltou pouco para ser o mandatário dos amapaenses, perdendo aquela disputa para João Capiberibe, que viria a ser governador. E está de volta à cena política, novamente tentando assumir o comando do Palácio do Setentrião e da direção administrativa do Estado. Do alto dos quase 70 anos de idade, Jonas Pinheiro foi sabatinado ontem no rádio, dentro do projeto do programa Conexão Brasília, da Diário FM, que está ouvindo pré-candidatos à sucessão estadual deste ano. Um resumo do que ele disse ao jornalista Cleber Barbosa o Diário do Amapá publica a seguir, com reflexões de Jonas sobre a política, a economia, a segurança pública e outros pensamentos.
Cleber Barbosa
Da Redação

Diário do Amapá – O seu mandato de senador não foi de oito anos, por que?
Jonas Pinheiro – Cada estado tem três senadores e tem um mínimo de oito deputados e um máximo de setenta. Uma coisa que as pessoas não compreendem é porque no Senado são três senadores para cada estado e na Câmara existem bancadas de 30, 40 ou até 70 deputados por estado. É que o senador representa a unidade da federação, o Estado. Já o deputado representa o povo, a população daquele Estado. Como a população é variável, ou seja, uns estados tem mais gente outros tem menos, então há essa variação nas bancadas na Câmara dos Deputados. Mas sobre a sua pergunta o Amapá foi transformado em Estado com a Constituição de 1988 e instalado com a primeira eleição com a primeira eleição de governador – porque os governadores eram nomeados – que ocorreu em 1990, com a eleição do governador, dos três senadores, o aumento dos deputados federais e a chegada dos deputados estaduais. 

Diário – E o senhor foi um desses três senadores?
Jonas – Exatamente. Mas nós tínhamos que ter três senadores e naquele ano cada estado estava elegendo um, para cobrir a vaga daqueles que foram eleitos em 1982, com mandato de oito anos. Em 1986 esses estados elegeram dois senadores também com mandatos de oito anos, que terminava em 1994. Então era preciso que o Amapá elegesse um igual aos outros estados, com mandato até 1998 e dois com mandatos de apenas quatro anos, para empatar com os outros estados. O critério era de que o mais votado ficaria com mandato de oito anos e o segundo e terceiro com mandato de quatro.

Diário – O mais votado naquele ano foi Sarney?
Jonas – Sim, o presidente Sarney foi o mais votado. E eu e o Henrique Almeida ficamos com mandatos de quatro anos.

Diário – E o que mais lhe trás boas recordações nessa passagem sua pelo Senado?
Jonas – Olha, além das atividades normais de parlamentares e também como líder da bancada do PTB no Senado, o que é muito difícil, quando tínhamos oito senadores do partido, especialmente vindo de um estado pequeno como o Amapá. Mas a população nem toma conhecimento disso, nem percebe. Mas são muitas boas recordações em defender os interesse da nossa população e de estar à disposição de governadores diante de todas as reivindicações que são conduzidas. Além de tudo tem um fato singular, relacionada à educação. É que certa vez numa viagem a Oiapoque deparei com três crianças que iam para escola, mas não tinham cadernos e sim pedaços de papel desses de embrulhar sabão. Quando cheguei em Brasília aquilo ainda martelava na minha cabeça, as crianças não tinham cadernos.

Diário – O que fez então?
Jonas – Quando a gente assume o mandato vem um funcionário do Senado e diz tudo aquilo que a gente tem direito, como serviços de impressões de publicações na gráfica do Senado. Como quase não tinha utilizado a minha cota decidi transformar a minha verba toda em cadernos e assim foi feito. Depois o projeto cresceu e se transformou num kit educação que até hoje encontro pessoas que dizem ter estudado com aquele material que mandei distribuir aqui no Amapá.

Diário – E agora que é candidato a governador o que pensa para melhorar a relação do Executivo com a classe do magistério?
Jonas – Lembro que há 20 anos eu estava na disputa pelo Governo do Estado também e num debate com o então candidato João Alberto Capiberibe uma comissão de professores ligados ao PT me apresentou um documento com reivindicações que se eu assinasse eles fechariam apoio à minha candidatura. Eu li a pauta e dei a seguinte resposta, que daria novamente hoje: não posso assinar porque não sei como vou encontrar o orçamento do Estado, que já vai estar votado e provado. Não sei quais são os compromissos que já vão estar assumidos, então não posso assumir que vou fazer que não sei se terei os instrumentos para fazer. Agora só peço que confiem em mim, já que sou educador, pois sei da importância daqueles que fazem a educação, então creiam que farei o melhor que for possível fazer pela categoria.

Diário – E o outro candidato, assinou a proposta?
Jonas – Assinou na hora, sem discutir. O Capiberibe ganhou a eleição e não fez absolutamente nada, não atendeu nenhuma reivindicação que havia assinado embaixo que iria cumprir e ao fazer isso desrespeitou a própria palavra. Eu não assinei, mas também não menti, não enganei. Não fui eleito, mas me mantive de cabeça erguida e ele depois ainda rasgou o estatuto do Magistério, num ato mais adiante.

Diário – Existem propostas tramitando no Congresso Nacional com mudanças radicais na estrutura das polícias, como a desmilitarização da PM e a adoção de carreiras únicas, ou seja, o policial iniciando como investigador e chegando até delegado de polícia. O senhor se alinha a esses novos pensamentos para uma futura política de segurança pública?
Jonas – A complexidade desse tema é muito grande e é um assunto para discussão nacional, pois está nas comissões constituídas tanto na Câmara como no Senado. Eu advogo que tudo na vida caduca e precisa ser modernizado e esse modelo realmente está ultrapassado e acredito que ele não tem um futuro muito longo. A unificação das polícias é um tema recorrente, só que não é assim, juntar polícia civil com polícia militar. Há uma enormidade de tarefas pela frente, de detalhes, de minúcias na organização das carreiras. O Estado do Amapá irá certamente contribuir muito, porque nós vamos dar todo o apoio para a voz do Amapá ser ouvida nas comissões do Congresso Nacional e vai ser de lá que será irradiado o projeto que deverá ouvir o país inteiro e não só o Amapá. Nós estaremos lá apoiando, pois o Governo é o maior interessado.

Diário – E para o turismo do Amapá, quais são as suas reflexões para este setor da economia local?
Jonas – Primeiro que nós temos um potencial turístico invejável. Só em Macapá, por exemplo, nós temos duas singularidades. É a única capital brasileira banhada pelo Rio Amazonas e também a única cortada pela Linha do Equador. Entretanto temos uma desvantagem geográfica que é sermos terminalidade geográfica, não somos passagem, quem vem aqui de Belém volta a Belém. Para o turismo isso dificulta. Não tenho uma resposta pronta sobre o que irei fazer, mas uma coisa está pronta na minha cabeça: vou ouvir os operadores do turismo, porque vai depender muito da infraestrutura, hoteleira principalmente, como a infraestrutura de serviços que sabemos o Amapá tanto precisa. A qualificação desses prestadores de serviço de restaurantes, de bares, de guias turísticos, enfim, tem toda uma cadeia de atividades ligadas ao turismo que precisam ser desenvolvidas.

Diário – O que o senhor pensa da política senador, que vive tantos revezes atualmente no país?
Jonas – O reconhecimento pelo que a gente faz é o pagamento de ser político. Eu falo sempre me conduzi e me pautei por essa conduta, que quero o cargo é para a gente servir e não para se servir. É preciso ter vocação, como tudo na vida, como um médico que faz o trabalho bem feito falam que é porque ele nasceu para aquilo. Na verdade é vocação. Então na política também é assim, há os que têm vocação para servir e fazem bem o seu papel, têm sensibilidade e tem compromisso com a população. Os que entram por oportunismo são aqueles que vêm outros que eram pobrezinhos e enricaram depois da política, então querem fazer o mesmo.

Perfil...

Entrevistado. Jonas Pinheiro Borges tem 68 anos de idade, nasceu em Vera Cruz (RN). Chegou ao Amapá aos 8 anos, já que parte de sua família havia migrado para o Estado, iniciando atividades na agricultura. Depois de alguns anos retornou ao Nordeste para continuar seus estudos, diplomando-se em Matemática, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Lecionou e também foi diretor de escolas até receber convite para retornar ao antigo Território Federal do Amapá. Coordenou o Sesc, com ênfase no apoio à cultura tornando-se popular. Disputou a primeira eleição para o Senado e elegeu-se para um mandato de apenas quatro anos. Depois disputou o Governo do Estado, indo para o segundo turno com o  o ex-governador João Capiberibe.

“O Amapá nem precisa mais de mudança, ele precisa é de uma renovação”

Lucas Barreto. O pré-candidato ao Setentrião foi ao rádio falar de suas propostas e fez uma análise do atual Estado.
A série de entrevistas com os pré-candidatos a governador do Amapá, que vem sendo feita aos sábados pelo programa Conexão Brasília, da Diário FM, ouviu ontem Lucas Barreto (PSD). O ex-deputado, que agora é vereador por Macapá, falou abertamente sobre como vem atuando na trincheira da oposição ao ex-adversário na disputa de 2010, quando chegou a liderar as pesquisas no primeiro turno, mas perdeu a eleição na reta final. Diz que o contraponto que faz é equilibrado e sério, mas garante que a mudança prometida pelo rival naquele ano não foi alcançada, como prometida. Acha que chegou a sua hora, pois para que se garanta a alternância de poder não se pode polarizar a disputa em apenas dois grupos políticos, que ele diz estar há 20 anos no poder no Amapá. Acompanhe o resumo do que Lucas Barreto disse.

Cleber Barbosa
Da Redação

Diário do Amapá – Esta é mais uma etapa importante da sua carreira, não é?
Lucas Barreto – Isso. Lanço novamente essa pré-candidatura, uma nova etapa, mas vem junto com uma nova experiência, que é ser vereador. 

Diário – Nunca tinha sido vereador?
Lucas – Não. Fui deputado estadual por quatro mandatos e perdi uma eleição para vereador, a primeira, em 1988. Em 1990 nos elegemos deputado. Hoje tenho essa oportunidade de ser vereador, o que tem me rendido um grande aprendizado.

Diário – Alguém já chegou a definir essa sua experiência como sendo um ‘vereador estadual’. O vereador dispõe de ferramentas do mandato que assegurem indicações tanto ao Executivo Federal como o Estadual?
Lucas – Isso, a nível de Estado. Na verdade todos os vereadores lá são chamados vereadores estaduais.

Diário – Mesmo porque a gente tem uma cidade-estado, como também já disseram, não é?
Lucas – Isso, uma Capital que tem quase 70% da população [do Estado] além de que lá tem oposição, situação, esquerda, direita e defendem também o Governo, assim como o Governo também lá sofre críticas, mas penso eu que todas as críticas que nós fazemos são críticas construtivas. Temos cobrado sim, mas com muito equilíbrio, com muita responsabilidade, como sempre fizemos.

Diário – Fazemos dos problemas da cidade de Macapá. A zona norte, tida como a mais populosa, pra onde a cidade está avançando, lhe passa que tipo de sentimento?
Lucas – O sentimento de abandono total. Podemos começar pelo fluxo de carros que tem da região norte de pessoas para a cidade baixa como chamamos, a Macapá antiga. Se você ver tem um gargalo violento ali naquela ponte, que na verdade é uma lombada, como eu já chamei várias vezes. A questão da Rodovia Norte-Sul foi inaugurada pela metade, aliás, nem pela metade, porque só vai até a Ilha Mirim. Mas não adianta inaugurar a Norte-Sul se não se duplicar a Duca Serra, porque senão vamos transferir o congestionamento de um lado para o outro. Mas é preciso olhar para o futuro, isso é um problema de falta de planejamento urbano, que nunca teve um pra Macapá. Mas a zona norte tem um problema mais grave ainda.

Diário – Qual?
Lucas – A água. Você imagina, como é que nós vamos captar água do Rio Amazonas e bombear lá para a zona norte que está 17 metros acima? E agora parou tudo porque a MBO, acho que é a mesma empresa que fez o píer do Santa Inês e que está caindo, é a mesma empresa que estava fazendo a elevação de água e ela faliu. Sumiu! Então você imagina quanto tempo nós vamos levar para termos água realmente com qualidade com bombas potentes.

Diário – O senhor já abordou esse problema em campanhas anteriores. E as soluções?
Lucas – Eu sempre falei que é muito mais fácil captar água ou no subsolo, nós estamos sobre o Aquífero Guarani, o maior do mundo com água de qualidade, ou você pode captar água de outros rios, por que não? Água do Rio Pedreira, do Rio Matapi, por exemplo, que já vêm com menos sedimento. São menos de 20 quilômetros. São Paulo e outras capitais captam água a 200 ou 300 quilômetros.

Diário – O que fazer para melhorar o atendimento no Hospital de Emergências?
Lucas – O problema da saúde é que a Prefeitura deveria cuidar da baixa complexidade, que são os postos de saúde passa por um problema gravíssimo, pois não temos uma UPA, agora é que temos me parece um posto que passa a funcionar 24 horas. Então a população não tem saída, seja ela da zona norte ou da zona sul, bem como do interior. Todos chegam e vão direto para o Pronto Socorro que é referência, pois deveria ser como o próprio nome diz, para cuidar só de pronto-socorro, como traumas. Lá não existe mais espaço físico. O próprio Hospital Geral, que cuida da média e alta complexidade tem 60 anos, foi o Janary que fez. O que precisamos é construir UPA’s realmente nos bairros, como existem em outras cidades. Hoje o maior problema do Pronto Socorro é a falta de remédios. Além disso, lá fica lotado porque tem gente há uma semana esperando para ser transferido pro Hospital Geral ou gente há um mês esperando por uma cirurgia ortopédica. Não tem gestão, essa é que é a verdade. Precisamos de um novo Hospital Metropolitano e uma nova Maternidade.

Diário – E sobre a buraqueira nas ruas de Macapá. O que o senhor pensa a respeito desse problema?
Lucas – A Prefeitura sem o Governo não consegue fazer nada em relação ao asfalto. Mas podemos observar no Governo que foi asfaltado o Ramal da Bacabinha, lá no Amapá, com dinheiro do BNDES emprestado, que nossos filhos e netos vão pagar. Mas foi asfaltado também o ramal que sai de Amapá, passa ao lado da Base [Aérea], que inclusive já rompeu uma parte do asfalto, ligando à BR-156. Então você imagina que não elegem prioridades. O Ramal da Bacabinha é importante? Muito! Foi asfaltado? Tudo bem, liga as pessoas. Mas o ramal por trás do Amapá gastaram uma fortuna, trinta e poucos milhões de reais e liga nada a lugar nenhum. Poderia se colocar aqui [em Macapá], onde temos 500 quilômetros de asfalto deteriorado.

Diário – O atual Governo vive uma animosidade com a classe dos professores, o que atrapalhou muito o ambiente escolar, o relacionamento entre a gestão e o magistério. Qual sua estratégia para reaproximar esse grupo do magistério do Governo?
Lucas – Tenho a convicção que não é possível combater as mazelas sociais ignorando a classe dos professores, em hipótese alguma. A prova disso é a minha defesa intransigente pela valorização do magistério. Fui o único parlamentar à época, quando deputado estadual, que não rasguei o Estatuto do Magistério e um dos poucos agora que não aceitei a incorporação da regência de classe, fui contra a incorporação da regência, porque é um direito adquirido, numa luta de vários anos.

Diário – Essa incorporação foi votada esta semana na Câmara de Macapá?
Lucas – Isso, aqui em Macapá, com o Clécio professor. Foi lá e diminuiu a regência de classe para 45%. O problema é que ele não incorporou a diferença que ele tirou. Ele só incorporou 28% do professor para dar a data-base. Então eu penso que a educação é gestão compartilhada.

Diário – E sobre a segurança pública, existem muitas reclamações sobre falta de gasolina, até de papel e estrutura de registro de ocorrências, investigações, enfim, o que o senhor tem de proposta para este setor?
Lucas – Nós somos hoje a 42ª cidade mais violenta do mundo! E isso está no site da Polícia Federal. Os Ciosp’s que são o local de trabalho da polícia está tudo caindo. Você vai lá de madrugada os agentes estão treinando com a baladeira para acertar os ratos. E isso é fato! Faltam equipamentos, fala papel, falta mão de obra. Temos um déficit de pelo menos 500 agentes. Eles não conseguem ter um planejamento de combustível. Na PM prometeram equiparar o salário deles com o salário do policial militar federal. Não equipararam. Promete-se tanta coisa e não se cumpre.

Diário – Durante as campanhas os candidatos apresentam solução para tudo, mas que depois não resolvem os problemas como se esperava.
Lucas – É importante observar que nós estamos há mais de 20 anos elegendo os mesmos. Numa eleição a gente está com raiva de um aí vota no outro. Na outra, está com ódio do outro e volta para o anterior. É por isso que não muda. É por isso que não há política pública renovada. Eu até penso que o Amapá nem precisa mais de mudança, ele precisa de uma renovação. E é nesse sentido que nós estamos buscando e colocando a nossa candidatura.

Diário – Que nota o senhor dá para a administração Camilo Capiberibe?
Lucas – Dou nota 1, porque existe uma administração. Existe, mas não funciona.

Perfil

Entrevistado. Luiz Cantuária Barreto (Macapá, 9 de novembro de 1964), mais conhecido pelo nome Lucas Barreto é filiado ao Partido Social Democrático. Já militou pelo Partido Trabalhista Brasileiro (do qual saiu em 2013) e pelo Partido Democrático Trabalhista. Ocupou o cargo de deputado estadual1 entre os anos de 1991 e 2006 (num total de quatro mandatos), tendo presidido a Casa entre 2003 e 2004. Foi candidato à Prefeitura de Macapá em 2008, ficando em terceiro lugar na disputa com 25.19% dos votos. Candidatou-se em 2010 ao governo do estado, chegando a liderar o primeiro turno (28,93% dos votos), todavia foi derrotado no segundo turno com 46,23% dos votos válidos.Atualmente é vereador por Macapá.

“O Amapá não está precisando de um vice, está precisando é de um governador”

Jorge Amanajás. O pré-candidato ao Setentrião foi ao rádio falar de suas propostas e uma análise do atual Estado.
Ele esteve muito próximo de ir ao segundo turno da disputa pelo Governo do Estado em 2010, quando menos de um 1%de diferença para Camilo e Lucas o tirou da sucessão estadual. De lá para cá ele saium pouco de cena, cuidou da vida pessoal e agora está de volta ao projeto que tem de governar o Amapá. Mudou de partido, trocando o PSDB pelo PPS mas tem a mesma aposta no programa que pretende apresentar ao eleitor: a educação. Para o professor Jorge Amanajás ela é a base de tudo. Também tem propostas para o desenvolvimento econômico do Estado, por entender que também está relacionado à educação, à medida que os investimentos na economia fortalecem e protegem as famílias dos alunos. Esses e outros temas foram abordados no Luiz Melo Entrevista da sexta-feira (09). Acompanhe um resumo.

Cleber Barbosa
Da Redação

Diário do Amapá – Ter terminado a eleição passada para o Governo do Estado na terceira colocação já demonstra a confiança da população no senhor não é?
Jorge Amanajás – Fui candidato em 2010 ao Governo e tive mais de 28% dos votos. Foi uma eleição muito disputada, então passado esse período eu me afastei um pouco da política para cuidar das questões pessoais, mas desde o ano passado estamos retomando esse projeto. Fui para o PPS e dentro do partido estamos construindo esse novo momento, pois em 2010 não conseguimos sucesso, mas que agora estamos com essa nova vontade e estimulados para isso.

Diário – O senhor foi quem trouxe o PSDB para o Amapá?
Jorge – Não, na verdade eu fui para o PSDB em 2005.

Diário – Quem pilotava o PSDB era o Feijão?
Jorge – Quando eu entrei lá era a deputada Fátima, em seguida assumiu o deputado Feijão e logo depois eu assumi, fiquei como presidente do PSDB por cinco anos.

Diário – Depois o senhor deixou de frequentar o ninho tucano. Por que? Brigou com alguém?
Jorge – Não, não, na verdade não houve algum tipo de problema ou algo mais. Hoje o PSDB tem uma tendência, quem está na presidência é o deputado Luiz Carlos, mas uma tendência de aliança com o PSB, então, claro, o PSB vem claro, com uma tentativa de reeleição do atual governador, então não haveria espaço para se trabalhar lá um projeto de eleição para governo, exatamente por isso fui buscar alternativas e o PPS apareceu como essa alternativa.

Diário – O senhor acha que aquele verdadeiro tsunami que foi a operação Mãos Limpas influenciou no resultado da eleição de 2010 quando o senhor não conseguiu sucesso?
Jorge – Influenciou sim, porque até o dia da operação, que foi exatamente três semanas antes da eleição e beneficiou diretamente a operação quem veio a ganhar, que saiu do quarto lugar e no último dia passou para segundo e deu a virada no segundo turno. Isso porque, claro, a população passou a analisar os candidatos simplesmente a partir de um tema só que foi a grande questão criada pela operação.

Diário – Essa operação não atingiu o senhor diretamente, saiu incólume, por assim dizer?
Jorge – Graças a Deus, até agora eu estou incólume em relação a essa operação. Eu diria que o prejuízo maior foi para o Estado uma vez que afetou diretamente a vontade democrática da população.

Diário – Mas o senhor admite que houve respingos na candidatura do senhor?
Jorge – Sim, mesmo porque o atual governador deu uma declaração logo depois da eleição de que ele só se elegeu por causa da operação, são palavras dele. Por aí a gente vê realmente como influenciou.

Diário – Se não tivesse ocorrido a operação o resultado daquela eleição seria outro? O senhor poderia ser hoje o governador?
Jorge – Com certeza. A gente estava bem posicionado naquele momento. Nós iríamos pro segundo turno, as pesquisas mostravam eu e o Lucas na frente, mas havia anda o então governador na época, que também estava na disputa bem posicionado. Provavelmente a disputa ficaria entre esses três.

Diário – O senhor disse que saiu do PSDB porque não havia espaço para o seu projeto de governo, mas no próprio PPS o senhor não teme que isso ocorra novamente, por que o pré-candidato do PSol já admite uma conversação para uma composição para o senhor ser o vice dele?
Jorge – Não, é bom afirmar aqui que a aliança do PPS com o PSol se deu em 2012 no município de Macapá. Mas é uma aliança que não teve um avanço em termos de costura para 2014, então este ano o PPS tem tanto a nível nacional quanto a nível de estado do Amapá uma decisão de sair com candidatura própria ao Governo do Estado.

Diário – Isso o presidente [do PPS] Allan Sales garante pro senhor?
Jorge – Ele e o presidente nacional, o deputado Roberto Freire, que deve estar vindo aqui provavelmente a semana que vem, para fazer um momento de lançamento das pré-candidaturas do PPS aqui no Amapá.

Diário – O senhor de forma alguma aceitaria ser o candidato a vice?
Jorge – Não, até porque o Amapá não está precisando de um vice, o Amapá está precisando de um governador.  O Estado vive um momento muito difícil de sua história, com crises generalizadas em vários setores, então é responsabilidade o governador tomar as decisões para resolver os problemas que nós enfrentamos hoje, então o que motiva a ainda estar na política, estar nessa disputa é uma disputa para o Governo do Estado.

Diário – Em que setor reside o maior problema que o Estado enfrenta?
Jorge – O maior problema com certeza é a saúde, que não é só do Amapá, mas no Amapá especificamente há uma necessidade imperiosa de nós tomarmos uma decisão sobre que modelo de desenvolvimento econômico nós queremos. A maioria esmagadora dos empresários do Amapá não está apta a acessar os recursos disponíveis de financiamento porque há gargalos que só o governo pode resolver.

Diário – Quais são esses gargalos?
Jorge – Primeiro a questão fundiária, quando se trata do setor primário. Enquanto não se resolver essa questão da titularização dessas terras não tem como ter acesso [a recursos]. Na questão da nossa Zona Franca Verde há uma necessidade de que o Governo, quem estiver sentado na cadeira do governador, tome a iniciativa de buscar as condições de atrair os investidores. No Amapá não existem regras claras para as empresas que queiram vir investir no Estado, não há um marco regulatório. Outro problema crucial é a questão do licenciamento ambiental, é a maior dificuldade hoje se conseguir isso, talvez pelo desaparelhamento do órgão, o Imap, que precisa estar muito bem preparado para garantir a fluidez.

Diário – Por que a qualidade do ensino público caiu tanto, no Brasil inteiro, mas no Amapá não é diferente?
Jorge – Sou professor há 25 anos e digo que existe um tripé que precisa estar muito bem fincado para que haja qualidade no ensino. Primeiro a valorização do profissional da educação, há uma crise hoje em relação a isso, do professor, do técnico, do profissional que está limpando, da merendeira, hoje não há uma política voltada para a valorização deles. A segunda é a questão da infraestrutura das nossas escolas, pois temos cerca de 400 escolas em que 20% estão mais ou menos e o resto está em situação difícil, por exemplo, no interior numa mesma sala estão funcionando quatro séries. A outra questão é social, pois quem está na rede pública são aqueles que enfrentam as dificuldades lá fora, como a falta de emprego, de moradia, da violência e uma série de questões que o Estado tem que entrar, na proteção das famílias.

Diário – O senhor está confiante que sua candidatura possa sair vitoriosa?
Jorge – Tenho certeza, se não tivesse nem teria sido candidato. Mas o que estou buscando é debater o Amapá, pois penso que a população agora vai buscar uma alternativa de um nome que possa se apresentar com uma solução para o desenvolvimento econômico do Estado que hoje não temos. Ainda dependemos basicamente do contracheque principalmente dos funcionários públicos. Não temos agricultura, não chega a 1%, não temos setor industrial, o comércio está vivendo uma crise, pois a substituição tributária está matando nosso pequeno e micro comerciante, isso tudo precisa ser debatido.

Perfil

Entrevistado. Jorge Emanuel Amanajás Cardoso nasceu no município de Chaves, no Pará, tem 47 anos de idade. É licenciado em Física e Engenharia Civil, pela Universidade Federal do Pará. É pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior, também pela UFPA. É fundador do projeto social Desafio Amazônico, um cursinho pré-vestibular gratuito. Foi deputado estadual por três mandatos, tendo sido eleito presidente da Assembleia Legislativa por três mandatos. Nas eleições de 2010 foi candidato a governador do Estado, terminando o primeiro turno como o terceiro mais votado, num empate técnico com os dois primeiros, Lucas Barreto e Camilo Capiberibe. Está no PPS e disputa o Setentrião este ano.

“Desde que cheguei tenho dado exemplo de conduta correta, de um político correto”

cad4-domm
Sarney foi o personagem da semana novamente, após encontro com um dos mais respeitados jornalistas do Amapá, Luiz Melo, que foi a Brasília com o ex-presidente do país e que cumpre seu terceiro mandato de senador pelo Amapá. Foi aproximadamente uma hora de gravação, levada ao ar no rádio na última sexta-feira, durante o programa Luiz Melo Entrevista, pela rádio Diário FM. O jornal Diário do Amapá publica a seguir uma síntese da conversa entre ambos, um resumo sobre os principais trechos. Sarney reage a críticas bem ao seu estilo, equilibrado, mas pragmático. Porém acaba frustrando quem imaginava que pudesse fazer o anúncio de uma das decisões mais aguardadas no meio político local, que é se vai tentar nova reeleição pelo Amapá.

Diário do Amapá – Por questões ideológicas ou meramente políticas, quem sabe, Lula e Sarney, Sarney e Lula antes sempre estiveram em caminhos opostos e hoje são amigos, até ocupam o mesmo palanque político. Quem cortejou quem?
José Sarney – Quando o Lula foi candidato a primeira vez o Zé Dirceu me procurou dizendo que era um momento novo no Brasil e a República completava 100 anos, enfim, era uma grande mudança e ele atribuía exatamente à minha presidência. Foi possível um operário ser candidato à Presidência da República, em 1989, quando eu era presidente. E quase chegou à Presidência. Então ele sabendo da minha incompatibilidade com o José Serra me procurou juntamente com o Alencar, que era meu amigo, meu companheiro de Senado, ficou me cortejando para que pudesse apoia-lo. 

Diário – Partiu dele, então?
Sarney – Sim, além do Zé Dirceu e o Alencar o próprio Lula esteve aqui em minha casa para apoiá-lo. Eu então disse que o apoiaria, sobretudo porque achava que para a minha carreira política era muito gratificante que eu tendo sido presidente e ao mesmo tempo tendo feito a redemocratização do Brasil chegássemos aos 100 anos da República com uma representação de todas as classes no poder no Brasil, afinal começamos a República com os militares, depois fomos para os barões do café, depois os bacharéis, para os republicanos históricos, enfim, depois os militares retomaram o poder em 64 e quando assumi a presidência completamos os 100 anos, com a oportunidade de termos um operário no poder.

Diário – Seu papel foi fazer um ajuntamento de forças?
Sarney – Sim, sobretudo porque eu não representava algo ideológico, sempre fui um homem de centro, sobretudo porque a ideologia já tinha caído desde a queda do muro de Berlim. Então eu não aderi ao Lula, o Lula foi que veio pedir o meu apoio. Eu nunca aderi a governo algum, todos vieram pedir o meu apoio. Fernando Henrique também. Não apoiei abertamente no primeiro mandato dele, mas no segundo sim e somos amigos até hoje. Eu tenho uma boa convivência na política, nunca tive inimigos políticos, tive adversários.

Diário – O senhor nunca responde a quem o ataca, não atira nessas pessoas. Por que presidente, questão de sabedoria?
Sarney – Não, eu acho que grande parte das coisas que são ditas contra mim são insultos, eu não respondo a insultos. Quando são fatos eu tenho o direito de responder. Por outro lado, como sou cristão, sou um homem de fé, acredito que Deus pede à gente que perdoe os inimigos. Eu tenho a satisfação de dizer que vou fazer 60 anos no Congresso Nacional e já assisti muitas comissões de inquérito, muitos escândalos e nunca meu nome foi envolvido em escândalo nenhum, que participasse de alguma coisa, sempre fui muito respeitado.

Diário – Essa relação respeitosa com Lula continua com Dilma?
Sarney – Continua. Eu conheci Dilma no governo do Lula, não a conhecia antes. A conheci como ministra e passei a admira-la pelo que realizou no Ministério das Minas e Energia, sempre tive muito contato com ela como presidente do Congresso e verifiquei que era uma mulher com grande capacidade administrativa, de gestão e de conhecimento dos problemas, com uma visão nacional, então também passei a ser amigo da Dilma.

Diário – Tem caído a popularidade dela segundo pesquisas. Preocupa?
Sarney – As pesquisas refletem determinados momentos que se está vivendo. Agora estamos vivendo uma porção de problemas, como a questão da Petrobras, então evidentemente que o governo sofre nesse momento, mas o que pesa mesmo é o conjunto de obras que ela conseguiu realizar, que é uma continuidade do governo do Lula, sobretudo os avanços no social.

Diário – Como o Minha Casa Minha Vida, seria essa a vitrine do governo Dilma?
Sarney – Eu acho que a marca dela é, sobretudo, a marca do social, a distribuição da renda e o esforço para a parte da saúde que tem sido feito, além da parte da infraestrutura, a projeção do Brasil, a economia tem se desenvolvido bem. O Brasil hoje tem uma das maiores reservas do mundo. Quando fui presidente nossas reservas eram de U$ 9 bilhões de dólares e hoje são de U$ 390 bilhões de dólares, então a gente verifica o quanto o Brasil avançou.

Diário – A Copa do Mundo que já está aí na porta faz tão mal assim para o Brasil como pregam os mais aloprados?
Sarney – Não acho que foi uma vitória que o Brasil conquistou, era um sonho de todos os brasileiros. Transformaram isso em um acerta coisa política porque a Fifa resolveu interferir muito, como resolver fazer o campeonato em 12 cidades, quando na realidade poderia concentrar em 6 cidades, o que significava gastos muito menores e qualidade muito maior.

Diário – Por que o Brasil continua tão doente e com a corrupção assombrando todo mundo?
Sarney – Olha a corrupção é quase impossível de extirpar, ela faz parte da conduta humana. O que se deve fazer é uma profilaxia, quer dizer tomar vacina para que ela não possa existir.

Diário – Quer dizer que já nascemos corruptos?
Sarney – Não, é que faz parte da natureza humana, assim como o homem também é violento, então se ele pode fazer as coisas por um caminho mais curto ele faz. A luta da humanidade foi sempre essa, tanto é que o primeiro documento que existe sobre democracia no mundo é o discurso do Péricles aos mortos da Guerra do Peloponeso, em que pela primeira vez fala no autogoverno, que é o governo das cidades, ou seja, os países sendo governados pela escolha dos cidadãos. Então nesse discurso ele fala dos seus inimigos, que tinham roubado o ouro da estátua que iam fazer de Fídias. Então ficou associado as ideias politicas do mundo ocidental a corrupção ligada a isso, então passou a ser uma estratégia de ataques a adversários atribuir a prática de corrupção.

Diário – O que se vê até hoje, não é?
Sarney – Sim especialmente com o advento da internet, das redes sociais, quando todo mundo pode pegar seu Ipad no quarto e falar o que quiser. Então dá a impressão nacional de que a corrupção aumentou desenfreadamente. O que houve foi uma divulgação maior da corrupção.

Diário – Nesse tempo todo de mandatos consecutivos pelo Amapá para uns o senhor já fez muita coisa pelo Estado, mas outros, principalmente seus adversários políticos, dizem que poderia ter feito muito mais pelo que significa Sarney, um dos homens mais poderosos da República. A consciência do senhor, presidente, o que diz?
Sarney – Olha, acho que esses que dizem que eu podia ter feito muito mais eles nunca fizeram nada. Vai ver é perguntar ‘e você o que fez?’ Eles em geral não colocaram um prego numa barra de sabão pelo Amapá... [risos] Eu nunca fui Executivo no Amapá, eu nunca indiquei um secretário, nunca ninguém viu o meu nome envolvido em qualquer coisa que existisse no Amapá. Eu cheguei no Amapá e tenho dado um exemplo de uma conduta correta, de um político correto e de um homem que não tem procurado dividir ou ofender ninguém, perseguir ninguém, nunca procurei denegrir ninguém e tem siso essa minha conduta esse tempo todo.

Diario – E o senhor já tomou a decisão de se candidatar novamente a uma nova eleição?
Sarney – Sinceramente, não. Isso vai depender de como eu estiver fisicamente para ter um desempenho como eu costumo atuar. Mas dentro dos próximos 30 ou 60 dias devo fazer este anúncio, sim.


Perfil...

Entrevistado. José de Ribamar Sarney Costa tem 84 anos de idade, é advogado, jornalista e escritor. Começou a vida política ainda estudante do Colégio Liceu, em São Luís (MA), tendo depois chegado a suplente de deputado federal, até vencer uma eleição para a Câmara Federal e depois elegeu-se governador do Maranhão e depois senador. Nos anos 1980 engajou-se na campanha pelas eleições diretas e pouco depois compôs como vice a chapa vitoriosa do Presidente Tancredo Neves, que faleceu antes da posse. Sarney assumiu as rédeas do País e conduziu o período da redemocratização, da Constituinte e da volta das eleições diretas para Presidente. Depois foi eleito senador pelo Amapá e está no terceiro mandato.

“O ex-governador Waldez e o atual Camilo não deverão polarizar a eleição deste ano”

Chelala. Economista e professor fala no rádio sobre as suas principais propostas para virar governador do Amapá.
Mais um pré-candidato a governador do Amapá submeteu-se a uma sabatina no rádio ontem. Foi Charles Chelala, economista por formação e tido como um dos mais preparados técnicos em atuação no Amapá, apesar de ser um estreante na política, afinal jamais foi submetido ao voto popular. Mas tem larga experiência na administração pública, nos diversos cargos que já ocupou na carreira, os mais recentes tendo assessorado dois senadores do Amapá, João Capiberibe (PSB) e Randolfe Rodrigues (PSol). Para ele, o ex-governador Waldez (PDT) e o atual, Camilo Capiberibe (PSB), não devem polarizar a disputa para o GEA este ano, quando ele espera ser o que se convenciona chamar de terceira via. Acompanhe os principais trechos da entrevista concedida ao jornalista Cleber Barbosa.

Cleber Barbosa
Da Redação

Diário do Amapá – O senhor já morou em Brasília então sabe a importância de uma boa articulação por lá para conseguir carrear os recursos que o Estado tanto precisa não é?
Charles Chelala – De fato já atuei em dois momentos, nunca com estabelecimento fixo em Brasília. Fui coordenador dos escritórios regionais de dois senadores. Entre 2003 e 2005 do senador João Alberto Capiberibe, no escritório regional dele aqui no Amapá e de 2011 a 2012 do senador Randolfe Rodrigues. A partir de 2013 assumi a Secretaria da Governadoria da Prefeitura [de Macapá], aí deixei [Brasília]. Mas conheço bem sim.

Diário – Uma pergunta que vem do chamado Trade Turístico é sobre como pensam aqueles que se propõem a governar o Amapá a respeito deste importante setor. Ninguém quer mais saber só de ouvir falar em potencial turístico. E o senhor vê como as chances do turismo ser incrementado por aqui?
Chelala – Eu acho que nunca foi feito um trabalho sério em relação ao turismo no estado do Amapá. O que se tentou fazer sempre foi pensando em soluções muito maiores do que as nossas pernas poderiam alcançar e por isso não saímos da estaca zero. Na minha humilde opinião o nosso turismo tem que ser focado nos nossos clientes potenciais. Então não adianta que hoje eu não vou disputar o transatlântico que vai para o hotel de selva em Manaus ou que vai para o hotel de selva do Pará. Esse vai vir um pouco depois. Eu hoje quero conquistar três ou quatro nichos que já estão vindo para cá, mas que são pouco aproveitados.

Diário – Como assim?
Chelala – Primeiro que quando a gente viaja aí para Belém, Salinas, Fortaleza a gente esbarra com amapaenses, então precisamos primeiro fazer um trabalho de turismo interno, com os próprios amapaenses. Faça uma pesquisa, pergunte quantos conhecem a Cachoeira de Santo Antônio no Jari, a Cachoeira Grande no Amapá, os sítios arqueológicos de Tartarugalzinho, muito pouca gente. O segundo é atrair aqueles que estão mais próximos de nós.

Diário – Por exemplo?
Chelala – Veja que na época de Carnaval, do Natal, o pessoal da Guiana Francesa enfrenta todo tipo de agruras e mazelas para conseguir chegar e passar um período de festas aqui, fazer suas compras, enfim. Se nós formos um pouco eficientes conseguiremos trazer uma leva muito maior de turistas de Caiena para cá. E também pegar as pessoas do Pará, do Nordeste coisas que de fato só tem no Amapá. Você pode montar excursões bem estruturadas para ir à Foz do Rio Amazonas, por exemplo, muita gente gostaria de estar lá, tomar banho em uma daquelas praias que se formam quando seca o rio, se banhar na foz do Amazonas e depois entrar em um daqueles furos e conhecer algumas daquelas comunidades. É algo que é possível ser feito. Isso é potencial que precisa ser resolvido, se pensar um pouco mais.

Diário – Tem um terceiro?
Chelala – O turismo de negócio. Se você verificar nos hotéis quem são essas pessoas que vêm aqui a negócio, são consultores, empresários, enfim, pessoas que estão vindo aqui, participam durante o dia do seu trabalho e à noite o máximo que fazem é comer um camarão na Beira-Rio e no outro dia voltam para suas cidades. Se você trabalhar, você convence-o a ficar um pouco mais no Estado por dois ou três dias.

Diário – O pano de fundo dessa atividade turística é o lado econômico, ou seja, melhorar a arrecadação do estado, daí sua preocupação também com essas mais de 50 atividades que o turismo impacta?
Chelala – Exatamente. O objeto meu de pesquisa durante o Mestrado e durante toda a minha vida acadêmica sempre foi a questão da presença do estado na participação da economia do Amapá, a força do contracheque público que se fala tanto. Eu acho que é preciso fazer todo o esforço possível para se deixar de depender disso. Acredito que existe uma confluência de fatores que podem permitir ao Amapá a se tornar cada vez menos dependente. Outro dia publiquei um artigo que falava sobre o agronegócio, que pode levar o Amapá a se tornar a nova fronteira agrícola. Já falei também sobre criar um ambiente favorável para atrair investimentos, quando o governo tem que ser um pouco mais proativo em relação a isso.

Diário – Os incentivos fiscais, por exemplo?
Chelala – Não é apenas como se pensava antigamente, baixar impostos. A política fiscal eficaz é apenas um aparcela, primeiramente é preciso se ter estabilidade política. O empresário só vai investir se ele tiver segurança no ambiente onde ele vai colocar o dinheiro dele. Nós tivemos durante um bom tempo aqui, especialmente após a operação Mãos Limpas, da Polícia federal, um ambiente muito complicado, do ponto de vista do Amapá ser associado à corrupção. Se o ovo da serpente da corrupção parte de dentro do palácio do governo, se espalha por outros órgãos e por outros Poderes o empresário vai ter muito receio.

Diário – Credibilidade, é isso?
Chelala – Sim e sou totalmente contrário àqueles que tentam diminuir a questão da Operação Mãos Limpas, pois acho que ela foi extremamente importante por ter desbaratado um esquema real de corrupção, não podemos jogar isso para debaixo do tapete.

Diário – E sobre o desenvolvimento, quais suas propostas?
Chelala – Aí vem a questão da infraestrutura. O Amapá é o pior estado em termos de saneamento básico, o Amapá não tinha e agora está muito próximo de resolver, interligação com o sistema nacional de energia elétrica. O Amapá não tem um porto capaz de escoar toda a sua produção, veja agora o que aconteceu em Santana onde há mais de um ano está se estocando uma montanha de minério porque ocorreu um acidente no único porto de embarque de minério de ferro. Todo mundo fica culpando a empresa quando quem sofre de verdade são os 2 mil empregados que estão de férias coletivas.

Diário – Nós tivemos no Amapá nos últimos anos a polarização da disputa pelo poder no Estado, ora com o PSB, ora com o PDT. A sua candidatura vai se contrapor a isso, Waldez e Camilo?
Chelala – o PSol construiu uma trajetória a partir de 2010 com a eleição do senador Randolfe Rodrigues a senador e hoje pré-candidato a presidente da República e depois em 2012 com a eleição do prefeito Clécio Luiz. Esse caminho credencia o partido a apresentar uma candidatura própria [ao governo do estado], que se coloca como uma real oportunidade diante desse crescimento que obtivemos nesses últimos anos. Esses dois polos, do grupo da harmonia, que foi responsável pelas páginas mais negras da história do Amapá, está querendo voltar. O atual governador ostenta hoje baixos níveis de popularidade e está tentando permanecer. Eu acho que esses dois não vão polarizar a eleição, que será pulverizada. Hoje tem onze pré-candidatos, mas vai terminar com cinco ou seis candidatos e quero ser um deles.

Diário – Para terminar, qual a nota que o professor Chelala daria para o governador Camilo?
Chelala – Atualmente eu tenho cerca de 120 alunos, então tenho que dar nota a todos eles, mas não vou dar nota pro governador, isso quem dá é o eleitor no momento da urna, mas agradeço a pergunta... [risos]

Perfil

Entrevistado. Charles Chelala é economista, mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade Federal do Amapá e professor universitário. Nunca foi candidato a nenhum cargo eletivo, mas já exerceu diversos cargos públicos, foi secretário de Planejamento do Governo durante o mandato de João Capibaribe e coordenador do Programa de Modernização Fazendária do Amapá. Filiado ao PSol, atualmente é secretário municipal de governo da Prefeitura de Macapá e assessor do senador Randolfe Rodrigues, a pré-candidatura de Charles Chelala foi aprovada por unanimidade pelo partido no Estado. Chelala admite que o fato de jamais ter disputado uma eleição na vida será uma adversidade a ser controlada 

“A alternativa para o Amapá é abrir as portas para a chegada de novas empresas”

Promotor. Moisés Rivaldo fala sobre algumas de suas propostas para levar à eleição para governador do Amapá.
Dono de um temperamento marcante, oriundo de um órgão dos mais importantes do Estado, o promotor de Justiça Moisés Rivaldo Pereira agora já está aposentado e poderá dar vazão ao projeto pessoal de entrar para a política partidária. Depois de duas experiência que não foram bem sucedidas para disputar a Câmara dos Deputados ele diz ter cumprido o rito para se desincompatibilizar da carreira jurídica e pode disputar as eleições deste ano. E vai em grande estilo, pois confirma nessa entrevista que é pré-candidato a governador do Estado. Esse e outros assuntos foram abordados por ele durante entrevista ao programa Conexão Brasília de ontem, pela Diário FM. Os principais trechos da conversa com o jornalista Cleber Barbosa o Diário do Amapá publica a seguir.

Cleber Barbosa
Da Redação

Diário do Amapá – Por que dessa mudança radical na carreira, quando o senhor deixa o Ministério Público para enveredar pelos caminhos da política partidária?
Moisés Rivaldo – Estamos num ano eleitoral e dessa nossa mudança de rumos digamos assim é por entendermos que já cumprimos nossa missão no Ministério Público e vamos agora abraçar mais um desafio na nossa vida que é colocar o nosso nome com essa pré-candidatura do Governo do Estado do Amapá.

Diário – Eu falei em mudança radical, mas na verdade essa não é a primeira vez que o senhor tenta virar político. Em outras ocasiões o senhor chegou a se candidatar a deputado federal e teve problemas para confirmar sua candidatura, que acabou impugnada exatamente por problemas relacionados ao rito para se afastar da carreira, não é mesmo? E teve até uma excelente votação não foi?
Moisés – Com certeza. Nós tivemos dois momentos distintos. Em 2002 nós fomos candidatos a deputado federal e tivemos naquela oportunidade quase 6 mil votos, mas veio a impugnação exatamente por essa questão da desincompatibilização da carreira do Ministério Público para poder se candidatar e ser votado nas eleições. Tivemos esse problema em 2006 novamente e infelizmente a gente ficava nessas questões brigando para se defender na Justiça Eleitoral e a campanha ficava pra depois.

Diário – Tira o foco, é isso?
Moisés – Tira o foco e com isso a população e os eleitores ficam sem entender e alguns não votam, não acreditam e infelizmente apesar de bem votado não entrei. O último candidato eleito à época, em 2006, entrou com 8 mil e poucos votos e eu tive quase 7 mil votos. Então a população tem o entendimento de que é preciso de quadros novos na política, precisamos de pessoas, especialmente agora, nesse ano, pessoas que pensem em mudar a questão da matriz econômica do Estado, pois o Amapá precisa se desenvolver e nós temos que abrir as portas do Estado para que outros empresários, para que a indústria chegue realmente ao Amapá para que possamos realmente gerar emprego e renda pro nosso povo. Na questão ambiental, para aqueles que não sabem, nós temos hoje 73% do nosso território totalmente preservado e legalmente preservado, mas isso faz com que o Estado não se desenvolva, pois isso não rende nada para o Amapá. Não quer dizer que nós vamos acabar com isso, mas o mundo, a sociedade estrangeira, a própria União, alguém tem que pagar essa dívida social para com o povo do Amapá.

Diário – Daí o senhor falar em mudanças?
Moisés – Sim, pois o nosso Estado hoje tem um PIB, que é a somatória de tudo o que de gera de riqueza, onde 81% do que se gera é contracheque, é governo federal. E isso tem que se reverter, é preciso investimentos, é preciso fortalecer a iniciativa privada.

Diário – Esse contracheque que o senhor fala é o público, claro, pois o contracheque da iniciativa privada é bem vindo, não é?
Moisés – Com certeza, falo do contracheque público, aquele do governo federal ou estadual. É que aqui no Amapá esses empregos públicos estão se sobrepondo ao emprego da inciativa privada. E ainda te a questão dos empregos de cargos comissionados, contratos administrativos que ainda é pior porque o mau político faz disso um cabresto no eleitor. Ele diz “ou você está comigo ou vamos acabar com seu cargo, vamos te exonerar”. E isso tem que mudar na política, o povo tem que ter liberdade, é preciso que a gente liberte o povo dessa escravidão, digamos assim, principalmente do cargo comissionado e dos contratos, que também são uma aberração jurídica.

Diário – A alternativa está na geração de empregos, é isso?
Moisés – Sim, fortalecendo a iniciativa privada você vai geral emprego, renda na iniciativa privada e aí o cidadão fica mais livre né?

Diário – Mas quando o senhor estava no banco da faculdade, no curso de Direito, tinha na carreira do Ministério Público o seu sonho de consumo em termos das opções das carreiras jurídicas?
Moisés – Com certeza. Eu quando me formei em Direito advoguei durante sete anos e depois fizemos a opção em fazer concurso para o Ministério Público do Estado do Amapá. À época nos tínhamos feito concurso também em Brasília e também já havíamos passado numa primeira fase em Minas Gerais, mas fui aprovado aqui no Amapá em todas as fases e fizemos uma opção pelo Amapá e há quase 22 anos e 6 meses já estamos aqui, tomamos posse no dia 1º de novembro de 1991 e é uma carreira que eu sempre quis por ser uma carreira dinâmica. O Judiciário é estático, né? Você tem que levar as questões até ele para que possa analisar e depois decidir. O Ministério Público não, ele tem o poder da ação, de ir atrás, de combater a criminalidade diretamente, as drogas, enfim, tudo aquilo que é de mal da sociedade e para a sociedade o Ministério Público defende e combate. Por outro lado também as questões das necessidades da sociedade e suas aspirações, então é uma carreira brilhante e que tenho muito orgulho.

Diário – E essa experiência no Ministério Público vai emprestar que tipo de contribuição para a sua carreira de político a partir de agora?
Moisés – Ah, é muito importante, pois ao longo de todos esses anos, vendo de tudo, especialmente vendo as empresas que vieram se instalar no Estado, quando o MP participava diretamente com representação no Conselho Estadual do Meio Ambiente. Além disso, fui promotor de Justiça do Meio Ambiente e acumulei uma grande experiência também nesse setor.

Diário – E depois no combate às drogas também, não é?
Moisés – Essa foi uma questão que a gente vê no dia a dia, combatendo o traficante a ajudando na questão da recuperação do usuário. Isso tudo traz uma carga de experiência para a gente que logicamente vai ser usada dentro de uma administração pública e o importante é que você tem um contato direto com a sociedade onde você vive, você está na ponta vendo o sofrimento e o flagelo da sociedade digamos assim. Mas nós temos o poder da lei, a atribuição que a lei nos deu, de estar presente através da Justiça, agora isso aliado ao poder da caneta, vamos dizer assim, que é o fato de ser governo, você poderá fazer muitas coisas mais, porque você junta essas duas forças para poder se dedicar aos interesses da sociedade e a melhorar a qualidade de vida do nosso povo e ajudar aqueles menos favorecidos.

Diário – A partir disso, qual o olhar que o senhor tem para a política da segurança pública?
Moisés – Acho que quando você fala em segurança pública você tem que juntar o Poder Judiciário, o Ministério Público, enfim, mas você tem que dar condições para a Polícia Militar, para a Polícia Civil, para que eles possam desenvolver o seu trabalho. Você tem hoje orçamentos totalmente falhos na questão da segurança pública. Nós temos que dar a essas instituições a independência financeira que eles precisam e que não têm hoje. Para dar um exemplo, se você pegar os orçamentos da Polícia Militar e da Polícia Civil não dá o orçamento da Secretaria da Comunicação do Estado e isso tem que mudar.

Diário – Obrigado por essa entrevista, a primeira de uma série que o senhor ainda terá que conceder a partir de agora.
Moisés – Ei agradeço e me coloco à disposição da sociedade, através também da imprensa.

Perfil

Entrevistado. Moisés Rivaldo Pereira tem 51 anos de idade e é natural de Minas Gerais. Foi técnico agrícola antes de ingressar para a Faculdade de Direito, em Sete Lagoas (MG). Depois de formado e de ingressar na Ordem dos Advogados do Brasil passou a militar na advocacia, por sete anos. Depois ingressou por concurso público no Ministério Público do Estado do Amapá, com passagens por diversas titularidades de promotorias, entre elas a do Meio Ambiente, da Ordem Tributária e das Investigações Cíveis e Criminais. Foi autor da campanha “Denuncie um traficante antes que ele adote seu filho”, de grande repercussão. Na última sexta-feira teve deferido seu pedido de aposentadoria e anuncia ser pré-candidato a governador do Amapá.