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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Coluna Argumentos (Diário do Amapá) sexta-feira, 14 de dezembro

Causou

O fato mais comentado nas rodadas políticas do país foi a volta de Sarney à Presidência da República. Mesmo na interinidade, uma formalidade exigida pelaConstituição, o decano do Senado Federal mostra que é uma das maiores expressões políticas em atividade no Brasil.

Entenda

Sarney assume o cargo em virtude da viagem da presidente Dilma à Europa, e de seus dois sucessores imediatos, o vice Michel Temer, que está em Portugal, e o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), no Panamá.

Cortesia

A deputada Fátima Pelaes (PMDB) e Luiz Carlos (PSDB) formaram uma comissão de representação da Bancada Federal que foi ao Palácio do Planalto ontem levar um cumprimento ao presidente em exercício.

Fico

Embora admita ser um dos aliados de primeira hora do ex-presidente da AL, Jorge Amanajás, o deputado Luiz Carlos diz que não vai para o PPS. Fica no PSDB. Por hora.

Babado

Bochicho que rola em Brasília: a presidente Dilma estaria com um pé fora do PT. Isso mesmo, o estopim teria sido uma negativa dela em nomear uma indicação do partido. - Aqui mando eu!


Aplausos

Ele não queria mais holofotes que o estritamente necessário no exercício da Presidência da República, ontem em Brasília. Mas diante da insistência do cerimonial e tocado pela música maravilhosa de conal natalino da UnB, Sarney foi ao encontro dele. E saiu muito aplaudido.

Sereno

Passados vinte e dois anos desde que desceu a rampa do Palácio do Planalto, deixando a direção da nação, o hoje senador José Sarney (PMDB-AP), volta a pilotar o mais importante gabinete da Capital. Mas ao seu estilo, de discrição e diplomacia, limitou-se ao rito e ao protocolo da nobre missão.

Um fã

O taxista Arnaldo Jorge da Silva, 72, um dos candangos a construir Brasília, reagiu assim à indagação sobre Sarney voltar à Presidência. - Ele nasceu para ser presidente! Lembrou os programas sociais e o Plano Cruzado como marcas de sua gestão. Também destacou o fato de Sarney ser um intelectual: - Para esse eu tiro o meu chapeu, pois ele está até hoje no Senado!

“Macapá é um lugar quente não só pela temperatura, mas pelo calor humano”

Celebridade. As palestras do performático Doutor Bactéria reúnem grandes platéias pelo Brasil


Sempre bem humorado e simpático, em visita a Macapá, recentemente, o biomédico Roberto Figueiredo, o conhecidíssimo Doutor Bactéria, que esteve palestrando em uma faculdade da cidade, como parte das comemorações pelo Dia do Biomédico. Ele concedeu uma longa entrevista ao jornalista Cleber Barbosa, nos estúdios da Rádio Diário FM, ocasião em que esclareceu muitas dúvidas e fez alertas importantes sobre os cuidados que todos devem ter para evitar sérios problemas de saúde, especialmente pelo manuseio inadequado de alimentos. Os principais trechos da entrevista você acompanha a seguir.

 CLEBER BARBOSA 
DA REDAÇÃO

Diário do Amapá - Quantas vezes no Amapá?
Doutor Bactéria - É a terceira.

Diário - Agora veio a convite de uma faculdade, é isso?
Dr. Bactéria - Exatamente. Nós apresentamos uma palestra para o pessoal exatamente com a ideia de mudar os hábitos, em comemoração do Dia do Biomédico.

Diário - Que é exatamente quando?
Dr. Bactéria - Dia 20 de novembro, que foi comemorado no Brasil inteirinho então aqui não podia ficar de fora, daí essa comemoração aqui em Macapá.

Diário - Bem, mas além de biomédico o senhor também é especialista em Marketing, então isso pode explicar toda essa performance em suas palestras, sempre muito concorridas?
Dr. Bactéria - É, mas fiz teatro também, aplicando em minhas palestras, aliás, eu acho que todo mundo, independente do que faz, deveria fazer marketing e teatro, pois a pessoas sempre estão se vendendo, né?

Diário - O tal do endomarketing?
Dr. Bactéria - Sim, e o teatro é para desinibir mesmo, se soltar mais.

Diário - Então seja bem-vindo mais uma vez.
Dr. Bactéria - Olha, para mim é sempre um prazer voltar a Macapá, onde fui superbem recebido; está muito gostosa esta visita; pena que está acabando; já estou com saudades.

Diário - E essa história, de virar o Doutor Bactéria, foi o senhor mesmo que projetou isso?
Dr. Bactéria - Eu até brinco com isso, pois poderia ser pior, já pensou se fosse "doutor Ameba", "doutor Verme" ou "doutor Parasita"... (risos) Já o doutor Bactéria é simpático, né? Mas começou realmente há um doze anos atrás, quando entre outras coisas acabei chegando na Rede Record, no programa Note e Anote, da Claudete Troiano. Lá eu era o Caçador de Bactérias, que tinha até uma musiquinha.

Diário - Depois é que foi para a Rede Globo?
Dr. Bactéria - Isso, depois veio o convite do Fantástico, da Globo, começando com um programa chamado "Tá Limpo", quando o pessoal da equipe quando ia gravar perguntava "Vamos gravar com quem?". E diziam "vamos gravar com o doutor". Mas qual doutor? "O Dráuzio Varela?" Não, aquele doutor que mexe com as bactérias, aí começaram a me chamar de Doutor Bactéria.

Diário - Foi o batismo do nome então?
Dr. Bactéria - Foi sim e depois as crianças gostaram bastante, as pessoas da terceira idade também adotaram mesmo, até que um dia eu estava passando gravando sobre a contaminação de lancheiras e um grupo de vinte crianças mais ou menos subiu em um determinado local e gritaram assim: "Doutor Bactéria, nós te amamos", uma coisa que não sei nem falar, sei que pegou. Mas é um personagem que leva informação para as pessoas.

Diário - Mas doutor e essa preocupação com as bactérias, começou quando, antes mesmo da formação acadêmica?
Dr. Bactéria - Bom, eu sempre gostei da parte de microbiologia e escrevi um livro, faz tempo já, voltado para a indústria, chamado Programa de redução de patógenos (Editora Manole, 2002), um nome bem pesado, né? Só que chegou muita informação para mim, como o fato de que 3 milhões de crianças morrem todo ano por diarréia, menores de cinco anos de idade. E desses 3 milhões, 2 milhões e 100 mil morrem opor manipulação incorreta de alimentos. E das intoxicações, 44% das doenças alimentares estão dentro da residência [dos pacientes] e não tinha um livro, nenhuma publicação que fosse direcionado para as donas de casa, falando a linguagem delas.

Diário - E foi quando o senhor decidiu dedicar-se especificamente a essa demanda?
Dr. Bactéria - Larguei tudo e comecei a trabalhar com donas de casa, para levar essas informações a elas, de um jeito todo próprio.

Diário - O seu famoso bom humor?
Dr. Bactéria - Pois é, eu brinco bastante que aqui no Brasil ninguém erra, mas na Itália o pessoal é terrível. Na Itália as pessoas colocam ovos na porta da geladeira, pessoas lavam carne, colocam as frutas em fruteiras, fervem leite, acham que a carne de porco pode ter um bichinho que vai para a cabeça, essas coisas estão todas erradas, e ainda na Itália as pessoas entregam a pizza em caixas de papelão, olha que absurdo?

Diário - Sei... Na Itália.
Dr. Bactéria - Ainda bem que isso não acontece no Brasil... (risos) Imagine que na Itália as pessoas pegam a lata de leite condensado e fazem dois buraquinhos e como demora para sair acabam soprando.

Diário - É uma forma bem humorada de orientar, sem dúvida.
Dr. Bactéria - É, isso sem falar que na Itália o pessoal sopra bolo de aniversário. E tem gente que come, fala que o bolo está "molhadinho", com aquele bando de cuspe que cai...

Diário - O senhor já tem quatro obras publicadas, não é mesmo?
Dr. Bactéria - Quatro obras, mas tem o mais recente, que não gosto de dizer que é o último, mas sim o mais recente, é o quinto, o "Doutor Bactéria", pela Editora Globo, que assim que chegou alcançou o segundo lugar, pelo que disse a Veja [revista semanal], como um dos livros mais vendidos aqui no Brasil, o que é muito gostoso de você fazer, partindo do zero e as pessoas aceitam, né?

Diário - O brasileiro tem o hábito de comer muito na rua, um lanche rápido ou uma refeição mesmo. Que dicas o senhor pode dar com relação aos cuidados com a contaminação?
Dr. Bactéria - Em primeiro lugar você deve olhar o aspecto do local que você vai comer. Se a pessoa que vai te servir está com a roupa suja, aquelas unhas compridas e mal tratadas, o uniforme sem proteção do cabelo, sem condição de higienizar a mão, se não tiver usa álcool em gel. Aquele famoso churrasquinho, por exemplo, o espetinho de gato famoso, que espero não ser gato. Bem, peça para a pessoa assar sempre na hora, nunca um que está pronto, não aceite de maneira alguma, pois na hora você sabe a qualidade da carne. Outra coisa, nunca passe naquela farinhazinha que tem do lado, pois ela foi feita para passar uma vez e ir embora só que aqui no Brasil as pessoas passam uma vez, pega uma bebidinha dão uma mordidinha e passam na farinha, dão uma mordidinha e passam na farinha, enfim, aquilo vira um mingau de baba...

Diário - Falando assim, dá um nojo, as pessoas nem percebem isso, não é?
Dr. Bactéria - E já está comprovado a partir de um estudo de uma Universidade de Fortaleza (CE) as pessoas encontraram o "helicobacter piloren", o "h pylor" nessa farinha. É uma bactéria da gastrite que é transmitida pela saliva.

Diário - Já que o senhor enumerou vários erros comuns, e os instrumentos da modernidade, como o celular, que as pessoas costumam levar para dentro do banheiro?
Dr. Bactéria - O celular é mais contaminado do que uma sola de sapato. A explicação é porque as pessoas falam e saem gotículas de saliva e uma gota de saliva tem bilhões de bactérias. Então quando a pessoa usa o telefone no banheiro isso potencializa, pois ele é um verdadeiro vetor, ou seja, ele carrega, transporta bactérias de origem fecal, da saliva, vírus como o da gripe, a candidíase bucal, o popular sapinho e por aí vai. Por isso as pessoas tem que fazer pelo menos uma vez por semana pegar álcool isopropílico e passar com uma toalinha de papel no celular levemente, não vá jogar o álcool em cima, você não mata a bactéria por afogamento, mas sim pelo contato.

Diário - Obrigado por sua entrevista.
Dr. Bactéria - Eu é quem agradeço e espero voltar logo a Macapá. Mas as pessoas podem me localizar e fazer perguntas através do Facebook, é só digitar Doutor Bactéria, vai ser um prazer respeonder a todos aqui no Amapá, um lugar que eu gosto muito de estar, especialmente porque é um dos mais quentes doBrasil, não pela temperatura, mas pelo calor humano mesmo.

Perfil..

O biomédico Roberto Figueiredo ficou conhecido como Dr. Bactéria ao participar do quadro Tá limpo' do programa Fantástico. Na série, ele falava dos perigos microscópicos que se escondem no cotidiano, esclarecendo dúvidas sobre contaminação de alimentos, higiene, saúde pública e temas relacionados. Especializado em Saúde Pública e em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e em Engenharia da Qualidade pela Universidade de São Paulo (USP), Roberto Figueiredo é autor de livros como o Guia prático para evitar doenças veiculadas por alimentos (Editora Manole); Programa de redução de patógenos (Editora Manole, 2002).

Coluna Argumentos (Diário do Amapá), 13 de dezembro


Energia
A hidrelétrica Ferreira Gomes anuncia investimento na expansão da rede de distribuição de energia no Amapá. Serão construídos 18 quilômetros de rede de distribuição de energia em substituição a uma rede existente da CEA, equivalente a R$ 5 milhões em investimentos.

Ordem
O Ministério Público emitiu recomendação ontem à Prefeitura de Macapá para proteger recursos da MacapaPrev, o órgão previdenciário do município. Os promotres proíbem que recursos sejam usados para despesas.

Nostalgia
Serranos de várias gerações foram à vila de Serra do Navio para o segundo encontro anual dos conterrâneos. Ao som de músicas do passado, todos se embalaram e até choraram juntos. Afinal, bate sempre saudade...

Canção
No II Encontro dos Serranos, o cantor Márcio Farias gravou um clipe especial da música “Meu lugar”, de sua autoria, e que rende homenagem à Serra. Está no You Tube.
  

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Niver
Ex-governador do Território Federal do Amapá, Jorge Nova da Costa está de aniversário hoje. Ele chega aos 88 anos de idade e atualmente exerce a função de primeiro suplente e assessor especial do senador José Sarney. Jorge chegou no Amapá recém formado
agrônomo.

Clima
Uma menina paraense desembarcou ontem em Brasília e encontrou a cidade com temperatura amena, 19º, frio fora do normal para qualquer nortista. Na rua, perguntou: - É o ar condicionado, mãe?

Terminais
A presidente Dilma Rousseff disse ontem (12), em Paris, que o governo pretende criar cerca de 800 aeroportos regionais no país. Segundo ela, pelo projeto, cada cidade com até 100 mil habitantes deverá ter um aeroporto a, no máximo, 60 quilômetros de distância. E o de Macapá? Sai ou não?

Petróleo
O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou ontem, por 348 votos a 84 e 1 abstenção, o requerimento de urgência para análise dos vetos da presidente Dilma Rousseff à lei que redistribui os royalties  do petróleo (Lei 12.734/12). O requerimento está em votação agora no Senado, onde também precisa obter maioria absoluta de votos (41 senadores).

“Os garimpeiros são explorados, porque eles não são donos dos garimpos na Guiana”

Ela já é considerada a decana da Bancada Federal em Brasília, afinal está em seu quinto mandato no Congresso Nacional. Neste período é considerada uma campeã em conseguir carrear recursos federais através de Emendas Parlamentares. Toda essa experiência, aliada ao fato de ser socióloga e profundamente ligada a causas sociais, fizeram sua participação em uma audiência pública em Macapá na sexta-feira a ser marcante. O tema era a atividade garimpeira nas áreas de fronteira, especialmente na Guiana Francesa. As observações e as críticas da deputada federal Fátima Pelaes (PMDB) foram reveladas em uma entrevista ontem ao jornalista Cleber Barbosa, no programa Conexão Brasília. Os principais trechos da conversa o jornal Diário do Amapá publica a seguir. Acompanhe.


CLEBER BARBOSA 
DA REDAÇÃO


Diário do Amapá – A senhora passou como o Dia do Evangélico, na sexta-feira?
Fátima Pelaes – Trabalhando... (risos) Mas eu queria também aproveitar para parabenizar todos os evangélicos pela passagem deste dia, que é muito importante, pois a gente sabe que a comunidade evangélica faz um trabalho muito forte de valorização da vida. Faz um trabalho espiritual, mas também social, pois a partir do momento que você faz um trabalho buscando a paz você está diminuindo os conflitos também.

Diário – Então não deu para comemorar a data?
Fátima – Ontem eu procurei comemorar com trabalho também, não deu tempo para ir às festas programadas. Mas eu participo de um grupo de oração composto só por mulheres que às sextas-feiras se reúne para orar louvar ao senhor, então ontem [sexta] eu pude participar também louvando a agradecendo ao senhor pelas vitórias, né? Na verdade tem que ser nas alegrias, nas dificuldades, nas tristezas, porque ele fala: - Olha, aquela ali mesmo nas dificuldades está agradecendo a mim, louvando, então eu vou ajudar! [risos]


Diário – Ainda nesse campo da espiritualidade deputada, deu muito que falar recentemente a ação de um procurador da República que quer a retirada da inscrição “Deus seja louvado” das cédulas de real do Brasil. Como a senhor observou esse movimento?

Fátima – Olha, vi com muita tristeza, porque nós temos tantos problemas para nos preocupar no Brasil e essa pessoa que levantou essa polêmica foi muito infeliz, pois nós devemos é louvar a Deus, pela vida, por estarmos aqui. Mas acho que é interessante o debate para que ele possa perceber que o Brasil é um país laico, mas que tem uma grande maioria Cristã, que crê em Deus, então pelo que eu entendo de democracia o que vence é a maioria. Se ele quiser vamos fazer aí um plebiscito para ver se a gente pode tirar [a inscrição das notas].


Diário – A senhora esteve na audiência pública na Assembleia Legislativa que tratou do trabalho dos garimpeiros. O que achou de toda aquela mobilização?
Fátima – Foi uma audiência pública muito forte, cujo tema foi tratado com muita responsabilidade pelo deputado Bala, que é o relator desse tratado entre Brasil e França. Então ele traz o debate para quem vai estar envolvido diretamente, no caso aqui o Amapá através dos garimpeiros, e chegam a dizer que a garimpagem era a atividade mais fácil que poderiam exercer, que na verdade a gente sabe é dificílima. Você ser garimpeiro significa sair pelo mundo, deixar sua família, ficar semanas e semanas ali cavando, batendo, enfim, muito difícil. Acho que agora o deputado Bala já tem muito material, muita informação para que ele venha a ter sua convicção formada para dar o seu parecer.

Diário – O debate também destacou a falta de apoio para a fronteira.
Fátima – O Brasil tem que voltar os seus olhos para o município de Oiapoque porque ali é uma fronteira que vai dar uma referência nacional, pois vai estar ligando o Brasil ao território francês, através da Guiana Francesa. Não é o Amapá somente, é o nosso país com um território europeu e isso é muito importante.

Diário – Foi uma aidiência forte também pelas revelações não é mesmo?
Fátima – Sim, a gente ficou sabendo até que lá na Guiana Francesa existe policiais que ganham uma coisa chamada “prima”, uma espécie de gratificação sobre a quantidade de imigrantes ilegais que eles apresentem às autoridades.

Diário – Uma espécie de incentivo?
Fátima – Isso mesmo, isso foi uma coisa apresentada na audiência, que eu nem sabia. Foi o desembargador Gilberto [Pinheiro] quem revelou isso, como um profundo conhecedor, um homem respeitado das leis. Para você ver que absurdo hoje ainda o que fazem com nossa gente. Espero que a ponte mude tudo isso, pois o nome já diz tudo, é para passar, para unir as pessoas, ligar e não para afastar.

Diário – Há um desrespeito muito grande então, não é?
Fátima – Eu tive oportunidade, há cerca de sete anos, de ver o resultado de uma operação por lá, acho que era a Anaconda, nas áreas de garimpo, quando a gente viu que os garimpeiros na verdade são explorados, porque eles não são donos dos garimpos na Guiana. Os donos dos garimpos são franceses, eles são trabalhadores que ficam ali. É garimpo ilegal, está em área proibida, mas é do francês. O brasileiro é a mão de obra mesmo, nas piores condições possíveis, algo chocante.

Diário – O presidente Sarkozy sempre manteve essa linha dura, dizia que a lei penal francesa iria ser cumprida em relação aos brasileiros clandestinos. E agora, com o novo presidente, o que a senhora acha que vai acontecer?
Fátima – Bem, ele [Holand] é um socialista e estamos vivendo um novo momento na França, não é mais o Sarkozy, então meu pensamento é que precisamos refazer o caminho, pois quando esse acordo chegou na Câmara [dos Deputados] não era ainda o atual presidente francês, então por que não retomarmos essa negociação desde o início?

Diário – A senhora vem da área social, então como está vendo a postura da presidente Dilma nesse campo, com o Brasil Carinhoso?
Fátima – Eu também fui candidata a governadora em 2002, uma oportunidade em que eu tive para me aprofundar nos estudos dos problemas do Estado, ampliando a forma de pensar o combate à pobreza, trabalhamos os projetos pontuais, esses que estão focados exatamente nas pessoas mais carentes, como esses beneficiados pelo programa Brasil Carinhoso, então quando a Dilma faz esses programas ela quer dizer que nós estamos cuidando de gente, precisamos sempre estar pensando nas pessoas. Nós sempre estamos trabalhando nessa área social, inclusive agora colocando emendas para o Conselho Tutelar, uma área muito séria, assim como nas áreas de assentamento, que até então, antes do governo Dilma viviam numa condição de extrema pobreza e hoje você chega lá no Maracá, no Cajari e vê as pessoas morando numa casa digna. Então vemos o social dentro de uma transversalidade, com outras áreas, emprego, renda, empreendedorismo.

Diário – E mais recentemente moradia. 
Fátima – Foi um trabalho feito também com o juiz federal, o doutor João Bosco, assim com o apoio intenso do presidente Sarney, trazendo para cá na semana passada uma oficina na Justiça Federal, promovida pelo Ministério das Cidades para trabalhar especificamente com as pessoas que moram nas baixadas. Existem programas hoje para quem mora nas baixadas, que garante o mínimo de dignidade, então a gente vai trabalhar para que esses recursos também cheguem aqui.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Recursos federais para saneamento básico foi uma conquista dos amapaenses, diz Sarney

Ministro das Cidades, Mário Negromonte, com o presidente do Senado Federal, José Sarney (PMDB-AP)

O presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney (PMDB-AP), disse ontem (31) estar muito feliz com o anúncio da liberação dos recursos federais, na ordem de R$ 17 milhões, para que sejam executados projetos para a área do saneamento básico nas duas maiores cidades do Estado, Macapá e Santana. Não se tem notícia de que ele tenha sido convidado para a cerimônia de assinatura do convênio com o Governo do Amapá e a Caixa Econômica Federal, apesar de sua destacada atuação para que o ministro Mário Negromonte tenha contemplado o Amapá com esse importante aporte de recursos.

Sarney explicou que além da Capital e também Santana, outros municípios igualmente com índices deficitários de oferta de saneamento, como Laranjal do Jari e Vitória do Jari, estarão recebendo apoio federal. “O governo federal pratica uma política diferenciada para melhorar a oferta de saneamento básico no país, afinal o Brasil tem avançado tanto em muitas áreas e não poderia ser diferente em relação a esse campo, diretamente ligado à saúde pública e a melhoria da qualidade de vida das pessoas”, disse Sarney.

Na conta - O gabinete do senador José Sarney informou ainda que, entre os dias 29/09 a 29/10/2012, foram liberados também pela União, em convênios para o Amapá, R$ 13.386.543,37 (treze milhões, trezentos e oitenta e seis mil, quinhentos e quarenta e três reais e trinta e sete centavos). Os recursos são para diversas áreas e vieram de vários ministérios para os municípios de CutiasLaranjal do JaríMacapáMazagãoPorto Grande,SantanaTartarugalzinho e Vitória do Jarí:

Entre as obras programadas está a construção de um estádio no município de Cutias; construção da Praça da Juventude no município de Laranjal do Jari; construção de 458 casas,com urbanização e saneamento integrado na ressacado, bairro Congós; implantação e modernização do Complexo Poliesportivo do Zerão, em Macapá; ampliação do Sistema de Segurança Pública nas áreas de fronteiras do Estado do Amapá (municípios de Oiapoque, Calçoene, Amapá e Laranjal do Jarí); aquisição de 01 um caminhão com carroceria e capota em madeira para apoio no escoamento da produção agroextrativista em Mazagão; construção de 01 quadra poliesportiva no Vila Nova (Porto Grande); construção de 84 unidades habitacionais no município de Santana, bairro Elesbão; construção de habitações populares no município de Tartarugalzinho; construção de uma Praça de Esportes no município de Vitória do Jari.

Coluna Argumentos (Diário do Amapá), quarta-feira, 01.11.2012

Boato

Foi o que circulou na cidade ontem a respeito de um novo colapso no abastecimento no abastecimento de gasolina em Macapá. Bastou para uma corrida aos postos, com registros novamente de filas quilométricas. O?aumento da demanda esvaziou estoque, só isso.

Normal

Ainda sobre a suposta falta de gasolina, a coluna apurou que na verdade não houve problema algum com o fornecimento da Petrobras Distribuidora e da Ypiranga. As entregas estão normais, dizem empresários.

Nada

O prefeito eleito de Macapá Clécio Luiz (PSol) já disse que os apoios do segundo turno da eleição não representam o “loteamento” de setores de seu futuro governo municipal. “Foram espontâneos”, disse ele. 

Minério
Foi o que a equipe do JN no Ar, quadro do Jornal Nacional (Globo) atribuiu como motivação para atrair tantos brasileiros de várias partes do país para Pedra Branca do Amapari. A matéria mostrou que lá tem a maior taxa de crescimento populacional.

Nomes


Mas tem uma coisa que já apuramos. Há gente do governo do PSB que já foi sondado para vir a ocupar a futura equipe da PMM, que terá o PSol à frente da gestão.

Bastidores


O engenheiro José Adeilton falava na audiência pública sobre a evolução histórica da dívida da estatal: - Em 1994 acendeu a luz vermelha. Antônio Feijão cochichou:?- Foi o vermelho do PT!

Dureza


Gente simples que vive na costa do município de Amapá, como pescadores e pequenos agricultores, vivem a linha tênue de ter que competir com grandes companhias pesqueiras de fora. O?jeito é ir para a Reserva do Lago Piratura, enfrentar fiscais ambientais e, agora, um terrível incêndio. Vida dura.

Lotado


O Brasil possui destinos turísticos realmente consolidados. Para se ter uma ideia, quem faz planos para ir à Serra Gaúcha no próximo inverno, ou seja, entre maio e julho do próximo ano, já não encontra as melhores tarifas. Há casos até de voos esgotados. Isso mais de seis meses antes da temporada mais fria do ano por lá, também a mais procurada por viajantes.

Turismo: Amapá na ABAV - À espera de novos turistas

TURISMO - Uma delegação de empresários do setor de turismo do Amapá embarca para o Rio de Janeiro para participar da maior feira do setor no país
Abertura. Com o ministro de Estado do Turismo na mesa diretora, a 40ª edição da Feira das Américas, no Rio de Janeiro, foi aberta com pompa e circunstâncias, afinal é a maior vitrine do turismo em todo o continente.

CLEBER BARBOSA 
EDITOR DE TURISMO

O Amapá esteve representado esta semana na maior vitrine do turismo do continente, a Feira das Américas, a Abav 2012, que chega a sua 40ª edição este ano, o último que acontece no Rio de Janeiro. A partir da próxima, será São Paulo a cidade a sediar esta tradicional reunião de operadores, agentes de viagem, autoridades e empresários ligados ao turismo.
A abertura da Feira foi no dia 23, com a presença do ministro do Turismo, Gastão Vieira, além de dirigentes da Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagem) de todo o país. O Amapá foi representado pelo atual dirigente da seccional do estado da Abav, o empresário Elenilton Marques, da Poroc Turismo. “É muito importante vir a um evento como esse, pois há muitas trocas de experiências e, claro, possibilidades de novos negócios”, diz o presidente da Abav no Amapá.

Envergadura - A Feira de Turismo das Américas constitui excelente oportunidade para negociações e relacionamento com profissionais do trade turístico. O evento, palco que expõe a maior diversidade de produtos, serviços e destinos voltados à indústria de viagens e turismo, é parceiro da maior feira de turismo do mundo, a ITB Berlim (Alemanha) e da ITB Academy, e prioriza em sua estratégia de crescimento facilitar o entrosamento entre buyers e suppliers, além de muito networking.
Com a presença de expositores de mais de 52 países, a ABAV 2012 apresenta uma série de novidades e, também, é ponto para encontros de entidades públicas e privadas e importantes acordos internacionais.
Este ano, o Evento ABAV tem patrocínio do Sebrae (Vila do Saber e Rodada de Negócios), Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo – CNC (Vila do Saber); Equador (Sala de Imprensa); México (canais de comunicação – portal e newsletter), Travelport (compensação de gás carbônico do evento). E apoio do Instituto Brasileiro de Turismo – Embratur (Programa Compradores Convidados), Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas – Abracorp, Associação Portuguesa de Agências de Viagem e Turismo – APAVT, associações da América Latina – AAAVYT/ Argentina, ACHET/Chile, ABAVYT/Bolívia, ANATO/Colômbia, ASATUR/Paraguai e Audavi/Uruguai.

NÚMEROS DA ABAV

- A presença de 52 países expositores;
- Este setor movimentou, em 2011, por meio das agências de viagens associadas à entidade, mais de R$ 90 bilhões;
- Ampliou para 13% sua participação no PIB;
- As associadas ABAV respondem por 85% da rede de distribuição setorial no país;
- Totalizaram 160 milhões de viagens realizadas no ano passado. 

45.000
 Metros quadrados. É a área total da Feira das Américas, com 450 estandes.

Um destino diferenciado e ainda pouco explorado

Sâmia Waldeck

Organizada pelo Sebrae, a Rodada de Negócios é um espaço específico para reunir quem quer vender com quem quer comprar produtos turísticos. Empresários do setor no Amapá sentam frente a frente com alguns dos principais operadores turísticos do país. A diretora da Mountain Air Turismo, Sâmia Waldeck, explicou que na Rodada de Negócios, após um credenciamento e a definição das áreas de interesse, um programa de computador seleciona agentes de viagem e operadoras de turismo para um encontro. As reuniões têm um tempo máximo de 20 minutos, de modo a que se possa alinhavar uma parceria.
Dina Mourão
Já a diretora da FronturTurismo, Dina Mourão, explicou que sua agência vem apostando no turismo receptivo e para isso promove destinos regionais, como os vizinhos municípios do interior do Pará, que na verdade são bem próximos do Amapá. “O nosso forte é o transporte fluvial, aproveitando os passageiros que vão a Macapá e operamos para Santarém, Altamira, Manaus, Breves, enfim, a nossa intenção é fazer com que eles saibam e comercializem esses roteiros”, diz.



Turismóloga do Amapá se muda para o Peru e atrai gente de lá pra cá

Liliane Cascaes

Morando há dois anos em Cusco, no Peru, a turismóloga amapaense Liliane Cascaes ao mesmo tempo em que estuda, também atua no mercado do turismo e divulga o Amapá como destino turístico. Ela faz seu mestrado em Gestão do Turismo e conta que é muito forte a ligação do Amapá com o Peru, afinal é lá que nasce o Rio Amazonas. “As pessoas não acreditam quando digo o tamanho que o rio atinge no Brasil, em especial no Amapá, onde uma margem chega a ter 50 quilômetros”, diz Liliane.
Mas a especialista não titubeia ao apontar qual deve ser a maior aposta para o incremento do turismo do Amapá. “É preciso apostar nessa marca de estarmos no meio do mundo. A Linha do Equador pode fazer realmente a diferença, pois as pessoas que ouvem falar nisso demonstram interesse em ir conhecer. É preciso arrumar uma estratégia de dizer mais isso a mais pessoas no Brasil e fora dele”, diz.
Ela faz planos para abrir sua própria agência de viagem no Peru e desta forma incrementar a venda de pacotes turísticos específicos para brasileiros visitarem o Peru. “Na própria Universidade eu dou aulas de língua portuguesa para acadêmicos e também guias de turismo interessados em atender o crescente número de visitantes do Brasil”, disse a especialistas.
A própria cidade de Cusco é tida como vocacionada para o turismo. Em seus domínios está a histórica Machu Picchu, que pode ser acessada de várias formas. “Há uma viagem de trem, que dura quatro horas, com um visual de tirar o fôlego, assim como uma trilha a pé, que leva três dias. Essa é para quem gosta e está podendo também...”, brinca a especialista.



Sarney: “Jorge Amado foi um homem vivo e eterno. Com sua grandeza não será esquecido”

Sarney. Como membro da Academia Brasileira de Letras, palestra
sobre Jorge Amado na Espanha 
A mídia noticiou esta semana a participação do presidente do Senado, José Sarney no simpósio "2012: Año Jorge Amado In Memoriam", organizado pelo Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca, em parceria com a Academia Brasileira de Letras, em homenagem ao centenário de nascimento do escritor baiano, conhecido em todo o mundo. O evento integra programação na Espanha por ocasião da realização do VIII Fórum Interparlamentar Ibero-Americano. O Diário do Amapá reúne, a seguir, as principais considerações de Sarney a respeito do colega e amigo Jorge Amado, extraído durante sua palestra no evento.

CLEBER BARBOSA
DA REDAÇÃO
Emoção de estar na histórica Espanha, para falar de Literatura e Constituição.
Com muita emoção falo nesta Casa de quase 800 anos, que é, na proclamação de Dom Miguel de Unamuno, “el templo de la inteligência”. Quando soou o grito de Unamuno vivia-se um tempo de tragédia, com a Espanha dividida; falo hoje num momento em que ela vive uma grande crise. Mas deixem-me dizer-lhes de minha certeza de que Espanha é imortal, de quantas vezes já mostrou sua capacidade de superação.

Depois de Salamanca, viagem a Cádiz.
Em Cádiz, para celebrar os 200 anos de uma Constituição feita num país atormentado pelo invasor e que foi — continua sendo — um modelo para a liberdade no mundo.

Falar de Jorge Amado, colega e amigo.
Jorge Amado foi um homem, vivo e eterno, e um homem que, em sua grandeza, não será esquecido. É com certo sentimento de ausência — uma ausência que, para mim, é uma memória indelével, que não se apaga nem se apagará jamais — que venho aqui comemorar os seus 100 anos de nascimento, ocorrido no dia 10 de agosto de 1912. Esta ausência se manifesta um pouco naquela que dizem ser a palavra mais bela da língua portuguesa, saudade, cuja melhor definição que eu conheço é aquela que diz: é uma vontade de ver de novo. Saudade não é añoranza. É um sentimento muito português e brasileiro, mas também galego, definida por Rosalía de Castro — a maior autoridade que podemos invocar — como “el fantasma del bien soñado”. É uma ausência, mas também uma presença, o sentimento de que o ausente está inteiro, íntegro, em nossa percepção do mundo.

A importância da obra de Amado para a promoção da literatura brasileira fora do país.
Jorge Amado é a mais forte presença de escritor na vida brasileira, não só por sua obra inigualável, mas por sua capacidade de agir para construir o bem, e, na visão aberta do mundo, alcançar o coração de cada pessoa, cada leitor ou testemunha de sua vida e das mãos que, sempre aos cuidados de Zélia — Zélia Gattai, sua inesquecível companheira —, estendiam-se em grande generosidade. Ao dizer que é um escritor brasileiro, não posso fugir à verdade de quanto mais regional, mais universal, na expressão de Read.

A obra de Jorge Amado se reinventa.
É difícil dizer novidade de Jorge Amado. Difícil porque dele tudo já falaram. Difícil para mim que fui seu estreito amigo durante toda a vida, porque desperta um batimento mais forte no coração, que toca pela admiração, e toca mais pelo fascínio de sua personalidade e obra. Ele foi uma força da natureza que desceu muito cedo do Norte — assim era a denominação genérica de Norte e Nordeste do Brasil no começo do século XX — para dominar a literatura brasileira.

O primeiro contato com a obra de Jorge Amado.
Eu o li muito moço: o poeta Bandeira Tribuzzi, meu companheiro de mocidade, que queria levar-me para o marxismo, me passou, enrolado num papel de embrulho, de um tipo grosso que já desapareceu do mercado, mas era o único daquele tempo, com prazo fixo de uma semana para ler e depois devolvê-lo para outros que estavam sendo aliciados, como coisa escondida e procurada pela polícia, O Cavaleiro da Esperança, o livro sobre a vida de Prestes, o fundador e lendário chefe do Partido Comunista do Brasil. Comovi-me com o livro e acompanhei a história da Coluna Prestes, de cujos dissolvidos machados de pedra eu ouvira na minha peregrinação pelo interior de meu estado, o Maranhão. Fora uma marcha épica de milhares de quilômetros pelos sertões do Brasil, fugindo da polícia e da natureza. Li também a esse tempo o ABC de Castro Alves. A sedução de Tribuzzi e da obra de Jorge era forte, mas minhas convicções impediram-me de entrar para o Partido Comunista. Foi com esse começo dos livros engajados que iniciei minha leitura da obra de Jorge Amado pela vida inteira.

O início da amizade com o escritor.
Quando o conheci pessoalmente já ele se afastara do PC. Ficamos amigos. Mas eu não esperava que acolhesse meu primeiro livro de ficção, O Norte das Águas, com um entusiasmo que ultrapassava o que podia esperar de sua fama. Os anos nos aproximaram mais, e me integrei ao seu universo familiar.

A maturidade do trabalho de Jorge Amado.
Às vésperas das festas nacionais pelos 80 anos de Jorge, ele publicou um livro delicioso, notável pela mistura de revelação pessoal e histórica, cheia de sabedoria envolta em poesia, Navegação de Cabotagem, talvez menos lido que sua obra de ficção, uma pena, as mais de 600 páginas correm macias.

Como prestar homenagens a Jorge Amado.
Pretendemos que nossa homenagem fale menos de glórias e títulos do que do ser humano que amava a vida e do escritor que a criou no imenso universo de seus personagens. Viver a vida, ao lado da amada, ele o fez, na casa que construiu no Rio Vermelho, na Bahia, e onde batiam os humildes e os poderosos, todos recebidos com o mote: “Se for de paz, pode entrar.”

A política para Jorge Amado.
Jorge foi um militante comunista que chegou a ser deputado constituinte. Costumo dizer que fascinou no comunismo ser uma ideia generosa. Pois essa visão homem igual, fraternalmente unido ao próximo, foi uma constante da vida de Jorge. Àqueles anos todos acreditavam que o caminho da salvação da humanidade era a ideologia..

A decepção com o comunismo.
Ele acreditou no regime comunista como um sistema que uniria os homens. Quando, antes ainda da revelação por Kruschev dos crimes de Stalin, descobriu que o caminho sacrificava a liberdade — estavam em Budapeste, em 1951, sofreu.

Moral da história e justificativa do ser.
Jorge pagou um alto preço por sua independência, por — dizia — “pensar pela própria cabeça”. O patrulhamento ideológico correu alto e forte a anunciar sua decadência como autor, sua submissão à literatura de vendas, e a crítica a encontrar defeitos na sua obra. Na verdade Jorge continuou fiel a si mesmo, foi cada vez mais fiel ao ofício de sua obra de escritor.


O entrevistado. 

José Ribamar Sarney Costa tem 82 anos de idade, é natural de Pinheiro (MA). Formado em Direito, é também jornalista e escritor. Começou com a atividade política no movimento estudantil, ainda no Colégio Marista, em São Luís. Estudou também no Rio de Janeiro e acabou eleito como suplente de deputadi federal, tendo assumido algumas vezes o mandato até ser eleito parlamentar federal. Depois foi levado pelo voto popular a ser governador do Maranhão, sendo eleito logo depois senador da República. Trabalhou pela volta das eleições diretas no Brasil e compôs a chapa vitoriosa com Tancredo Neves, que faleceu antes da posse. Sarney reconduziu o Brasil à democracia e fez um governo voltado ao social. É senador pelo terceiro mandato pelo Amapá e preside o Senado pela terceira vez.