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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Jornal da Band: Família Capiberibe é investigada pela Procuradoria da República

18 exibições 

Bancada e GEA discutem PEC de servidores de ex-territórios

A Bancada Federal do Amapá puxa mais uma reunião sobre demandas do Estado em  Brasília


A bancada do Amapá se reúne nesta quarta-feira (11) com o governador do estado, Camilo Capiberibe, para discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 111/11, da deputada Dalva Figueiredo (PT-AP), que regulariza pendências relacionadas à situação funcional dos servidores públicos dos antigos territórios federais do Amapá e de Roraima. Eles foram contratados de outubro de 1988 a outubro de 1993 – período entre a transformação e a efetiva instalação desses estados. A PEC permite que sejam incorporados a quadro em extinção da administração pública federal os servidores que comprovadamente se encontravam no exercício regular de suas funções na data da instalação dos novos estados. A regra já vale para aqueles que foram contratados antes de outubro de 1988, quando esses territórios foram transformados em estados. Serão beneficiados os servidores públicos federais da administração direta e indireta, os servidores municipais, os policiais militares e os servidores nesses estados com vínculo funcional já reconhecido pela União. Os integrantes da Polícia Militar continuarão prestando serviços aos respectivos estados, na condição de cedidos, submetidos às disposições estatutárias a que estão sujeitas as corporações das respectivas polícias militares. Os demais servidores também continuarão prestando serviços na condição de cedidos, até seu aproveitamento em órgão ou entidade da administração federal direta, autárquica ou fundacional. Os policiais receberão os mesmos soldos, adicionais, vantagens e direitos remuneratórios concedidos aos PMs do Distrito Federal. Já os outros servidores serão enquadrados em cargos de atribuições equivalentes aos existentes para os órgãos e carreiras da União, com os mesmos direitos, vantagens e salários. Os efeitos financeiros da proposta vigorarão a partir de sua publicação, o que significa que fica vedado o pagamento em caráter retroativo de ressarcimentos, remunerações ou indenizações de qualquer espécie. A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, quanto à admissibilidade. No momento, está sendo analisada por comissão especial e depois será votada em dois turnos pelo Plenário. A reunião será realizada às 14h30, no auditório Freitas Nobre.


Íntegra da proposta:

Com informações da Agência Câmara

Deputada Janete Capiberibe diz que revista Época foi irresponsável

Deputada federal Janete Capiberibe (PSB-AP)
Brasília, 10/04/2012 – Em discurso breve no plenário da Câmara dos Deputados, a deputada Janete Capiberibe (PSB/AP) contestou os ataques da oposição ao Governo do Estado, no Amapá. Segundo ela, “sem capacidade para as políticas públicas, a oposição, no Amapá, tenta rebaixar todos ao nível dos indiciados e presos pela Polícia Federal, na Operação Mãos Limpas”.
Para a socialista, a maioria dos deputados da Assembleia tenta esconder seus crimes caluniando os outros de cometerem atos ilícitos, mesmo que não tenham provas ou sejam processados judicialmente, “por que o ganho político deles é rebaixar os demais sujando-lhes o nome”.
Ela explicou a forma grosseira da oposição feita no Amapá por que, “autointitulado ‘harmonia’, o grupo e os testas de ferro perderam a eleição para Camilo Capiberibe, do único partido que denunciou os crimes, o PSB”.
A deputada contestou a matéria publicada pela revista Época, que disse ter sido “encomendada” e sobre a qual a revista não tem qualquer prova, já que as aludidas contas bancárias do governador Camilo não existem. “Irresponsável, [a revista] submeteu-se a quem age criminosamente e faz política com má fé, no Amapá e no Brasil. O que temos é nosso nome. Por isso, serão responsabilizados judicialmente”.

Texto:
Sizan Luis Esberci
Gabinete da deputada federal Janete Capiberibe – PSB/AP
61 3215 5209

terça-feira, 10 de abril de 2012

Acusado de peculato, governador do Amapá é intimado pelo STJ

Carlos Camilo Góes Capiberibe (PSB-AP)
O ministro João Otávio de Noronha intimou na manhã desta segunda-feira o governador do Amapá, Carlos Camilo Góes Capiberibe (PSB), para audiência oitiva, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), no dia 24 deste mês. O governador é acusado de peculato e formação de quadrilha.

De acordo com as investigações, quando Camilo Capiberibe ainda era deputado estadual, poderia estar envolvido em um suposto esquema de aquisição de passagens aéreas para comprovar os gastos com verba indenizatória.

A Polícia Federal chegou até o governador, após análises em documentos apreendidos na operação Mãos Limpas, deflagrada pela Polícia Federal, em setembro de 2010, e que levou mais de 10 pessoas para a prisão, entre elas, o então governador Pedro Paulo (PP) e o ex-governador Waldez Góes (PDT), acusados de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. Além do governador, foi intimado a comparecer no mesmo dia, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Ricardo Soares Pereira de Souza.

Entre o material apreendido pela polícia havia indícios de que Capiberibe e alguns colegas desviavam recursos públicos. Eles apresentavam notas fiscais da agência de turismo Martinica como se tivessem gastado com viagens aéreas - e recebiam reembolso por isso. Após investigar, os policiais concluíram que as notas eram frias. Os documentos entregues ao ministro comprovam que as viagens eram inventadas para que os deputados recebessem pelos "gastos".

Conforme as investigações, em nenhuma das notas fiscais há o detalhamento dos trechos percorridos, o valor individual de cada trecho, a quantidade de passagens vendidas e os nomes dos passageiros. Também não consta nenhum comprovante de deslocamento.

Segundo a Polícia Federal, a nota fiscal para ser aceita deve conter a discriminação por item de serviço prestado ou material fornecido, não se admitindo generalizações ou abreviaturas que impossibilitem a identificação da despesa. Ainda de acordo com a PF, para comprovar o deslocamento, tanto a empresa como os parlamentares devem fornecer cópias dos comprovantes dos trechos voados com o valor individual e os respectivos nomes dos passageiros.

Outro fator que chamou atenção, classificada pela PF de "manobra dos deputados", entre eles o atual governador Camilo Capiberibe, de apresentarem notas fiscais no valor exato de R$ 8 mil, logo após a verba indenizatória ter passado de R$ 12 mil para R$ 20 mil. Em outubro de 2010, um mês depois da realização da operação, houve novo aumento da verba para R$ 50 mil e, em apenas uma das notas apresentadas por Camilo Capiberibe, havia um gasto em passagens aéreas no valor de R$ 21.500,22.

A maneira obscura como era feito os gastos, levou a Justiça a pedir a quebra dos sigilos bancário, financeiro e fiscal de Camilo Capiberibe, que só não ocorreu antes por falta de elementos. Esta é a primeira vez que o governador é citado na operação Mãos Limpas.

Jornal do Brasil

Coluna Argumentos, terça-feira, 10 de abril de 2012.

Reprise

O Amapá reedita a crise institucional dos anos 90, quando os Poderes Constituídos não se entendiam. Naquela época era Capiberibe pai quem ocupava trono no Setentrião. Agora é seu filho Camilo quem governa, mas a confusão é igualzinha. Mudança mesmo é que naquela época eles atiravam pedras e hoje o próprio telhado foi acertado.

Farpas

Outra característica da briga política é a divulgação na mídia nacional das mazelas paroquianas. O GEA pauta o Fantástico com a manjada verba indenizatória da AL, que por sua vez consegue que revistas e jornalões ressuscitem o Caso Abucham. Mas também surge uma novidade, a história das 35 contas bancárias. É o neosocialismo, gente.

Usados

Mas uma coisa não foi legal ontem. Chegaram aos deputados denúncias de que alguma eminência parda palaciana liberou alunos da rede pública estadual para engrossar uma manifestação de militantes do PSB em frente à Assembleia. De fato, muitos adolescentes foram vistos de farda e tudo no evento.

Reflexão

"Somos todos responsáveis por fazer com que as pessoas com a síndrome de Down se sintam em casa neste vasto mundo que os olha cada vez com mais simpatia, e deve acolhê-los com os braços abertos, e estender-lhes sempre a mão." Sarney no Dia Internacional da Síndrome de Down.

Evangelização

O Seven! realizará o II Congresso Estudantil Cristão. O Evento acontecerá nos dias 30 de Abril e 01 de Maio no Centro de Difusão Cultural João Batista de Azevedo Picanço, na Fab, em Macapá. A primeira edição do congresso foi realizada em 2009 e contou com 46 escolas, representadas através de 216 estudantes inscritos.

Casa nova

Acontece hoje a reinauguração da sede da Superintendência do Ibama no Amapá, em Macapá. O prédio foi reformado e ampliado, e proporcionará aos servidores melhores condições de trabalho no cumprimento da missão institucional do Ibama, bem como maior conforto e acessibilidade aos usuários dos serviços oferecidos pelo Instituto.

Negócios

Parceria entre Amapá Garden Shopping e Franchise Stores reúne nesta terça-feira grandes marcas no Sebrae, em Macapá, em evento exclusivo para convidados. Participantes ainda poderão conhecer melhor o mais novo shopping do Norte do país e o maior do Amapá. Nokia, Colcci, Lacoste, Central de Intercâmbio, Contém1g, Chilli Beans, Habib’s e Bob’s confirmadas.

Em pauta

A Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados discute nesta terça-feira, 10, o piso salarial para os professores da educação básica. A iniciativa é da Deputada Federal Flavia Morais (PDT/GO). A comissão é presidida por Bala Rocha (PDT-AP) que considera essa mais uma conquista histórica dos trabalhadores a ser concretizada.

sábado, 7 de abril de 2012

O investimento do turismo no Brasil para os grandes eventos esportivos


* Artigo

O Brasil é um país de economia crescente, e sempre tem um certo destaque quando o assunto é desenvolvimento. Mesmo que não pareça, aos olhos do brasileiro, a nação está em franca aceleração em algumas questões em relação aos outros países do mundo. Ainda falta muita coisa para mudar em um país geograficamente tão grande quanto o nosso, mas ainda que lentamente o investimento não pode parar. Nos próximos anos o Brasil será sede dos dois maiores eventos esportivos do mundo: a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. É por isso que as cidades estão em obras constantes para melhoria dos serviços públicos: para eventos dessa magnitude, nada melhor do que investir e melhorar aquilo que já existe.
O turismo é uma das áreas que mais merecem atenção nesse grupo de setores para investimento, já que a área ainda carece de muitos recursos para ser considerada quase perfeita. Os meios de transporte são uma preocupação constante, já que as estradas brasileiras não são exatamente sinônimos de segurança de viagem e o setor aéreo também vive em vias de entrar em colapso, devido a alta demanda de vôos e a escassez de pessoal especializado para gerenciar os centros de controle aeronáutico brasileiros. Embora os portos do país estejam praticamente em dia com suas obrigações de atenção à demanda, são os aeroportos e os meios rodoviários que concentram a esmagadora parcela de transporte turístico brasileiro.
É preciso que os investimentos para essa área, principalmente para reforma dos aeroportos e contratação de pessoal especializado, sejam acima do esperado, para que a situação se resolva e o turismo possa fluir sem maiores problemas. Isso sem contar no valor das passagens aéreas, que costumam ser, no país, mais caóticas que o próprio setor, de tão caras. Hoje é uma boa ser estrangeiro e passear no Brasil, mas os investimentos especialmente nesse setor podem aumentar as taxas de turismo brasileiro para brasileiros, possibilitando que as pessoas viagem para outras regiões do país ao invés de buscar destinos internacionais.
Outro grande gargalo no turismo brasileiro que merece atenção especial dos investidores do governo e das empresas privadas é o ramo da hotelaria. Fazer reserva de hotel em algumas cidades altamente turísticas é praticamente um parto, já que o setor vive em constante saturação e nada é feito para aumentar a oferta desse serviço. Hoje o país vive um grande problema principalmente se considerarmos o turismo de negócios, que movimenta as grandes cidades brasileiras durante os dias de semana, e acabam deixando vazias as mesmas cidades aos sábados e domingos, causando uma quebra na possibilidade de reservas de quem quer passar um tempo a mais em cada cidade. Reservar hotel Curitiba durante a semana, por exemplo, gera a mesma dificuldade de achar um hotel no Rio de Janeiro durante o verão, as férias ou o carnaval – épocas do ano em que parece que todo mundo quer ir exatamente para o mesmo lugar.
Por fim é preciso investir mais na cultura e na gastronomia especial de cada lugar, agregando valor ao que já é rico por si só. Tem coisa mais simbólica do que a comida baiana, mineira ou gaúcha? E as cidades históricas? E as lindas praias que recortam o litoral brasileiro? Tudo isso tem seu valor e precisa ser mais estimado ainda pelas secretarias de turismo. Dessa forma não só quem vier para a Copa e as Olimpíadas vai curtir o Brasil – nós também, que moramos aqui dentro, teremos mais vontade de conhecer e viver dentro do nosso país.

* Verônica Fassoni
www.falaturista.com.br

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Senado vê com cautela abertura de CPI Cachoeira. Randolfe quer.

Marcos Chagas
Da Agência Brasil, em Brasília
  
Carlinhos Cachoeira, o pivô para a derrocada do senador Demóstenes Torres (DEM-GO)
A comissão parlamentar de inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados para investigar os negócios do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e que já tem apoio parlamentar necessário para ser aberta, ainda é vista com cautela no Senado. A postura de senadores da base aliada e da oposição é aguardar a instalação dos trabalhos do Conselho de Ética, na terça-feira (10).

Caberá ao relator de um eventual processo de cassação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), acusado de envolvimento em negócios ilícitos de Cachoeira, requerer à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), para análise, todo o inquérito da Polícia Federal, inclusive os anexos. Parlamentares ouvidos pela Agência Brasil disseram que só a partir da análise desse material é que se terá condição de decidir se cabe ou não a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito.

No início da semana, os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Taques (PDT-MT) conversaram sobre a possibilidade de iniciar logo a coleta das 27 assinaturas necessárias para a abertura de uma CPI no Senado. Taques ponderou, no entanto, que seria necessário aguardar o recebimento de todo o processo para ter uma noção exata da dimensão do esquema montado por Carlos Cachoeira e o envolvimento exato de parlamentares. Diante dessa colocação, Randolfe Rodrigues preferiu esperar o início dos trabalhos do Conselho de Ética e o recebimento da documentação.

"Para que possamos falar de CPI, temos que esperar pelos autos do processo que está no Supremo [Tribunal Federal], mesmo porque esse é um esquema pluripartidário, envolve vários partidos. Tudo vai depender do que estiver nesses autos", disse Pedro Taques. Segundo ele, qualquer pedido de abertura de uma CPI terá que ter um objeto de investigação bem definido para que não seja barrado pela Secretaria Geral da Mesa Diretora do Senado.


Definição do futuro de Demóstenes: as escolhas

OPÇÕES PRÓ CONTRA
Renunciar ao mandato Sai do foco político, o que pode aliviar as enxurrada de denúncias contra ele Pode ficar inelegível até 2027 por conta da Lei da Ficha Limpa, perde o foro privilegiado no STF e passa a responder criminalmente na Justiça de Goiás
Perder o mandato por infidelidade partidária Sai do foco político, mas mantém a imagem de ter lutado por seu cargo até o final. Neste caso, não é enquadrado na Lei da Ficha Limpa, com isso, pode ser eleito já em 2014 Perde o foro privilegiado no STF e passa a responder criminalmente na Justiça de Goiás. O Senado, porém, pode decidir continuar o processo de cassação de mandato por quebra de decoro parlamentar. Seria algo incomum, mas não inédito
Licenciar-se do mandato Sai do foco político por 120 dias, mantém o foro privilegiado e espera que as denúncias esfriem com a aproximação das eleições municipais Continua respondendo processo no Conselho de Ética do Senado e, se cassado, pode ficar inelegível até 2027
Responder ao processo no Conselho de Ética do Senado Mantém a imagem de que lutou pelo cargo e, mesmo que condenado no conselho, ainda pode escapar da cassação no plenário do Senado, onde a votação é secreta Continua no foco político e, se condenado, pode ficar inelegível até 2027 por conta da Lei da Ficha Limpa
Renunciar e assumir o cargo de procurador de Justiça de Goiás Sai do foco político e, mesmo perdendo o foro privilegiado no STF, passaria a responder às denúncias no Tribunal de Justiça de Goiás, foro mais qualificado que a Justiça comum Pode ficar inelegível até 2027 por conta da Lei da Ficha Limpa

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Deu na Época: "O governador de 35 contas bancárias"

A Polícia Federal investiga por que Camilo Capiberibe (PSB), do Amapá, precisa de tantas delas, em quatro bancos, para movimentar seu dinheiro

MARCELO ROCHA
NÚCLEO FAMILIAR O governador  do Amapá, Camilo Capiberibe (acima),  e seu pai, o senador João Capiberibe (ao lado), ambos do PSB. O filho  é suspeito de ter desviado dinheiro de passagens aéreas; o pai, de ter usado dinheiro público para comprar um terren (Foto: Mario Tomaz/Futura Press e José Varella/CB/D.A Press)
NÚCLEO FAMILIAR
O governador do Amapá, Camilo Capiberibe (acima), e seu pai, o senador João Capiberibe (ao lado), ambos do PSB. O filho é suspeito de ter desviado dinheiro de passagens aéreas; o pai, de ter usado dinheiro público para comprar um terren (Foto: Mario Tomaz/Futura Press e José Varella/CB/D.A Press)

Cerca de 40% dos brasileiros ainda não têm conta-corrente em banco. Na Região Norte, metade da população enfrenta essa limitação. Situação muito diferente vive o governador do Amapá, Camilo Capiberibe (PSB). Uma investigação da Polícia Federal descobriu que Capiberibe aparece como titular de 35 contas bancárias. ÉPOCA teve acesso a dados do Banco Central que mostram que Capiberibe concilia a administração do Estado com a de contas-correntes, poupança e investimentos em quatro instituições financeiras diferentes. Em cinco dessas contas, sua mulher, Cláudia Camargo Capiberibe, é cotitular. A polícia ainda não sabe explicar por que o governador mantém tantas contas para movimentar seu salário – de R$ 24 mil mensais.
A polícia chegou a Capiberibe por acaso. Em setembro de 2010, 18 pessoas foram presas pela Polícia Federal no Amapá durante a Operação Mãos Limpas. Entre elas estavam o então governador, Pedro Paulo Dias (PP), e o ex Waldez Góes (PDT), acusados de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. Na ocasião, Camilo Capiberibe era deputado estadual. Entre o material apreendido pela polícia havia indícios de que Capiberibe e alguns colegas desviavam recursos públicos. Eles apresentavam notas fiscais da agência de turismo Martinica como se tivessem gastado com viagens aéreas – e recebiam reembolso por isso. Após investigar a Martinica, os policiais concluíram que as notas eram frias. Os investigadores afirmam que viagens eram inventadas para que os deputados recebessem um extra dos cofres de um dos Estados mais pobres do país. Entre 2010 e 2011, os deputados estaduais amapaenses aumentaram de R$ 12 mil para R$ 100 mil mensais a cota para gastos com viagens, alimentação e combustíveis. Para saber se Capiberibe embolsou o dinheiro das passagens, a PF pediu – e a Justiça concedeu – a quebra do sigilo bancário do governador. Foi aí que apareceram suas 35 contas.
Antigo território, só em 1991 o Amapá passou à condição de Estado, com direito a governador, Assembleia Legislativa e bancadas de deputados federais e senadores no Congresso Nacional. Por falta de uma classe política própria, ganhou de saída uma oligarquia. Com a imagem desgastada ao deixar a Presidência da República em 1990, o ex-presidente José Sarney preferiu evitar a concorrência em seu Maranhão e elegeu-se senador pelo Amapá. Sarney instalou um grupo político no Estado – faltava apenas uma turma de adversários. A família Capiberibe assumiu o papel de oposição a Sarney. Com um histórico de perseguido político e ambientalista, João Capiberibe, pai do governador Camilo, foi eleito governador em 1994 e cumpriu dois mandatos. Em 2002, foi eleito senador, ao derrotar Gilvam Borges, candidato de Sarney. Sua mulher, Janete, mãe do governador Camilo, foi eleita deputada. A disputa custou caro: João Capiberibe e Janete foram cassados, acusados de comprar votos por R$ 26. Numa ação cheia de reviravoltas, João Capiberibe perdeu a vaga para Borges. Mas não se deu por vencido. Em 2010, o casal Capiberibe foi eleito novamente, enquanto o filho Camilo se tornou governador do Estado. O domínio do Amapá pela família estava concretizado, mesmo que, devido à Lei Ficha Limpa, Janete e João tenham assumido seus mandatos com meses de atraso, após decisão do Supremo Tribunal Federal.
A PF chegou ao governador ao investigar desvios de verba de viagens na Assembleia Legislativa 
As suspeitas de irregularidades sobre os Capiberibes não se limitam ao filho do governador. O Ministério Público Federal no Amapá apura uma denúncia de que a casa onde o senador João Capiberibe mora, em Macapá, lhe foi dada pela empresa Engeform. O imóvel foi transferido a ele por José Ricardo Dabus Abucham – representante e irmão do proprietário da Engeform. No período de João Capiberibe (1995-2002) no governo estadual, a Engeform recebeu R$ 17 milhões por uma obra na área de saúde, orçada no início em R$ 12,3 milhões.

Carlos Camilo Goes Capiberibe (Foto: reprodução)

Capiberibe nega a acusação e afirma ter pagado R$ 300 mil pela casa, divididos em uma entrada de R$ 40 mil e 26 parcelas de R$ 10 mil mensais. Capiberibe apresentou a ÉPOCA recibos que, segundo ele, comprovam a transação. Parte dos papéis não traz seu nome como depositante. O governador Camilo Capiberibe também rebateu as acusações. Disse a ÉPOCA, por intermédio de sua assessoria de imprensa, desconhecer ser objeto de qualquer investigação da Polícia Federal. Ele disse ser titular de apenas três contas-correntes e duas de poupança. Sobre as suspeitas envolvendo gastos com passagens aéreas, afirmou que os recursos “foram empregados dentro dos parâmetros legais, integralmente movimentados através de conta bancária, declarados ao Imposto de Renda e utilizados segundo as resoluções da mesa diretora daquela casa”.
Ao assumir seu mandato no início do ano, o senador João Capiberibe fez um pronunciamento na Tribuna do Senado. Anunciou que pediria uma audiência ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sobre os desdobramentos da Operação Mãos Limpas – aquela que, em 2010, prendeu dois governadores do Estado. “É urgente que a Procuradoria-Geral da República e o STJ prestem contas dessa operação à sociedade brasileira e, em particular, ao povo do Amapá”, disse João Capiberibe. Com sua ampla atividade no sistema bancário, seu filho, o governador Camilo Capiberibe, poderá ser um dos primeiros a ter de “prestar contas” à sociedade brasileira. Trinta e cinco contas.

Governador e senador se defendem, via Twitter. Acompanhe o que disseram:


domingo, 1 de abril de 2012

Sarney articula a volta do Plano Collor para professores do Amapá

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), recebeu, na sexta-feira (30), líderes sindicais dos professores do Estado do Amapá que lhe entregaram documento sobre processos em tramitação na Justiça para reaver “diferença salarial” do Plano Collor. Também participou da reunião o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). No dia seguinte, o presidente do Senado Federal reuniu-se com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) que é relator do processo envolvendo professores públicos do Ceará, portanto, o caso decido na Corte Superior geraria jurisprudência para resolver também o caso dos educadores amapaenses.

Secretaria de Imprensa da Presidência do Senado Federal
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Coluna Argumentos, domingo e segunda, 01 e 02 de abril de 2012

Adiado

Ficou para a próxima semana o artigo do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a respeito dos banhos inesquecíveis nos lagos do Aporema, no interior do Amapá. Sarney está em viagem e não conseguiu mandar a tempo o texto para a redação do Diário do Amapá. Mas o jornal capturou artigo dele em espanhol, que saiu no El País.

Adiada

A entrevista de Davi Alcolumbre (DEM), na série especial com os pré-candidatos a prefeito de Macapá. Em São Paulo, onde o parlamentar amapaense esteve anteontem, ele teria tratado de assuntos relacionados à logística da campanha, sinal de que a coisa está consolidada mesmo. Mas a sabatina sai no próximo sábado. Douglas Lima apresentou o programa, ontem.

Desmentido

Outro “prefeiturável” foi ao rádio, ontem, no Conexão Brasília. Evandro Milhomen (PC do B) desmentiu nota dando conta de que teria desistido de concorrer à Prefeitura de Macapá neste ano. “Isso é coisa da rádio cipó, como diz o Melo”, foi como definiu o parlamentar. “É sinal de que devo estar incomodando”, concluiu.

No Amapá

O ex-presidente Lula vai iniciar em Brasília a série de viagens que planeja fazer pelo país, para agradecer o apoio que recebeu durante o tratamento contra um câncer de laringe que o afastou das atividades políticas por cinco meses. Ele confirmou que pretende visitar Macapá.

Às escuras

O Senado Federal apagou as luzes ontem à noite, entre 20h30 e 21h30. O presidente Sarney assinou o termo de adesão à Hora do Planeta, um ato simbólico, promovido no mundo todo pela Rede WWF – governos, empresas e população demonstram sua preocupação com o aquecimento global, com o ato de se abster de iluminação durante 60 minutos.

Ensinamentos

O programa radiofônico Togas&Becas, apresentado pelo advogado Helder Carneiro, na Diário FM, teve uma edição especial, ontem, reunindo personalidades do mundo jurídico do país. Foram mais de duas horas de debates esclarecedores sobre temas da atualidade da Justiça brasileira. É por estas e outras iniciativas do jornalista Luiz Melo que a rádio dá show.

O trânsito

O colunista passa dias em Brasília e faz uma constatação. Essa história de planejar o trânsito das cidades para o futuro é tarefa muito difícil, uma missão quase impossível. A capital do país surgiu com esse apelo, ser uma cidade para o futuro, sem engarrafamento no trânsito. Era para não ter cruzamentos, nem sinais, sabia? Hoje, é apenas mais uma com um nó no tráfego.

Disposição

Luiz Pingarilho, titular da Secretaria do Desporto do Amapá foi a Vitória (ES) participar de um seminário sobre Centros de Treinamento do Mundial de 2014. Levou em mãos manifesto do estado pleiteando abrigar alguma seleção antes do mundial, para treinos. Aqui do lado, na Guiana, sabe-se que a seleção francesa vai se aclimatar para a Copa treinando em Caiena.

Artigo do senador José Sarney: "A tragédia do crack"



O problema das drogas é universal. Ninguém ainda explicou por que se implanta esse mundo da auto-destruição. Mundo em que as pessoas se condenam a uma escravidão absoluta do sofrimento com a perda da autoestima e a dilaceração da alma, vivendo uma alucinação em busca da sublimação dos prazeres. Pior ainda, essa epidemia atinge em quase sua totalidade os jovens, meninos e meninas e para maior desgraça, os mais pobres, que sem dinheiro e dependentes do vício, marcham para a marginalidade e o terreno do crime. As estatísticas revelam que 70% dos crimes de homicídio ocorridos no Brasil estão, de uma maneira ou de outra, ligados à droga. Para lamento de todos nós, estes 70% dos que matam e morrem estão na faixa etária entre os 17 e 25 anos. Os jovens estão matando e sendo mortos.
Depois da maconha e da cocaína, agora, de maneira avassaladora, surge o crack, a mais perigosa e nociva das drogas, de custo baixo e alto poder destrutivo, capaz de viciar na primeira vez. O problema tornou-se tão grave e com tanto poder de contágio que já não existe cidade, por menor que seja, em que não haja, não somente uma pessoa viciada, mas se formam comunidades que se reúnem em local público e ali se instalam. São as cracolândias que invadiram o Brasil para desespero das mães indefesas ao verem os filhos sendo destruídos e sem condições de salvá-los.
Muitas opiniões se formam. Uns pedindo repressão, outros a descriminação das drogas, outros mais a denunciar que se trata de um problema de saúde pública. É tudo isso reunido, mas é também um problema de humanidade. Muitos estão se dedicando a esta causa, tentando atender e recuperar dependentes, principalmente entre religiosos de todos os credos e associações anônimas de pessoas de boa vontade e amor ao próximo.
Agora mesmo em São Paulo a grande discussão é a ação da polícia, com a pergunta se ela pode dissolver as cracolândias, alegando o direito de reunião consagrado pela Constituição. Enquanto isso, os traficantes circulam livres, com seu mercado protegido pela polícia.
Na Holanda, onde se liberou a maconha, é permitido fumar em coffeeshops especiais. Abriram-se mais de quinhentos fumadores. Em vez de diminuir o consumo, aumentou e apareceu o baseado-duro que contém, em vez de 4% da substância alucinógena, tem 14% a 15%, o que leva as pessoas à loucura. E a Holanda está revendo sua política de liberação, para um controle mais forte. Essa nova maconha (a dura), desenvolvida por manipulações genéticas, tornou-se tão valiosa que está sendo plantada em edifícios, construídos só para isso, com luz artificial, água, umidade e nutrientes dosados. Tudo para quê? Para destruir a alma e a vida dos viciados.
Este é um desafio do mundo presente e do futuro. É problema de segurança, é problema de saúde pública, mas é também um problema de todos. Que cada um faça sua parte, dentro dos governos e das famílias, para enfrentar esse grande monstro da nossa sociedade: o crack.


José Sarney
Ex-presidente do Brasil, senador da República pelo PMDB-AP, presidente do Congresso Nacional e acadêmico da Academia Brasileira de Letras e da Academia de Ciências de Lisboa