PUBLICIDADE

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Recursos federais para saneamento básico foi uma conquista dos amapaenses, diz Sarney

Ministro das Cidades, Mário Negromonte, com o presidente do Senado Federal, José Sarney (PMDB-AP)

O presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney (PMDB-AP), disse ontem (31) estar muito feliz com o anúncio da liberação dos recursos federais, na ordem de R$ 17 milhões, para que sejam executados projetos para a área do saneamento básico nas duas maiores cidades do Estado, Macapá e Santana. Não se tem notícia de que ele tenha sido convidado para a cerimônia de assinatura do convênio com o Governo do Amapá e a Caixa Econômica Federal, apesar de sua destacada atuação para que o ministro Mário Negromonte tenha contemplado o Amapá com esse importante aporte de recursos.

Sarney explicou que além da Capital e também Santana, outros municípios igualmente com índices deficitários de oferta de saneamento, como Laranjal do Jari e Vitória do Jari, estarão recebendo apoio federal. “O governo federal pratica uma política diferenciada para melhorar a oferta de saneamento básico no país, afinal o Brasil tem avançado tanto em muitas áreas e não poderia ser diferente em relação a esse campo, diretamente ligado à saúde pública e a melhoria da qualidade de vida das pessoas”, disse Sarney.

Na conta - O gabinete do senador José Sarney informou ainda que, entre os dias 29/09 a 29/10/2012, foram liberados também pela União, em convênios para o Amapá, R$ 13.386.543,37 (treze milhões, trezentos e oitenta e seis mil, quinhentos e quarenta e três reais e trinta e sete centavos). Os recursos são para diversas áreas e vieram de vários ministérios para os municípios de CutiasLaranjal do JaríMacapáMazagãoPorto Grande,SantanaTartarugalzinho e Vitória do Jarí:

Entre as obras programadas está a construção de um estádio no município de Cutias; construção da Praça da Juventude no município de Laranjal do Jari; construção de 458 casas,com urbanização e saneamento integrado na ressacado, bairro Congós; implantação e modernização do Complexo Poliesportivo do Zerão, em Macapá; ampliação do Sistema de Segurança Pública nas áreas de fronteiras do Estado do Amapá (municípios de Oiapoque, Calçoene, Amapá e Laranjal do Jarí); aquisição de 01 um caminhão com carroceria e capota em madeira para apoio no escoamento da produção agroextrativista em Mazagão; construção de 01 quadra poliesportiva no Vila Nova (Porto Grande); construção de 84 unidades habitacionais no município de Santana, bairro Elesbão; construção de habitações populares no município de Tartarugalzinho; construção de uma Praça de Esportes no município de Vitória do Jari.

Coluna Argumentos (Diário do Amapá), quarta-feira, 01.11.2012

Boato

Foi o que circulou na cidade ontem a respeito de um novo colapso no abastecimento no abastecimento de gasolina em Macapá. Bastou para uma corrida aos postos, com registros novamente de filas quilométricas. O?aumento da demanda esvaziou estoque, só isso.

Normal

Ainda sobre a suposta falta de gasolina, a coluna apurou que na verdade não houve problema algum com o fornecimento da Petrobras Distribuidora e da Ypiranga. As entregas estão normais, dizem empresários.

Nada

O prefeito eleito de Macapá Clécio Luiz (PSol) já disse que os apoios do segundo turno da eleição não representam o “loteamento” de setores de seu futuro governo municipal. “Foram espontâneos”, disse ele. 

Minério
Foi o que a equipe do JN no Ar, quadro do Jornal Nacional (Globo) atribuiu como motivação para atrair tantos brasileiros de várias partes do país para Pedra Branca do Amapari. A matéria mostrou que lá tem a maior taxa de crescimento populacional.

Nomes


Mas tem uma coisa que já apuramos. Há gente do governo do PSB que já foi sondado para vir a ocupar a futura equipe da PMM, que terá o PSol à frente da gestão.

Bastidores


O engenheiro José Adeilton falava na audiência pública sobre a evolução histórica da dívida da estatal: - Em 1994 acendeu a luz vermelha. Antônio Feijão cochichou:?- Foi o vermelho do PT!

Dureza


Gente simples que vive na costa do município de Amapá, como pescadores e pequenos agricultores, vivem a linha tênue de ter que competir com grandes companhias pesqueiras de fora. O?jeito é ir para a Reserva do Lago Piratura, enfrentar fiscais ambientais e, agora, um terrível incêndio. Vida dura.

Lotado


O Brasil possui destinos turísticos realmente consolidados. Para se ter uma ideia, quem faz planos para ir à Serra Gaúcha no próximo inverno, ou seja, entre maio e julho do próximo ano, já não encontra as melhores tarifas. Há casos até de voos esgotados. Isso mais de seis meses antes da temporada mais fria do ano por lá, também a mais procurada por viajantes.

Turismo: Amapá na ABAV - À espera de novos turistas

TURISMO - Uma delegação de empresários do setor de turismo do Amapá embarca para o Rio de Janeiro para participar da maior feira do setor no país
Abertura. Com o ministro de Estado do Turismo na mesa diretora, a 40ª edição da Feira das Américas, no Rio de Janeiro, foi aberta com pompa e circunstâncias, afinal é a maior vitrine do turismo em todo o continente.

CLEBER BARBOSA 
EDITOR DE TURISMO

O Amapá esteve representado esta semana na maior vitrine do turismo do continente, a Feira das Américas, a Abav 2012, que chega a sua 40ª edição este ano, o último que acontece no Rio de Janeiro. A partir da próxima, será São Paulo a cidade a sediar esta tradicional reunião de operadores, agentes de viagem, autoridades e empresários ligados ao turismo.
A abertura da Feira foi no dia 23, com a presença do ministro do Turismo, Gastão Vieira, além de dirigentes da Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagem) de todo o país. O Amapá foi representado pelo atual dirigente da seccional do estado da Abav, o empresário Elenilton Marques, da Poroc Turismo. “É muito importante vir a um evento como esse, pois há muitas trocas de experiências e, claro, possibilidades de novos negócios”, diz o presidente da Abav no Amapá.

Envergadura - A Feira de Turismo das Américas constitui excelente oportunidade para negociações e relacionamento com profissionais do trade turístico. O evento, palco que expõe a maior diversidade de produtos, serviços e destinos voltados à indústria de viagens e turismo, é parceiro da maior feira de turismo do mundo, a ITB Berlim (Alemanha) e da ITB Academy, e prioriza em sua estratégia de crescimento facilitar o entrosamento entre buyers e suppliers, além de muito networking.
Com a presença de expositores de mais de 52 países, a ABAV 2012 apresenta uma série de novidades e, também, é ponto para encontros de entidades públicas e privadas e importantes acordos internacionais.
Este ano, o Evento ABAV tem patrocínio do Sebrae (Vila do Saber e Rodada de Negócios), Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo – CNC (Vila do Saber); Equador (Sala de Imprensa); México (canais de comunicação – portal e newsletter), Travelport (compensação de gás carbônico do evento). E apoio do Instituto Brasileiro de Turismo – Embratur (Programa Compradores Convidados), Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas – Abracorp, Associação Portuguesa de Agências de Viagem e Turismo – APAVT, associações da América Latina – AAAVYT/ Argentina, ACHET/Chile, ABAVYT/Bolívia, ANATO/Colômbia, ASATUR/Paraguai e Audavi/Uruguai.

NÚMEROS DA ABAV

- A presença de 52 países expositores;
- Este setor movimentou, em 2011, por meio das agências de viagens associadas à entidade, mais de R$ 90 bilhões;
- Ampliou para 13% sua participação no PIB;
- As associadas ABAV respondem por 85% da rede de distribuição setorial no país;
- Totalizaram 160 milhões de viagens realizadas no ano passado. 

45.000
 Metros quadrados. É a área total da Feira das Américas, com 450 estandes.

Um destino diferenciado e ainda pouco explorado

Sâmia Waldeck

Organizada pelo Sebrae, a Rodada de Negócios é um espaço específico para reunir quem quer vender com quem quer comprar produtos turísticos. Empresários do setor no Amapá sentam frente a frente com alguns dos principais operadores turísticos do país. A diretora da Mountain Air Turismo, Sâmia Waldeck, explicou que na Rodada de Negócios, após um credenciamento e a definição das áreas de interesse, um programa de computador seleciona agentes de viagem e operadoras de turismo para um encontro. As reuniões têm um tempo máximo de 20 minutos, de modo a que se possa alinhavar uma parceria.
Dina Mourão
Já a diretora da FronturTurismo, Dina Mourão, explicou que sua agência vem apostando no turismo receptivo e para isso promove destinos regionais, como os vizinhos municípios do interior do Pará, que na verdade são bem próximos do Amapá. “O nosso forte é o transporte fluvial, aproveitando os passageiros que vão a Macapá e operamos para Santarém, Altamira, Manaus, Breves, enfim, a nossa intenção é fazer com que eles saibam e comercializem esses roteiros”, diz.



Turismóloga do Amapá se muda para o Peru e atrai gente de lá pra cá

Liliane Cascaes

Morando há dois anos em Cusco, no Peru, a turismóloga amapaense Liliane Cascaes ao mesmo tempo em que estuda, também atua no mercado do turismo e divulga o Amapá como destino turístico. Ela faz seu mestrado em Gestão do Turismo e conta que é muito forte a ligação do Amapá com o Peru, afinal é lá que nasce o Rio Amazonas. “As pessoas não acreditam quando digo o tamanho que o rio atinge no Brasil, em especial no Amapá, onde uma margem chega a ter 50 quilômetros”, diz Liliane.
Mas a especialista não titubeia ao apontar qual deve ser a maior aposta para o incremento do turismo do Amapá. “É preciso apostar nessa marca de estarmos no meio do mundo. A Linha do Equador pode fazer realmente a diferença, pois as pessoas que ouvem falar nisso demonstram interesse em ir conhecer. É preciso arrumar uma estratégia de dizer mais isso a mais pessoas no Brasil e fora dele”, diz.
Ela faz planos para abrir sua própria agência de viagem no Peru e desta forma incrementar a venda de pacotes turísticos específicos para brasileiros visitarem o Peru. “Na própria Universidade eu dou aulas de língua portuguesa para acadêmicos e também guias de turismo interessados em atender o crescente número de visitantes do Brasil”, disse a especialistas.
A própria cidade de Cusco é tida como vocacionada para o turismo. Em seus domínios está a histórica Machu Picchu, que pode ser acessada de várias formas. “Há uma viagem de trem, que dura quatro horas, com um visual de tirar o fôlego, assim como uma trilha a pé, que leva três dias. Essa é para quem gosta e está podendo também...”, brinca a especialista.



Sarney: “Jorge Amado foi um homem vivo e eterno. Com sua grandeza não será esquecido”

Sarney. Como membro da Academia Brasileira de Letras, palestra
sobre Jorge Amado na Espanha 
A mídia noticiou esta semana a participação do presidente do Senado, José Sarney no simpósio "2012: Año Jorge Amado In Memoriam", organizado pelo Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca, em parceria com a Academia Brasileira de Letras, em homenagem ao centenário de nascimento do escritor baiano, conhecido em todo o mundo. O evento integra programação na Espanha por ocasião da realização do VIII Fórum Interparlamentar Ibero-Americano. O Diário do Amapá reúne, a seguir, as principais considerações de Sarney a respeito do colega e amigo Jorge Amado, extraído durante sua palestra no evento.

CLEBER BARBOSA
DA REDAÇÃO
Emoção de estar na histórica Espanha, para falar de Literatura e Constituição.
Com muita emoção falo nesta Casa de quase 800 anos, que é, na proclamação de Dom Miguel de Unamuno, “el templo de la inteligência”. Quando soou o grito de Unamuno vivia-se um tempo de tragédia, com a Espanha dividida; falo hoje num momento em que ela vive uma grande crise. Mas deixem-me dizer-lhes de minha certeza de que Espanha é imortal, de quantas vezes já mostrou sua capacidade de superação.

Depois de Salamanca, viagem a Cádiz.
Em Cádiz, para celebrar os 200 anos de uma Constituição feita num país atormentado pelo invasor e que foi — continua sendo — um modelo para a liberdade no mundo.

Falar de Jorge Amado, colega e amigo.
Jorge Amado foi um homem, vivo e eterno, e um homem que, em sua grandeza, não será esquecido. É com certo sentimento de ausência — uma ausência que, para mim, é uma memória indelével, que não se apaga nem se apagará jamais — que venho aqui comemorar os seus 100 anos de nascimento, ocorrido no dia 10 de agosto de 1912. Esta ausência se manifesta um pouco naquela que dizem ser a palavra mais bela da língua portuguesa, saudade, cuja melhor definição que eu conheço é aquela que diz: é uma vontade de ver de novo. Saudade não é añoranza. É um sentimento muito português e brasileiro, mas também galego, definida por Rosalía de Castro — a maior autoridade que podemos invocar — como “el fantasma del bien soñado”. É uma ausência, mas também uma presença, o sentimento de que o ausente está inteiro, íntegro, em nossa percepção do mundo.

A importância da obra de Amado para a promoção da literatura brasileira fora do país.
Jorge Amado é a mais forte presença de escritor na vida brasileira, não só por sua obra inigualável, mas por sua capacidade de agir para construir o bem, e, na visão aberta do mundo, alcançar o coração de cada pessoa, cada leitor ou testemunha de sua vida e das mãos que, sempre aos cuidados de Zélia — Zélia Gattai, sua inesquecível companheira —, estendiam-se em grande generosidade. Ao dizer que é um escritor brasileiro, não posso fugir à verdade de quanto mais regional, mais universal, na expressão de Read.

A obra de Jorge Amado se reinventa.
É difícil dizer novidade de Jorge Amado. Difícil porque dele tudo já falaram. Difícil para mim que fui seu estreito amigo durante toda a vida, porque desperta um batimento mais forte no coração, que toca pela admiração, e toca mais pelo fascínio de sua personalidade e obra. Ele foi uma força da natureza que desceu muito cedo do Norte — assim era a denominação genérica de Norte e Nordeste do Brasil no começo do século XX — para dominar a literatura brasileira.

O primeiro contato com a obra de Jorge Amado.
Eu o li muito moço: o poeta Bandeira Tribuzzi, meu companheiro de mocidade, que queria levar-me para o marxismo, me passou, enrolado num papel de embrulho, de um tipo grosso que já desapareceu do mercado, mas era o único daquele tempo, com prazo fixo de uma semana para ler e depois devolvê-lo para outros que estavam sendo aliciados, como coisa escondida e procurada pela polícia, O Cavaleiro da Esperança, o livro sobre a vida de Prestes, o fundador e lendário chefe do Partido Comunista do Brasil. Comovi-me com o livro e acompanhei a história da Coluna Prestes, de cujos dissolvidos machados de pedra eu ouvira na minha peregrinação pelo interior de meu estado, o Maranhão. Fora uma marcha épica de milhares de quilômetros pelos sertões do Brasil, fugindo da polícia e da natureza. Li também a esse tempo o ABC de Castro Alves. A sedução de Tribuzzi e da obra de Jorge era forte, mas minhas convicções impediram-me de entrar para o Partido Comunista. Foi com esse começo dos livros engajados que iniciei minha leitura da obra de Jorge Amado pela vida inteira.

O início da amizade com o escritor.
Quando o conheci pessoalmente já ele se afastara do PC. Ficamos amigos. Mas eu não esperava que acolhesse meu primeiro livro de ficção, O Norte das Águas, com um entusiasmo que ultrapassava o que podia esperar de sua fama. Os anos nos aproximaram mais, e me integrei ao seu universo familiar.

A maturidade do trabalho de Jorge Amado.
Às vésperas das festas nacionais pelos 80 anos de Jorge, ele publicou um livro delicioso, notável pela mistura de revelação pessoal e histórica, cheia de sabedoria envolta em poesia, Navegação de Cabotagem, talvez menos lido que sua obra de ficção, uma pena, as mais de 600 páginas correm macias.

Como prestar homenagens a Jorge Amado.
Pretendemos que nossa homenagem fale menos de glórias e títulos do que do ser humano que amava a vida e do escritor que a criou no imenso universo de seus personagens. Viver a vida, ao lado da amada, ele o fez, na casa que construiu no Rio Vermelho, na Bahia, e onde batiam os humildes e os poderosos, todos recebidos com o mote: “Se for de paz, pode entrar.”

A política para Jorge Amado.
Jorge foi um militante comunista que chegou a ser deputado constituinte. Costumo dizer que fascinou no comunismo ser uma ideia generosa. Pois essa visão homem igual, fraternalmente unido ao próximo, foi uma constante da vida de Jorge. Àqueles anos todos acreditavam que o caminho da salvação da humanidade era a ideologia..

A decepção com o comunismo.
Ele acreditou no regime comunista como um sistema que uniria os homens. Quando, antes ainda da revelação por Kruschev dos crimes de Stalin, descobriu que o caminho sacrificava a liberdade — estavam em Budapeste, em 1951, sofreu.

Moral da história e justificativa do ser.
Jorge pagou um alto preço por sua independência, por — dizia — “pensar pela própria cabeça”. O patrulhamento ideológico correu alto e forte a anunciar sua decadência como autor, sua submissão à literatura de vendas, e a crítica a encontrar defeitos na sua obra. Na verdade Jorge continuou fiel a si mesmo, foi cada vez mais fiel ao ofício de sua obra de escritor.


O entrevistado. 

José Ribamar Sarney Costa tem 82 anos de idade, é natural de Pinheiro (MA). Formado em Direito, é também jornalista e escritor. Começou com a atividade política no movimento estudantil, ainda no Colégio Marista, em São Luís. Estudou também no Rio de Janeiro e acabou eleito como suplente de deputadi federal, tendo assumido algumas vezes o mandato até ser eleito parlamentar federal. Depois foi levado pelo voto popular a ser governador do Maranhão, sendo eleito logo depois senador da República. Trabalhou pela volta das eleições diretas no Brasil e compôs a chapa vitoriosa com Tancredo Neves, que faleceu antes da posse. Sarney reconduziu o Brasil à democracia e fez um governo voltado ao social. É senador pelo terceiro mandato pelo Amapá e preside o Senado pela terceira vez.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Antônio Feijão: “Temos petróleo. Só não é hora de perfurar”

FEIJÃO – Um olhar de cautela sobre as possibilidades minerais do Amapá, apesar dos otimistas
O ex-deputado federal Antônio Feijão, um conceituado geólogo em atuação há mais de vinte anos no Amapá, acaba de assumir a Superintendência do DNPM no Amapá. O órgão maior do setor mineral no Estado vive uma ebulição desde que o presidente do órgão fez uma visita ao Estado e disse que aqui se tinha a província mineral do futuro. Todo esse otimismo é ratificado por Feijão, mas teme que uma corrida pelo petróleo agora possa pegar o Amapá sem a infraestrutura necessária para atender essa demanda, daí ser de opinião de que primeiro é preciso resolver os problemas internos para depois se apostar no incremento dessa atividade. Esse e outros temas importantes foram tratados em uma entrevista concedida ao programa Conexão Brasília de ontem, pela Diário FM, cujos principais trecho o Diário do Amapá publica a seguir.


CLEBER BARBOSA
DA REDAÇÃO


Diário do Amapá - Na visita que fez ao Amapá recentemente o presidente do DNPM disse que as jazidas do Pará e de Minas Gerais apesar de consolidadas são uma página sendo virada e que o Amapá é a província mineral do futuro. Ele tem motivos para estar tão otimista assim?
Antônio Feijão - É, o Brasil teve um grande pique de descobertas de jazidas minerais que foi de 1999 a 2009 e o Amapá saiu desse sarcófago de estar sempre atrelado à Cadam e à Icomi. Foi exatamente a Anglo (American) com sua marca internacional que trouxe para cá os olhos dos grandes investidores. Nesse momento, lá em Santana, várias empresas do mundo todo estão analisando os documentos da Anglo e fazendo logo logo as suas propostas de compra, pois ela está na fase em que as empresas estão analisando o "data-room", ou seja uma sala onde têm todas as informações da mineradora. Mas independente da Anglo, o Amapá passa por um momento de explosão, imagine se a gente tivesse um mapa geológico de detalhe, é uma explosão de oportunidades de negócios de grandes investimentos no setor mineral. O nosso mapa geológico é balzaquiano.

Diário - Como assim?
Feijão - Ele tem trinta anos. Isso faz com que o investidor fique uma rêmula dos garimpos, como a rêmula segue o tubarão, os investidores seguem os garimpeiros e isso prende muito a pesquisa ao ouro. Com o advento de um trabalho que a CPRM fez há dez anos atrás, de geofísica, com a modernidade, precisão e acuidade dos novos satélites, para ferro, grandes concentrações de tântalo e manganês, já dá para também para ter uma oportunidade pelos levantamentos geoespaciais, então o Amapá hoje é o Estado que mais apresenta novas jazidas, principalmente na área de ferro, onde nós vamos ter quatro novas jazidas comissionadas, duas na região do Cupixi e Serra do Navio e duas onde nós vamos ter brevemente lá na área de Tartarugalzinho.

Diário - O senhor falou que o mapa geológico do Amapá tem trinta anos e com essas modernas tecnologias em termo de prospecção é que fazem essa diferença, esse novo olhar?
Feijão - Uma das sugestões que o doutor Sérgio Dâmazo fez, num encontro de trabalho com o governador e o secretário de Indústria e Comércio, juntamente com a equipe técnica que veio com ele ao Amapá, ele propôs a parceria e o governador de pronto recepcionou, para a gente refazer o mapa geológico. O Amapá vai entrar com seus quadros técnicos, com sua infraestrutura do Iepa, do Imap, da Sema e do Instituto Estadual de Florestas. Já com a CPRM, e seus quase 50 anos de experiência e o DNPM com quase 80 anos de experiência, nós vamos atualizar as informações. Menos de 3% do estado do Amapá tem conhecimento acima de um metro de profundidade, ou seja, menos de 3% do nosso território foram sondados.

Diário - Qual é o padrão internacional dessa referência diretor?
Feijão - Isso na Europa, por exemplo, é uma graça, pois eles já trabalham hoje com mais de 60% do subsolo já conhecido em profundidade. Mas também é uma dádiva para nós, pois significa dizer que o Amapá é um ser mineral ainda aguardando Pedro Alvarez Cabral, portanto nós estamos em 1.500 aguardando as Naus portuguesas do ponto de vista da geologia e da mineração.

Diário - Mas a notícia da venda da Anglo no Amapá, uma das maiores mineradoras do mundo, por si já é uma notícia negativa, então quais as garantias da continuidade do projeto dela no Amapá com seus novos controladores?
Feijão - A venda de uma empresa que tem commodities no mercado internacional, ou seja, a Anglo Ferrous Brazil, que é a nossa Anglo no Amapá, ela está no mercado internacional com suas jazidas, com sua ferrovia e a sua super-conectividade entre mina e porto. E ela tem sócios que compraram ações, então esse processo é muito técnico. Primeiro é feito o anúncio, isso ocorre numa reunião de mercado, é apresentado que vai se abrir a concorrência. Depois vem o que está acontecendo hoje [ontem] quando são colocados num hotel pessoas que vieram do mundo todo para analisar os dados, essa sala de informações, o "data-room", onde as pessoas pagam com contrato de confiabilidade das informações e vão analisar. E tem mais trinta dias, até mais ou menos 20 de novembro, para eles apresentarem suas propostas. O importante é que a próxima empresa que vier para cá, com a assistência do governo, dos Poderes e da sociedade, que a gente seduza essa empresa a implementar siderurgia.

Diário - Porque seduzir, diretor?
Feijão - Porque os navios que podem ainda hoje sair de Macapá são navios de 50 mil toneladas e eles levam minério com 50% de ferro contido, a cada dois navios que saem de Macapá eles levam na realidade um navio de ferro. Se tiver siderurgia ao invés de levar 50 mil toneladas de minério leva 50 mil toneladas de ferro e não vai as impurezas que o minério conduz.

Diário - E o porquê da saída da Anglo American do Amapá?
Feijão - Porque ela tem o Sistema Minas-Rio comissionando, ou seja, entrando em funcionamento em 2013, uma empresa dela que vai produzir 40 milhões de toneladas por ano, ou seja, a cada dois meses a Minas-Rio equivale ao Amapá, e dá o mesmo trabalho para a Anglo Amapá.

Diário - Talvez até mais que isso, pois aqui se tiver um ano bom a produção pode chegar a 7 milhões de toneladas, não é?
Feijão - Nunca fizeram isso. Com os terceirizados chegaram a 6,2 milhões de toneladas. Mas nós não pudemos condenar a Anglo por estar saindo daqui, o que nós temos que exigir dela é que saia daqui com a sua certidão de responsabilidade socioambiental em dia. Nós não podemos mais aceitar uma Novo Astro, assim como o lamentável episódio da Icomi, com toda uma certidão de meio século de bons serviços socioambientais ao estado, mas que saiu pela cozinha e não disse nem boa noite ao estado do Amapá.

Diário - E sobre petróleo diretor, sabe-se que a Guiana Francesa tem reservas desse óleo, muito próxima à Costa do Amapá, que está também recebendo prospecções, mesmo com a sociedade nem sabendo o que os helicópteros fazem diariamente cortando nosso céu. O que o DNPM tem oficialmente sobre essa possibilidade?
Feijão - Eu fui convidado pela Federação das Indústria, na época era presidente a deputada Telma Gurgel, que patrocinou uma conferência no "Cayenne Mini Simposium", que foi um encontro internacional só sobre minérios. Fui apresentar uma palestra sobre a mineração transfronteiriça e o seu ordenamento sócio-legal e ambiental. Lá, o BRGM, que é equivalente a CPRM do Brasil, se concentrou em coisas fundamentais, a questão do petróleo, pois há um estudo que diz onde ele se instala se instala a maldição, porque as pessoas não fazem outras economias. Se você for hoje à Venezuela ninguém planta nem banana porque o petróleo escraviza as pessoas num mundo de economia pública e as pessoas passam a viver dos seus impostos e dos seus agregados derivados dos impostos, que são os empregos e outras coisas mais.

Diário - E lá tem mesmo petróleo?
Feijão - Sim em Caiena foi mesmo comprovada uma bela jazida, um óleo de alta qualidade, eles fizeram vários furos.

Diário - E o Amapá, tem esse óleo valioso?
Feijão - Eu fui na audiência pública promovida pela Petrobrás para se discutir o Poço Oiapoque, que foi feito a pouco mais de 20 quilômetros da Costa do Brasil, na frente da cidade de Oiapoque, ali no Cabo Orange. A audiência pública chegou a ir até a madrugada lá no Ceta Ecotel, num modelo de audiência feita para ninguém ir. Mas levaram um azar e os filhos do Amapá e os especialistas do Amapá todos foram e viram que a Petrobras entrou num desastre de um Ctr+C e Ctr+V, trouxe um relatório todo copiado, onde as rotas das correntes eram diferentes e tudo o mais, quando até pescador fez gozação dos peixes que eles copiaram nos seus relatórios. O Amapá, desde a época do presidente Sarney, sempre teve essa grande perspectiva de ter petróleo e os geólogos têm tanta convicção disso porque há 360 milhões de anos atrás praticamente nós estávamos todos juntos, o Amapá, o Golfo do México, o sul da Inglaterra, que chamado Mar do Norte, enfim, toda essa região formava um grande continente e uma grande bacia, onde se formou o petróleo desses países citados, além da Arábia e da Venezuela.

Diário - Então são projeções?
Feijão - O Brasil é a ponta do pé da província petrolífera da Venezuela. Temos petróleo. Só acho que não é hora de perfurar esse petróleo agora, pois já vamos sair de uma tentação, pois vai ter conexão com Belém, e nós temos que organizar os nossos portos, a nossa estrutura de apoio, tudo que nós temos para que não sejamos hoje apenas o olhar dos helicópteros saindo de Belém direto para as plataformas.

Perfil

O entrevistado Antônio da Justa Feijão tem 56 anos de idade, é natural de Sobral, no Ceará, mas radicou-se no Amapá após consolidar-se como um dos mais conceituados geólogos em atuação no mercado local. Tornou-se popular e foi eleito deputado federal em 1994 (mandato de 1995 a 1999) sendo reeleito em 1998 (mandato de 1999 a 2003); depois mesmo tendo sido o sétimo mais votado em 2008, ficou na condição de suplente, tendo assumindo a titularidade entre 2009 e 2010, em substituição ao deputado Davi Alcolumbre (DE), que virou secretário municipal em Macapá. Também teve passagens como secretário de Estado do Meio Ambiente e diretor-presidente do Imap. Este ano assumiu a Superintendência do DNPM no Amapá.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Coluna Argumentos (Diário do Amapá), quarta-feira, 03 de outubro de 2012


No foco

O vale do Jari é o centro político do Amapá desde a última segunda-feira, com a grande convergência provocada pela realização de uma sessão itinerante da Assembleia Legislativa em Vitória do Jari, e depois em Laranjal do Jari. Até o governador Camilo Capiberibe deu o ar da graça por lá, ontem. Foi bastante cobrado, mas compareceu.

Do MP

A promotora de justiça Fábia Nilce Santana de Souza, da Comarca de Laranjal do Jari, compareceu ao evento da Assemblei Legislativa. Apontou a saúde e a educação como as maiores demandas que chegam à Promotoria que ela coordena. Mas também foi diplomática ao agradecer pela oportunidade de falar de sua instituição no evento.

Negócios

O Sebrae Amapá, em parceria com o Núcleo de Empreendimentos em Ciência, Tecnologia e Arte (Nectar), promove Rodada de Negócios com o objetivo de integrar os empresários participantes do Projeto Agentes Locais de Inovação (ALI) e também disseminar a cultura inovadora entre eles. Grande experiência.


Confraternização


Na festa de aniversário do jipeiro José Maria Esteves, no fim de semana, rolou uma empatia daquelas com o casal de chilenos que está cruzando as américas a bordo de um pequeno motorhome. Batizado como “Bonga”, o carrinho fez muita gente sonhar em fazer uma viagem parecida.

Vai bem


A atuação do senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) na CPI do Cachoeira fez com que os internautas até agora o considerassem o parlamentar que mais se destacou em 2012 no combate ao crime organizado. Nessa categoria especial do Prêmio Congresso em Foco ele lidera seguido pelo senador Pedro Taques (PDT-MS) que é procurador da república e colega de CPI.

Era Jaraqui


Enquanto o país assiste pela televisão ao estrebuchar de muita gente enrolada com o Mensalão do PT, por aqui chega às redações de órgãos de imprensa uma mensagem cujo remetente não se idenfica, dando conta da existência de um Mensalão Tucuju. Isso mesmo, com direito a documentos anexados e reconhecidos em cartório. Apesar do atraso, é bom apurar.

Evangélicos


A Igreja Assembleia de Deus do Município de Santana (Templo Central) oferece nesta quarta-feira um café da manhã aos pastores e à imprensa com o objetivo de apresentar a programação da celebração do “Dia do Evangélico” comemorado no dia 30 de novembro. Na verdade a programação acontecerá durante uma semana, o que é merecido.

Rosa


Após o encerramento da sessão solene do Congresso Nacional, em homenagem ao movimento Outubro Rosa, na segunda-feira (1), a senadora Ana Amélia (PP-RS) participou da cerimônia em que foi acionada a iluminação rosa da fachada do Palácio do Congresso. A cor é a mesma usada no laço que simboliza a luta contra o câncer de mama.


Dinheiro na conta: repasses da União para o Amapá

Quase 30 milhões em um mês

O gabinete do senador José Sarney (PMDB-AP) informa que, entre os dias 27/08 a 26/09/2012, o total liberado pela União, em convênios para o Amapá, foi de R$ 28.758.766,64 (vinte e oito milhões, setecentos e cinqüenta e oito mil, setecentos e sessenta e seis reais e sessenta e quatro reais). Os recursos são para diversas áreas e vieram de diversos ministérios para os municípios de Laranjal do JaríMacapá e Santana, como:  

  • construção da Praça da Juventude no município de Laranjal do Jarí, com drenagem, calcamento, paisagismo, iluminação, playground e área de esporte;
  • sistema de abastecimento de água no município de Calçoene, dentro do Programa de Aceleração do Crescimento - PAC 2007;
  • sistema de abastecimento de água p/atender o município de Itaubal;
  • sistema de abastecimento de água para atender o município de Santana;
  • melhorias sanitárias domiciliares para atender o município de Santana;
  • saneamento em áreas quilombolas para atender o município de Macapá;
  • construção do Centro de Armazenagem de Grãos do Estado do Amapá, no Município de Santana;
  • produção de unidades habitacionais na comunidade quilombola de são Raimundo do Pirativa;
  • apoio, através do emprego dos operadores do Sistema de Segurança Pública do Estado do Amapá, a segurança e o sigilo da distribuição e aplicação dos instrumentos de avaliação do INEP, conforme Plano de Trabalho aprovado; e
  • construção de 458 casas urbanização e saneamento integrado na ressacada, bairro Congós
Atenção!

Prezado amapaense, mais do que nunca, fiscalize. Acompanhe os recursos que são liberados pela União para o seu município. Clique na foto com a logomarca e o link para o "Portal da Transparência", na coluna direita no blog, para conferir as liberações de convênios no último mês. Disponibilizaremos, também, o total de transferências federais diretas para o estado.

Sobre o "Portal da Transparência"
O Portal da Transparência do Governo Federal é uma iniciativa da Controladoria-Geral da União (CGU), lançada em novembro de 2004, para assegurar a boa e correta aplicação dos recursos públicos. O objetivo é aumentar a transparência da gestão pública, permitindo que o cidadão acompanhe como o dinheiro público está sendo utilizado e ajude a fiscalizar. O Governo brasileiro acredita que a transparência é o melhor antídoto contra corrupção, dado que ela é mais um mecanismo indutor de que os gestores públicos ajam com responsabilidade e permite que a sociedade, com informações, colabore com o controle das ações de seus governantes, no intuito de checar se os recursos públicos estão sendo usados como deveriam.

Comissão do pacto federativo quer entregar propostas a Sarney na próxima semana



A comissão de especialistas que analisa propostas para um novo pacto federativo pretende agendar para a próxima semana a entrega do relatório final ao presidente do Senado, José Sarney. A data do encontro, no entanto, depende da agenda do senador, conforme informou o presidente da comissão, Nelson Jobim, ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF). No relatório final, as sugestões do grupo para reduzir o desequilíbrio entre as unidades da Federação estarão reunidas em nove anteprojetos de lei e duas sugestões a matérias que tramitam no Congresso. Entre os anteprojetos estão os quatro temas priorizados pelo grupo: distribuição dos royalties do petróleo, Fundo de Participação dos Estados (FPE), guerra fiscal e dívidas dos estados. O relator da comissão, Everardo Maciel, informou que serão tratados outros cinco temas nos anteprojetos, como a criação de um cadastro único de contribuintes e a definição de regras para evitar que sejam fixados pisos para remuneração de servidores estaduais e municipais. O relator explicou que também serão apresentadas sugestões para alterar a proposta de emenda à Constituição que regulamenta o comércio eletrônico (PEC 103/2011) e para mudar a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). Todas as sugestões que os 14 especialistas da Comissão Especial do Pacto Federativo entregarão ao presidente Sarney serão posteriormente analisadas pelos senadores.

Agência Senado

Randolfe se destaca no Prêmio "Congresso em Foco"


(Foto: Antonio Cruz/ABr)


Randolfe lidera no combate ao crime organizado 

A atuação do senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) na CPI do Cachoeira fez com que os internautas até agora o considerassem o parlamentar que mais de destacou em 2012 no combate ao crime organizado. Nessa categoria especial do Prêmio Congresso em Foco, Randolfe lidera seguido pelo também senador Pedro Taques (PDT-MS), procurador da República de origem e da mesma forma com atuação destacada na CPI do Cachoeira. O combate ao crime organizado é apenas uma das categorias do prêmio que escolhe os melhores parlamentares do ano. Nesta categoria, o terceiro lugar na disputa é ocupado pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ). Vote você também nos parlamentares que fizeram a diferença em 2012 Veja como está a votação até agora  Na disputa geral, para a escolha do melhor deputado e do melhor senador deste ano, não houve alterações signficativas com relação ao boletim parcial divulgado anteriormente. Entre os senadores, lidera Cristovam Buarque (PDT-DF), seguido por Eduardo Suplicy (PT-SP) e Randolfe Rodrigues. Entre os deputados, o líder é Chico Alencar (Psol-RJ), seguido por Jean Wyllys (Psol-RJ) e Luiza Erundina (PSB-SP).

Escolha dos internautas

Este ano, o Prêmio Congresso em Foco permitirá que os internautas incluam um nome entre os finalistas, além daqueles previamente escolhidos pelos jornalistas que cobrem o Congresso Nacional. De acordo com o regulamento, os internautas podem votar em qualquer deputado ou senador não indicado, desde que os parlamentares não respondam a ações penais e inquéritos na Justiça, não tenham contra si processos no Conselho de Ética nem tenham sido acusados de violações de direitos humanos, como trabalho escravo e homofobia. Entre os senadores, na escolha dos internautas, o líder é Alvaro Dias (PSDB-PR), seguido por Aécio Neves (PSDB-MG) e Eduardo Braga (PMDB-AM). Entre os deputados, na escolha dos internautas, o líder é Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), seguido por Fernando Francischini (PEN-PR) e Fabio Trad (PMDB-MS).

A votação

O processo de votação na internet é monitorado pela Associação Nacional dos Peritos Criminais Federal (APCF). Para ser computado, o voto do internauta é confirmado por link a ser enviado por e-mail após votação no próprio site. Não é possível votar mais de uma vez com o mesmo e-mail. O monitoramento realizado também identifica votos de origem irregular, impedindo a sua contabilização. O Prêmio Congresso em Foco é uma iniciativa do site Congresso em Foco, apoiada por diversos parceiros, que tem como finalidade premiar os melhores parlamentares do Congresso Nacional e estimular a sociedade a acompanhar seus representantes de modo ativo e permanente. A edição deste ano tem o patrocínio da Ambev, da Petrobras e da Souza Cruz, e o apoio da Associação Nacional dos Peritos Criminais (APCF), da Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg/BR), da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (ArpenBrasil), da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), do Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), da Federação Brasileira de Associações Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite), da Associação Nacional dos Defensores Públicos Federais (Anadef) e da Associação Nacional dos Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (Anesp). A iniciativa tem ainda o apoio institucional do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, da Agência Radioweb e da ONG carioca A Voz do Cidadão, que mantém programa de mesmo nome na Rede CBN de Rádio.

Macapá tem 20 vezes menos crianças em creches que a média nacional, diz deputada

Deputada federal Janete Capiberibe (PSB-AP)
Segundo Censo de 2010 do IBGE, Macapá tem 39 mil 219 crianças de zero a quatro anos, mas apenas 1,2% delas (490, segundo dados do IDEB/MEC/2011) frequentam uma creche, a maioria delas (355) durante um só turno. Pela média nacional, 23,6% das crianças de 0 a 3 anos estão matriculadas em creches: 20 vezes mais que em Macapá. Defensora da educação infantil e autora do projeto de lei para criar o Fundo Nacional da Educação Infantil (FUNAEI), a deputada Janete Capiberibe (PSB/AP) destinou R$ 5 milhões 400 mil das suas emendas parlamentares à construção de creches no estado do Amapá. Sozinha, a socialista responde por 90% das emendas destinadas para construir creches no Amapá. Para a capital, Macapá, a socialista reservou R$ 2 milhões para construir 4 creches nos bairros Cidade Nova, Cuba de Asfalto e Novo Horizonte e na Comunidade Quilombola do Curiaú. A prefeitura perdeu o prazo e os recursos desta última. Com investimento de R$ 500 mil em cada instituição, poderiam atender, juntas, cerca de 800 crianças. Mas nenhuma delas ainda foi construída. Diferente da capital, em Santana, a deputada Janete Capiberibe já viu construídas três creches, com investimento de R$ 1,5 milhão conseguidos por emenda da socialista e outros R$ 57,9 mil de contrapartida do Governo do Estado. As creches estão atendendo 612 crianças e empregam 75 professores e assistentes nos bairros Nova União, Parque das Laranjeiras e Igarapé da Fortaleza. Há 15 dias, a deputada Janete Janete esteve em Calçoene, onde começou a funcionar a creche Professora Vivalda, construída com R$ 300 mil de emenda da socialista. Laranjal do Jari recebeu R$ 500 mil da deputada Janete para a creche que está em construção no Bairro Sarney. Vitória do Jari havia recebido R$ 500 mil e Cutias, R$ 300 mil de emendas da parlamentar para que fosse construída uma creche em cada cidade, mas as prefeituras perderam os prazos para acessar os recursos. Conforme da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a educação fundamental, incluindo-se aí as creches, é responsabilidade dos municípios. Para aumentar o acesso de crianças pertencentes às famílias muito pobres à pré-escola por meio da construção de creches, aumento do número de vagas e  melhoria da qualidade das creches já existentes, o Governo Federal lançou, em maio, o Programa Brasil Carinhoso. Na área da educação, prevê a construção de 6 mil creches até 2014, com recursos do Ministério da Educação. Para cada creche, o Governo Federal destinará entre R$ 700 mil e R$ 1,2 milhão.

Entrevista Sandro Bello: “O turismo pode ajudar a economia do Amapá”

TURISMÓLOGO – Sandro Barriga assumiu a gestão da Secretaria Estadual do Turismo do Amapá
O turismólogo Sandro Bello Barriga, técnico conceituado forjado nas academias, mas com boa bagagem acumulada no planejamento e na gestão de órgãos públicos do turismo, acaba de assumir a gestão da Secretaria Estadual de Turismo, a Setur, tendo de cara dois grandes desafios já cumpridos, um evento de gastronomia dentro da 49ª Expofeira Agropecuária e o Equinócio da Primavera. Mas seu trânsito e bom relacionamento no setor e no meio empresarial o deixam em uma condição de agregador para esse importante segmento econômico do estado. As impressões do novo secretário, o histórico da evolução do turismo e as reais chances do Amapá ter um incremento dessa atividade estão nesta entrevista concedida ao jornalista Cleber Barbosa, que o Diário do Amapá publica a seguir.

CLEBER BARBOSA

DA REDAÇÃO

Diário do Amapá - Quando surgiu o convite do governador para o senhor assumir a Secretaria de Turismo?
Sandro Bello - Na realidade esse convite foi em função da conjuntura política. Todos sabem que a Setur tem o comando do PT (Partido dos Trabalhadores), do grupo da ex-deputada federal Marcivânia (Flexa), e houve a necessidade da ex-secretária Helena Colares assumir compromissos da campanha política da professora Marcivânia, então esse convite se deu há cerca de um mês e meio.



Diário - O senhor é um técnico do setor que assumiu a Setur na condição de interinidade, mas que vem apresentando um volume de ações e uma mobilização que muita gente do meio já anda torcendo para que seja efetivado. Já percebeu isso também?
Sandro - Com certeza essa é a primeira vez que um técnico como eu assume um cargo de gestão de primeiro escalão, em especial na área do turismo. No meu ponto de vista, isso de certa forma faz a diferença porque você tem a oportunidade de empreender ações voltadas nos segmentos do turismo, ou seja, como nós sempre falamos, quem executa a atividade turística não é o Poder Público, ele é o fomentador, ele cria a infra-estrutura, os municípios trabalham na manutenção dos espaços públicos e o empreendedor e seus colaboradores que recebem o turista, que promovem a atividade turística, então seria de certa forma muito proveitosa a oportunidade de estar à frente de um órgão como esse.



Diário - O senhor compôs no primeiro escalão do prefeito Roberto Góes, em 2009, à frente dó órgão municipal de turismo, e agora forma no secretariado de Camilo Capiberibe, dois adversários políticos. Isso mostra que cargos como o seu exigem mais peso técnico do que propriamente político?
Sandro - Com certeza. Nós tivemos a oportunidade de estar compondo a Prefeitura no primeiro ano de gestão do prefeito Roberto Góes. Todos sabem que aquele foi um ano muito positivo para o município que teve a oportunidade de se transformar. Hoje se discute muito essa questão da parceria e a meu ver é importante a questão da parceria sim porque no órgão estadual de turismo promovemos as políticas de turismo, e isso de nada adiantaria. Se não tivéssemos a oportunidade de o município de Macapá ser o portal de entrada do turismo, essa política não seria implementada.



Diário - Como assim, secretário?
Sandro - Posso dar como exemplo o Congresso Brasileiro de Guias de Turismo, realizado aqui em Macapá, onde através da Secretaria Estadual de Turismo foi elaborado um questionário e distribuído a todos os cerca de 500 participantes de todos os estados brasileiros, sendo que apenas três unidades não participaram, e todos os pontos avaliados, relevantes ao município, a questão da limpeza, lixo e trânsito foi avaliado de forma muito negativa por esses turistas que estiveram presentes.



Diário - E como a Setur pode fazer deslanchar essas respostas?
Sandro - A questão de poder estar hoje no estado no meu ponto de vista também se deve a todo o trabalho que a gente vem realizando nesse setor de turismo, afinal pude entrar nesse setor em 2005, na Secretaria de Estado do Turismo e deparar-me com um quadro muito recente, muita coisa por fazer e nós tivemos a oportunidade, apesar dos pesares, de poder aplicar um pouco do nosso conhecimento na gestão pública do turismo quando naquele tempo a secretária de Estado do Turismo era a hoje deputada federal Fátima Pelaes. Nos deparávamos com um percentual de 0,01% do orçamento do Estado e mesmo assim pudemos realizar um trabalho para que milhares de pessoas que dependem dessa atividade pudessem ter um ganho maior através da gestão pública do turismo.



Diário - O senhor falou sobre o conhecimento técnico e o conhecimento científico que o senhor buscou através dos estudos, mas lá atrás, quando o turismo ainda era uma utopia muito maior do que é hoje, o que o motivou a escolher essa área profissional?
Sandro - Na realidade a questão do turismo se tornou um mote de campanhas passadas que muito chamou a atenção de jovens como eu naquele período após os conflitos bélicos ali no Golfo, com os Estados Unidos, no Oriente Médio. Após esse período o turismo despontou como primeira atividade econômica mundial e maior geradora de empregos, então em função disso me chamou muito a atenção a oportunidade de morar na Amazônia e poder através do nosso empenho e da nossa dedicação poder contribuir de alguma forma para a melhoria da qualidade de vida da população local. 



Diário - E o Amapá, como está neste contexto, afinal fala-se muito que ele tem muito potencial, mas que daí a ter produtos turísticos formatados e sendo colocados na prateleira para ser comercializados vai uma distância muito grande. Qual sua avaliação sobre isso?
Sandro - O Amapá, assim como outros lugares no mundo, acompanhou o crescimento do turismo a nível mundial. Posso dar aqui dados da Infraero, que de 2004 a 2010 houve um crescimento significativo no fluxo de pessoas aqui para o Estado do Amapá, seja no desembarque no aeroporto, seja na entrada de estrangeiros, seja na ocupação hoteleira local. Infelizmente questões de crises econômicas mundiais e questões de escândalos políticos locais fizeram com que boa parte das pessoas que vinham ao Estado do Amapá, pois basicamente o segmento que o Amapá mais recebe turistas é o segmento de negócios, essas pessoas optaram por outros destinos ao se deparar com o quadro que o Amapá se encontrava.



Diário - E hoje, como o setor reage?
Sandro - Nesse período nós registramos através das estatísticas que o Amapá volta a ganhar credibilidade junto ao cenário nacional e internacional como destino turístico, inclusive na realização de eventos. O Amapá tem possibilidades. Ele tem pontos negativos e pontos positivos do ponto de vista geográfico, nós somos praticamente um estado-ilha, que não possui acessos rodoviários com outros estados, contudo nós somos o portal de entrada da Amazônia para as grandes embarcações.



Diário - Daí o senhor apostar no chamado turismo de eventos?
Sandro - Sim, pois estamos às próximos a eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil e esse situação geográfica do Amapá é muito favorável em função até mesmo que a capacidade hoteleira do Brasil não irá comportar o público que virá para esses grandes eventos, daí o Amapá aparecer como opção neste cenário em função de que as pessoas possam adentrar na Amazônia através de navio e se hospedar embarcados mesmo. Como eu disse, o Amapá tem esse mote do turismo que são os negócios, além desse grande filé que vem crescendo no Brasil que são os eventos. O Amapá foi sede de um Congresso Brasileiro de uma categoria profissional, mas poderia ser outra categoria arquitetura, medicina, engenharia, enfim, mas foi uma categoria profissional na área do turismo. Eventos como esse segundo a Associação Brasileira de Convention Boreau existem cerca de 5 mil eventos no Brasil consolidados, que estão acima da sua décima edição e que o Amapá pode estar fazendo estudos para captar eventos de pequeno e médio porte que geram impacto em torno de R$ 1,5 milhão só na realização aqui em Macapá.



Diário - E o fato de ser o Amapá o Estado mais preservado do país, em que pode ajudar no incremento do turismo?
Sandro - Esse é outro segmento que também foi muito discutido, muito citado, muito falado, que é o segmento do ecoturismo, em função de todo o potencial de conservação que o Amapá tem, mas que também precisa de uma grande injeção de infraestrutura para que possa receber bem esse turismo e fazer com que esse empresário tenha segurança para fazer investimento nesse segmento. 



Diário - Por falar em eventos o senhor assumiu a Setur às vésperas de um grande evento e que acabou saindo em grande estilo, que foi o Equinócio da Primavera, não é mesmo?
Sandro - Com certeza, mas nós também estivemos na execução de outro grande evento anterior a esse, que foi na 49ª Expofeira, o Festival Gastronômico de Peixes do Mar, uma grande parceria com a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) e com a Pescap (Agência de Pesca do Amapá), no qual colocamos à disposição através do subsídio do Governo do Estado, cerca de 4 toneladas de pescado oferecendo a todas as classes, A, B, C e D a possibilidade de consumirem um prato no valor popular de R$ 5 e feitos pelos maiores chefes de cozinha do Amapá. 



Diário - E depois veio o Equinócio?
Sandro - Foi outra grande programação em que pudemos divulgar o Amapá de forma positiva para o Brasil e para o mundo através do desafio de vôlei, o Red Bull Latitude Zero, além de um mini Rally fantástico executado pelo Jeep Clube de Macapá que chamou a atenção das pessoas que passavam pelo Meio do Mundo. Vale ressaltar que infelizmente nós não pudemos divulgar esse evento em função de uma liminar judicial, mas chegamos a receber um grande público, pois chegamos a divulgar esse evento em outros estados há cerca de quatro a cinco meses.

Perfil

O entrevistado Sandro Bello Barriga nasceu em Breves (PA), região das ilhas do Pará que são vizinhas a Macapá. Mudou-se ainda criança para o Amapá onde bacharelou-se em Turismo pela Faculdade Seama (2005) e em Ciências Sociais, pela Universidade Federal do Amapá (2006); Fez pós graduação em Gestão Hoteleira pelo Iesap e em Ciências Políticas pelo IBPEX/Uninter e Mestrado em Planejamento em Desenvolvimento, pelo NAIA/UFPA. Atuou na iniciativa privada e em 2009 assumiu a Coordenadoria Municipal de Turismo de Macapá; também prestou assessoria na Secretaria Nacional de Políticas do Turismo, órgão do Ministério do Turismo; no mês passado assumiu interinamente o comando da Secretaria Estadual do Turismo.